51 | Evoluções

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Enquanto eu seguia para casa, fiz uma pausa de alguns minutos no local onde Eva simulou o acidente de meu pai

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Enquanto eu seguia para casa, fiz uma pausa de alguns minutos no local onde Eva simulou o acidente de meu pai. Fiquei ali, perdido em pensamentos, ponderando se essa tinha sido realmente uma jogada sensata da parte dela. Eu sabia que Eva esperara anos para executar seu plano, no entanto, algo me dizia que ela havia se precipitado. O modo como ela escondeu seus rastros me fez pensar que foi um plano elaborado as pressas.

Considerando a possibilidade de que a morte de Sebastian tenha sido o gatilho para suas ações, me fez começar a perceber que nada estava onde deveria estar.

Eva deveria ter me contado a verdade sem matar meu pai, eu teria como falar com ele, interrogá-lo, descobrir qualquer mínima informação que me desse qualquer centelha de esperança de que minha filha estivesse viva. Uma vozinha irritante na minha cabeça me fazia refletir que se Eva foi até o fim, era porque ela não tinha mais qualquer esperança, e Eva não desiste das coisas tão facilmente. Mas por qual razão eu não conseguia aceitar isso assim? Por qual razão eu sentia a vontade louca de ir em frente mesmo contra todas as possibilidades?

Suspiro fundo e olho em direção ao portão da casa. Thomas estava certo, as chances dele bater o carro da forma que aconteceu eram mínimas, é possível para um motorista desavisado, mas de fato meu pai era um excelente motorista, mais que bom, ele tinha um domínio impar de um carro. Minha mente revira de cansaço, não demoraria muito até que Thomas chegasse a Eva. Mais cedo ou mais tarde, ele conectaria os pontos, e quando isso acontecesse, eu precisaria contar tudo para evitar um confronto.

Depois de alguns minutos de reflexão, dei a partida no carro e continuei até em casa. Ao entrar, avistei Eva adormecida no sofá. Na próxima semana, ela faria vinte e quatro anos. Tão jovem e carregando um fardo tão pesado. Dói pensar que boa parte desse peso se deve a mim. Decido não mencionar sobre a solicitação impensável de casamento dos gêmeos, darei um jeito de resolver essa situação em envolvê-la.

Segui para o quarto e tomei um banho já me vestindo para dormir, depois desci e a acordei para jantar, sei que ela me esperava. Eva detesta comer sozinha, sempre detestou.

— Eu cochilei — ela disse assim que abriu os olhos.

— Sim! Venha, vamos jantar — concordei, percebendo sua sonolência.

Comemos em silêncio, mas percebi que ela estava inquieta. Eu sabia que ela já tinha os resultados do exame, e o fato de que estava agindo dessa maneira indicava que o teste havia sido positivo. Se tivesse sido negativo, sua expressão teria sido completamente diferente. Eu sorri brevemente, relembrando traços de seu comportamento que estavam adormecidos havia muito tempo. A Eva com quem me casei costumava ser tão séria e dura, mas agora parecia mais... Leve.

Terminamos o jantar e nos dirigimos ao quarto. A dependência que havíamos desenvolvido um pelo outro era quase doentia desde a morte de Harper. Dormíamos juntos, mesmo sem intimidade, como uma forma de apoio mútuo. Esse padrão só foi quebrado após eu ter matado Sebastian, mas depois de Eva ter matado meu pai, voltamos a dormir juntos por impulso. Embora não agissemos mais como homem e mulher agem dividindo uma cama.

A Senhora • COMPLETOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora