33 | Retorno

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Volto do hospital junto com George, envolta em um silêncio ensurdecedor

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Volto do hospital junto com George, envolta em um silêncio ensurdecedor. Uma vontade desesperada de chorar como uma criança e implorar para tê-la de volta me consome. Por que isso aconteceu? Acreditei tanto dessa vez... Foram três meses em que alimentei esperanças, acreditando que tudo seria diferente.

Mordo o lábio com demasiada força, segurando as lágrimas, enquanto uma vontade avassaladora de voltar para casa e me esconder debaixo da cama se apodera de mim. Quero fingir que tudo não passa de um terrível pesadelo, ansiando pelo momento em que acordarei e a verei aqui, protegida e crescendo dentro de mim.

— Querida... — George tenta falar, mas balanço a cabeça em negação. Não quero falar, não quero conversar. Nem mesmo queria que George soubesse disso. Queria manter em segredo até que fosse seguro revelar, até que ela estivesse grande o suficiente para sobreviver fora de mim. Somente Magda sabia sobre ela, somente a minha amiga e mais ninguém. — Está tudo bem. Falamos sobre isso depois.

George continua dirigindo até chegarmos em casa. Entro em silêncio e ele me segue. Dou instruções para que ele vá até onde Noah está e o liberte em aproximadamente duas horas, tempo suficiente para eu me recompor. Sei que preciso falar com ele hoje, preciso de Noah presente amanhã, sabendo tudo o que precisa fazer para mim. 'Inferno!' Amanhã deveria ser um dia maravilhoso, mas será um dia infernal em que não poderei me afastar. Terei que estar lá, na frente de todos, sem deixar transparecer nada do que estou sentindo.

Suspiro com uma tristeza dolorosa enquanto subo as escadas e entro no meu quarto. Abro as portas do meu closet e afasto umas roupas que ficam mais no fundo, logo me deparo com o compartimento secreto embutido nele. Giro a pequena manivela e monto o quebra-cabeça que criei para trancar esse espaço e com um toque suave ele se abre.

Logo contemplo um pequeno e acolhedor ateliê. É o meu refúgio, o mundo para onde fujo quando preciso esquecer o que acontece lá fora. As paredes são revestidas de um papel de parede velho e muito familiar, trazendo a familiaridade que desejo quando entro aqui. Uma suave iluminação é proporcionada por pequenas luminárias de mesa, destacando as tintas e pincéis dispostos em organização meticulosa.

Avisto uma nova tela em branco e a seguro com carinho. — Você sempre será eterna para mim... — É hora de pintar minha bebê, ainda no útero, usando tons de verde desta vez. Os pincéis deslizam sobre a superfície, criando formas delicadas e curvas suaves que representam a vida que crescia dentro de mim. Dedico cerca de uma hora a essa pintura especial, envolvida em um misto de tristeza e ternura. Ao finalizar, um sorriso tênue se forma em meus lábios, satisfeita com o resultado que captura a essência da minha filha.

Meu olhar se desvia para as outras duas pinturas que estão penduradas na parede, logo ao lado. Uma delas é uma explosão de cores em tons de rosa, representando Ava, minha primeira filha. A outra é uma obra em tons suaves de amarelo, retratando Lauren, que infelizmente se foi rápido demais. Agora, Tracy, a mais recente perda, ganha seu lugar. Escrevo o nome dela na pintura e a prendo ao lado das outras, completando a tríade das minhas meninas.

A Senhora • COMPLETOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora