56 | Ruptura

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Eva está dormindo tranquila enquanto eu a observo, cada traço de seu rosto suave, mesmo dormindo é nítida a alegria e a paz que ela sente

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Eva está dormindo tranquila enquanto eu a observo, cada traço de seu rosto suave, mesmo dormindo é nítida a alegria e a paz que ela sente. Estamos há dois dias da tão esperada alta do hospital, e eu não via a hora desse momento chegar, não apenas eu, mas todos nós. Isabella e Olivia se organizaram como os anjos que são na minha vida e terminaram de preparar o quarto de Ethan. Eu não saberia fazer isso, não com o mesmo capricho que elas.

Lembro como se tivesse sido há minutos atrás o momento em que finalmente liberaram Ethan para ser amamentado direto no peito, isso aconteceu uns quarenta dias depois que ele nasceu, e a frustração de Eva ao ter que extrair o leite ao invés de poder amamentá-lo era tão intensa que o clima ficava absurdamente pesado durante esses momentos. Ela não reclamava, mas eu via a tristeza e a frustração em sua expressão, em seus gestos.

— É só por um tempo, logo ele virá. Você terá todo o tempo do mundo para ele, vocês dois terão — falei a ela enquanto esfregava suas costas, ela não disse nada, mas um soluço baixinho foi ouvido por mim.

Por mais que Eva ficasse triste por ter que esperar, ela entendia assim como eu as precauções excessivas. A médica sabia que não teríamos mais filhos, então os cuidados com Ethan eram algo digno da realeza. Qualquer soluço que ele dava era suficiente para que uma horda de enfermeiros fossem verificá-lo. Às vezes eu pensava que a ação de todos beirava o exagero, mas não reclamava, era meu filho, o único que eu teria, o único que viveria para levara nossa descendência, o nosso legado. Qualquer cuidado com ele era pouco.

— Oi, Ethan — fiz um carinho de leve em sua barriga, era quase impossível não lembrar-me de Harper durante o período em que ela ficou em uma incubadora, nosso bebê já não precisava mais de uma, e eu desejei com todo o meu coração que Harper tivesse resistido e os dois pudessem coexistir em nossas vidas. Uma fisgada em meu coração ao lembrar-se do destino terrível que levou Ava me faz engolir duro. Balanço a cabeça tentando abstrair, pensar nela não há trará de volta e não mudará nada. Tento concentrar minha atenção no bebê curioso a minha frente — Depois de amanhã vamos para casa, filho. Falta só mais um pouquinho para você conhecer sua casa, suas tias cuidaram do seu quarto com muito esmero.

Ele tinha engordado três quilos durante os dois meses que estamos aqui, o que foi um alívio indescritível ver o quão rápido ele estava ganhando peso e crescendo. Ele me olhava fixamente, seus olhos negros como o de Eva parecendo duas jabuticabas bem abertas. Ele era um bebê curioso e me seguia com o olhar para onde eu ia. Fazia duas semanas que ele havia saído da incubadora e Eva o amamentou a primeira vez aqui, no quarto do hospital. Agora ele ficava aqui conosco sendo monitorado constantemente pelos médicos. Minha mente volta ao momento mágico que vi Eva compartilhando com ele.

— Ele é forte! — Sua voz saiu embargada — ele suga forte — eu sabia que ela não falava comigo, eu sentia que ela havia se esquecido de mim por alguns minutos. Eva o olhava como se estivesse hipnotizada. Como se não houvesse mais nada no mundo além dela, de Ethan, e daquele momento que ela tanto havia desejado.

A Senhora • COMPLETOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora