37 | Desgosto

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Tudo é um completo desastre

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Tudo é um completo desastre. Um desastre colossal. Nunca em minha vida eu quis tanto derrubar alguém como eu sentia vontade de fazer agora com Eva. Era surpreendente eu ainda sentir desejo por aquela louca sádica. Uma viúva negra mortal. Sinto que aos poucos não terei mais controle sobre qualquer coisa que seja. Agi de modo impensado e completamente insano ao transar com ela de novo.

Tinha determinado a mim mesmo que só faria isso se ela o exigisse, é tão absurdo pensar nessas coisas, que eu nem consigo saber exatamente como me sentir, não é como se ela me machucasse fisicamente, mas o fato de eu não ter a opção de me recusar torna tudo tão emocionalmente desgastante. A sensação de ser apenas um objeto de satisfação pessoal para ela traz uma camada única e inédita de dor para mim. Uma dor que eu não estou sabendo lidar ou absorver.

Foi uma grata surpresa notar que ela manteve o silêncio que eu impus. Ao menos isso ela decidiu respeitar, não sei se por algum resquício de respeito que ela tenha por mim ou se pôr também sentir necessidade de tal.

As semanas se passaram de um jeito torturante, segui o cronograma exigido por ela. Aparentemente Eva odiava fazer as refeições sozinha, então eu as fazia com ela, a cada manhã e a cada noite.

Em silêncio.

O mais puro e absoluto silêncio.

Era perturbador imaginar como as refeições costumam ser tão animadas na casa dos meus pais, junto das meninas que sempre são tão empolgadas com a vida. Minha mãe que adora conversar, meu irmão que também sempre está presente, e meu pai que sempre se empolga com aquilo que interessa aos seus filhos. Eu sabia que abandonar Eva no passado abriria um buraco no meu coração, mas tudo que ela me fez quando voltei apenas me mostrou que o potencial que ela tinha para me destruir era ilimitado.

Eva necrosou o meu coração, mas se esqueceu de enterrá-lo, pois mesmo com tudo isso ainda sinto ele se apertar sempre que ela chega, um misto desesperado de ódio, raiva e vontade de enfiar na cabeça dela que as coisas poderiam ser diferentes. Que poderíamos recuperar o que perdemos, que quando me casei com ela, o único desejo que eu tinha era o de viver uma vida dedicada a fazê-la me perdoar. A venerá-la. A amá-la. Mas os planos dela eram muito diferentes dos meus.

Minha mãe andava furiosa comigo desde que as meninas contaram que supostamente eu convenci meu pai a aceitar o treinamento imposto por Eva. Todas as vezes que tentei falar com ela serviram apenas para eu escutar uma porção de broncas me implorando para que eu impedisse isso. Ela chorava de frustração e virava as costas, se recusando a ficar perto de mim, principalmente por que eu precisava mentir em apoio a Eva para que não precisasse revelar a situação de risco que todos estavam envolvidos.

Enquanto Eva vai para a sede da Blinders eu sigo em direção a Sloggers, preciso repassar com meu irmão os relatórios das vendas das drogas, agora que eles ficaram direcionados apenas para essa parte, mas obviamente tudo teria que ser trabalhado conjunto. Agradeço por Eva não se impor a fazer isso também e me deixar ao menos gerenciar essa parte sem grandes questionamentos. Contanto que eu envie os relatórios finais para ela, tudo tem ficado tranquilo sobre essa questão.

A Senhora • COMPLETOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora