Rebeca aguardava notícias do pai sentada em uma cadeira na recepção do hospital enquanto a mãe andava de um lado para o outro. Já fazia muito tempo que eles entraram para realizar alguns exames e isso só piorava a aflição.
− Parentes do senhor Adolfo Sanchez? – o médico apareceu, lendo o prontuário.
− Somos nós, doutor. Como o meu marido está? – Léia, mãe de Rebeca, se levantou junto com ela, nervosamente.
− Bem, o senhor Adolfo sofreu um acidente vascular cerebral, mais conhecido como AVC que é a alteração de fluxo do sangue no cérebro.
− Meu Deus. E como ele está? – Léia perguntou com a voz embargada e as mãos unidas.
− Ainda é cedo para sabermos com precisão. O fato é que ele vai precisar de um tratamento longo e rigoroso, como exames laboratoriais frequentes, injeções anti-coagulantes, medicamentos orais e devemos também tentar reverter as sequelas que com certeza o AVC vai deixar, como problemas na fala, na locomoção e na alimentação.
− Sei. E podemos receber tudo isso aqui? – Rebeca perguntou.
− Como vocês sabem, esse aqui é um hospital público e sobrevivemos através de doações. Para receber um tratamento adequado, ele precisaria ir a um hospital de neurorreabilitação.
− Mas esses lugares são caros, a gente não tem condições. – Léia falou chorando.
− Eu entendo e sinto muito, mas vocês precisam dar um jeito o quanto antes porque só tenho como manter o senhor Adolfo aqui até ele se estabilizar.
− Não se preocupa, mãe, a gente vai dar um jeito. – Rebeca apertou a mão de Léia.
− Se vocês me derem licença, eu vou ver os outros pacientes. Qualquer coisa podem me procurar. – o médico saiu depois de Léia e Rebeca agradecerem.
− Como, minha filha? O que eu ganho lavando roupas não compra nem um remédio do seu pai. – Léia continuou o assunto, ainda chorando.
− Eu também posso arrumar um emprego. – Rebeca falou decidida.
− Você ainda é menor de idade, Rebeca.
− Não importa, em algum lugar devem me contratar nem que seja por um tempo. – Rebeca deu de ombros. – Você vai ficar ou quer ir para casa?
− Eu acho que vou ficar, mas você pode ir. – Léia segurou a mão de Rebeca.
− Ótimo, mais tarde eu trago algumas roupas para o papai. Até logo. – Rebeca beijou o rosto de Léia e saiu.
Ao contrário do que Léia achou, Rebeca não foi para casa, mas sim andou pela rua procurando alguma loja, restaurante ou qualquer outra coisa que precisasse de funcionários. Ela sabia que não tinha como ganhar bem, afinal era menor de idade e inexperiente, mas qualquer ajuda naquele momento seria válida. A moça logo encontrou uma padaria com a placa indicando que precisava de funcionários e não pensou duas vezes antes de entrar.
− Oi. Eu vim para a vaga de emprego. – Rebeca falou sem graça para uma mulher que atendia várias pessoas ao mesmo tempo atrás do balcão.
A mulher encarou Rebeca estranhamente, provavelmente pensando ser brincadeira uma suposta criança estar pedindo emprego no seu estabelecimento.
− Você tem ao menos dezoito anos, menina?
− Não, eu tenho quinze. – Rebeca fez careta e a mulher se preparou para falar, mas ela continuou, um pouco nervosa. – Por favor, eu preciso trabalhar para ajudar o meu pai, ele está muito doente e precisa de um tratamento caro. Juro que posso aprender o que a senhora quiser.
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Amor De Quinta
Storie d'amoreRebeca Sanchez era uma linda moça de 15 anos prestes a conhecer o amor com o seu colega de classe Eduardo Juárez, até que a família do rapaz decide ir embora do país, separando assim o casal. Anos depois, grandes mudanças acontecem na vida da moça q...
