18 | Primeiro dia

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Havia acordado às cinco da manhã, como era de costume

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Havia acordado às cinco da manhã, como era de costume. Sentia que precisava me exercitar, durante praticamente toda a lua de mel fiquei vidrada em vigiar Noah que deixei essa parte importante da minha rotina de lado, mas hoje eu a retomaria. Hoje as coisas voltariam para os seus lugares. Já vestida para malhar, segui até a academia particular que tinha na minha mansão e comecei um treino pesado de resistência e força para que meu dia fosse o melhor possível. Seria um longo dia após estar por tantos dias, afastada.

Após um banho relaxante me arrumei para ir até a base. Eu havia sido displicente com alguns assuntos importantes, mas agora pretendia investigar isso mais a fundo. Ainda não me esqueci de Juan Carlos, não houve uma conclusão ou se quer uma retaliação após eu tê-lo matado, mas algo me dizia que eu veria mais mexicanos em breve no meu território. Fui relapsa ao não ver tudo o que aconteceu depois com mais cuidado. Preciso de alguns infiltrados no cartel Beltrán Leyva, o qual Juan Carlos era membro, existe uma ótima razão para que eles estejam tendo trabalho para sair do México e vir até a Inglaterra para vigiar nossas atividades.

A verdade é que temos nos solidificado no mercado internacional desde que eu assumi a Blinders. Não é tão simples operar com organizações criminosas na Inglaterra, a inteligência da polícia inglesa é muito avançada, fora os incentivos de delação premiada, e o investimento absurdo que o governo com o apoio da rainha faz na polícia e muitas outras políticas contra a criminalidade. Temos que ser melhores que eles para não sermos pegos. Eu não sou especial, nem tenho um cérebro privilegiado ou tive a oportunidade de estudar em grandes escolas, mas se tem uma coisa que sempre possui era determinação.

Com muito esforço estive acima de todos os meus colegas na escola, quando meu avô me resgatou e me ofereceu estudo, aproveitei todas essas oportunidades que mais pareciam um sonho do que qualquer outra coisa. Depois que o conheci entendi de onde veio a minha frieza e capacidade inata de ser racional em situações de perigo e desespero. Mamãe sempre foi emotiva, e meu irmão também era. Não que eu não fosse, mas sempre fui muito mais racional que eles, e por mais absurdos que tenhamos vivido na comunidade, ainda assim eu conseguia lidar com isso de um jeito que eles nunca conseguiram. Eu era idêntica ao meu avô.

Aprendi tanto com ele em três anos, com tantos professores e treinamentos, com George como meu tutor, e por isso (além de querer manter a máfia que foi originada três gerações antes dele no poder da família), ele me passou o bastão quando sentiu que não resistiria mais. Eu ser uma filha bastarda foi esquecida, ele não tinha mais ninguém além de mim e não pode ficar mais satisfeito por ver que eu era quase uma cópia dele.

Claro que ele teria preferido se eu fosse homem, mas ter alguém vivo de seu sangue era mais do que ele podia esperar, tanto que ele ficou mais do que satisfeito quando descobriu sobre mim. Henry queria me casar antes de morrer, eu já tinha idade para tal, e depois do treinamento intenso que me deu durante os três anos que pudemos viver juntos ele listou alguns poucos pretendentes. Ele desejava me casar antes de morrer, mas se foi antes que isso fosse possível.

A Senhora • COMPLETOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora