15 | Frustração

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Tudo estava andando conforme o esperado. Eu havia alcançado o objetivo que eu havia traçado, tudo estava perfeito, do jeito que deveria ser. Cada pequena coisa no seu devido lugar. Menos eu. O ódio devorava-me por dentro como um fogo maldito que nunca iria se apagar. Essa sensação era familiar para mim, havia anos que a experimentava sem qualquer trégua. Mas hoje havia algo mais. Frustração! Da forma mais crua que pudesse existir. Eu sentia meu corpo inteiro tremer de frustração por recuar. Era inconcebível como permiti que aquilo acontecesse.

Fraca! Fraca! Fraca!

Ele merecia a humilhação! Não essa demonstração de afronta patética e irrisória que você acabou de dar.

Patética!

Andei a passos duros até o meu quarto. Minha respiração mais se assemelhava a de um touro furioso de tão alta que estava. Meu quarto era um pouco distante do quarto que deixei Noah, mas ambos ficavam no mesmo andar e no mesmo corredor. Ele não me veria ou me ouviria ao contrário dele, que estava bem monitorado pelo meu sistema de áudio e câmera. Eu o veria de longe o tempo inteiro, visto que ele ficaria preso naquela maldita caixa até que minha raiva passasse. Se isso em algum momento acontecesse.

Que morra de fome preso ali!

Entrei no meu quarto como um furacão, apenas a energia impiedosa que me contornava conseguiria destruir qualquer coisa que estivesse em meu caminho. Se eu precisasse sair em missão ou torturar alguém em busca de informações hoje, eu com certeza eu teria perdido o controle e cometido erros desmedidos. Igual àqueles babacas arrogantes que acham saber o que fazem.

Tentando controlar os gritos que estavam presos na minha garganta, pressionei minhas mãos contra os meus lábios. Recusava-me a gritar. Mesmo sabendo que ninguém me ouviria, o fato dar voz a minha fraqueza me deixava em um nível alarmante de enervamento.

As ordens eram para a mansão ficar vazia durante o meu ingrato período de lua de mel. Cinco dias era o mínimo destinado aos noivos que se casavam na organização. Todos tiravam pelo menos cinco dias de folga quando se casavam, a maioria viajava, mas alguns devido ao perigo que suas posições ofereciam se mantinham em casa. Tenho a desculpa do perigo agora que todos conheciam meu rosto, mas aparecer antes dos cinco dias de praxe levantaria no mínimo burburinhos que eu não tinha a menor paciência para lidar.

— Eva... — A voz de Sebastian soou baixo diante do barulho perturbador que havia dentro de mim. Meus ouvidos guiaram meus olhos para onde ele estava. Como não havia notado sua presença ao entrar?

— Saia! — Falei controladamente, eu não ia perder a cabeça. Eu não podia perder a cabeça.

— Não tem problema você não ter conseguido Eva, não é algo tão simples assim, isso não te faz mais fraca. — Sem dúvida havia certo equívoco nessa frase, engoli em seco e olhei de modo firme para ele.

— Senhora! Não esqueça o seu lugar! — A expressão nojenta de pena que ele ostentava logo mudou para uma de vergonha. Estendi o braço em direção a porta do meu quarto — Agora saia daqui e volte para a sua casa, hoje é a minha noite de núpcias, e a partir de amanhã começa a minha lua de mel. Não quero uma alma viva se quer nesse lugar até os cinco dias acabarem. — Seu olhar se ergueu e encontrou os meus, havia expectativa ali e mais um bocado de frustração — Nem você! Não me faça repetir.

Sebastian suspirou profundamente, ele chegou a abrir a boca para falar alguma coisa, mas quando notou que eu não esmoreceria retrocedeu e se calou, indo em seguida em direção à porta e por fim me deixando sozinha. Assim que a porta se fechou, senti a primeira lágrima escorrendo pelo meu olho até o meu queixo e por fim encontrando o seu caminho no chão. O ódio me consumiu com mais força agora, queimando tudo, a segunda lágrima logo se juntou a primeira e logo outras começaram a cair sem controle. Em poucos segundos meu rosto estava banhado delas.

A Senhora • COMPLETOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora