|Capítulo 38|

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~2 de fevereiro de 2015~

Marília's point of view

Porque você não fez nada?

Segurei o arco com firmeza e posicionei a flecha em direção ao alvo. Soltei a respiração que estava presa dentro de mim e soltei o arco, acertando em cheio o ponto vermelho na árvore.

Nada...

Eu não conseguia sentir nada com aquilo, nem se quer um misto de sensações ou um gatilho para que tudo viesse com tudo. Eu estava vazia, fechada... Presa em um muro enorme de concreto do qual eu queria escalar, mas era alto de mais. Tirei outra flecha das costas, no intuito prático de tentar sentir alguma coisa por menos que fosse. Eu só queria sentir alguma coisa!

Tinha acabado de fazer um mês... Um longe mês que não significou nada para mim. Um mês que eu acordei naquela cama e passei a encarar essa nova realidade da minha vida. Um mês que eu havia perdido tudo, até minha humanidade. Me sinto patética ao pensar dessa forma... Pensar que agora eu me encontro como uma protagonista de um dos filmes trágicos que eu tanto odiava. Os dias passaram tão rápidos que eu nem se quer havia notado, era como se a realidade estivesse distante.

Eu estava completamente presa e confinada numa bolha negra criada por mim mesma... Mas eu não tinha controle... Eu queria sair... Eu queria sentir e lamentar a morte deles.

Posicionei a flecha mais uma vez, pronta para acertar o alvo novamente. A pressão em meu peito se fez presente, me fazendo mais uma vez soltar a respiração que estava presa dentro de mim.. visualizei minhas mãos soltando a flecha, mas antes de completar tal ato, eu pude ver uma figura pequena passando em frente a árvore.

- Marília... - Sua voz fina e infantil me fez abaixar o arco na mesma hora. Sofya veio correndo com uma flecha em mãos, arriscando cair com a mesma e se machucar. - Aqui olha... Peguei pra você.

Sua inocência generalizada me causava uma certa ânsia interior que eu não sabia como descrever. A tristeza em seu rosto me deixava agitada de alguma forma. Eu lembro de ontem a noite escutar ela chorando em seu quarto. Era assim quase todas as noites, tendo que ser amparada pela minha tia. Eu queria isso... Eu só queria sentir isso... Mas eu estava vazia...

- O que pensa que está fazendo aqui? - Perguntei tirando a flecha de suas pequenas mãos e levei até a bolsa em minhas costas. - É perigoso ficar aqui, eu podia ter acertado você ou coisa pior.

Falei passando a caminhar de volta para casa. Estava praticamente na grama ampla que tinha na casa dos meus tios. Uma quase fazenda que ambos tinham e faziam questão de explorar as terras a vontade. Meus tios tinham uma vida diferente da que eu e minha família levava antes de tudo. Nos levaram para o campo para a nossa própria segurança, acabando de vez com qualquer chance que os inimigos tinham de tentar caçar Sofya e eu. Mas algo não estava certo.

- Você não me acertaria, somos família lembra? - A voz de Sofya me tirou dos meus pensamentos, fazendo com que meu olhar fosse diretamente pra suas costas. A mesma usava um vestido rosa  com pequenos detalhes de flores e borboletas. - O tio Harry mandou eu vir te chamar pra almoçar.

Ela disse virando pra mim sorrindo, andando de costas. Eu podia ver seus cabelos loiros batendo em seu rosto, assim como o sol liberava seus olhos azuis como água. Eu agradecia todos os dias por ela não estar em casa aquele dia. Passei os dedos pelos meus cabelos que haviam crescidos desregulados graças a falta de atenção com minha aparência.

𝑀𝑦 𝐷𝑜𝑚𝑚𝑒  {𝑴𝒂𝒍𝒊𝒍𝒂}  G!POnde histórias criam vida. Descubra agora