22 | Roupa Suja

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Depois de transformar o espelho do banheiro em caquinhos minúsculos eu senti um pouco da minha raiva aliviar

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Depois de transformar o espelho do banheiro em caquinhos minúsculos eu senti um pouco da minha raiva aliviar. Como eu olharia para cada um daqueles homens depois dessa humilhação? Noah vai me pagar por isso, ah se vai... Aquele imbecil! Murmuro inconformada. O tanto de ódio que consome meu coração se perde tanto que não consigo se quer quantificar. Respiro inúmeras vezes até que o ar finalmente entre e saia com facilidade para que eu possa por fim fazer aquilo que preciso fazer. Enfaixo minha mão após passar o remédio nos pequenos cortes que terminei de fazer.

Não posso ir até o depósito graças ao fato de Noah ter assumido que era seu papel fazê-lo na frente de todos, eu poderia ter recusado e protestado, daria alguma discursão, mas eu sabia que ganharia no final, contudo essa era uma batalha que não valia a pena lutar, e apenas por isso engoli meu orgulho e relevei, deixando que ele fizesse o que desejava. Havia outros assuntos que necessitavam da minha atenção e eram muito mais urgentes que essa ameaça.

Fui para a minha sala para por fim começar a fazer algo realmente significativo desde que cheguei aqui, pois tudo que foi falado naquela maldita reunião nada mais era que papo furado para justificar a sua existência. Giro os olhos, entediada com essa postura. Pego minha bolsa onde tenho meu corretivo e com o auxílio de um espelho que fica em minha mesa passo ele em meu pescoço junto da base e do pó, até que aquela marca irritante suma de minha vista, ninguém mais precisa ver isso.

Quando por fim consigo disfarça-la bem ligo meu computador para fazer aquilo que vim fazer aqui. Graças ao tempo que fiquei fora havia realmente um acúmulo das atividades burocráticas que eu administro, então comecei a realizar as análises delas, havia muitas vendas a serem faturadas, e muitas encomendas para o próximo trimestre. Ao menos todos nossos pontos de venda estavam estabilizados.

Observo curiosa um aumento significativo de solicitação da Bratva, posso estar errada, mas pela quantidade de armamento solicitada, algo me diz que estão em busca de algo, ou alguém. Talvez estejam planejando uma guerra em breve. Bem, isso não é problema meu, então não perco meu tempo pensando muito sobre, melhor tê-los com aliados do que como inimigos. Pego o telefone e disco o número desejado.

— Bom dia!

— Senhora! — A voz arrastada e animada de Oliver me faz sorrir — É sempre um prazer falar contigo.

— Sempre galanteador, Oliver!

— Impossível não o ser com você! — Sorrio e balanço a cabeça levemente — Finalmente alguém teve a sorte de ser escolhido, senhora. Seu casamento ainda é assunto quente em toda as rodas de conversa. Tive que fingir surpresa ao saber quem você era.

— Muitas pessoas têm curiosidades sobre minha vida, você sabe bem disso, deixe que falem, enquanto eles falam eu faturo — Ouvi seu sorriso através do telefone.

Oliver era um grande aliado, o conheci duas semanas após ser encontrada por George e ser inserida nesse meio. Desde então temos trabalhado juntos, meses depois o coloquei dentro da Birmingham Small Arms Company, apesar de fazermos diversos desvios por lá, sempre havia embates com a polícia, inserir alguém na administração geral de companhia reduziu em quase 80% as disputas com as autoridades, dando a eles a ilusão de que não estávamos mais exportando armas de forma ilegal, teve alguns custos para mim colocá-lo lá, contudo, foi uma das decisões mais eficazes nesse sentido, mesmo que o sacrifício tivesse sido doloroso. Em breve eu colherei os frutos e iniciaremos nossa própria produção. Seremos imbatíveis.

A Senhora • COMPLETOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora