Como prometeu, Bárbara se tornou uma das garotas de programa mais populares e desejada do meio. Sua vida era puro glamour, sofisticação e sexo, mas o que ninguém sabia era que tudo isso era uma máscara que ela usava para esconder a dor de ter perdido Léia e Adolfo que em tantos anos, nunca a procuraram nem mesmo para saberem se ela estava viva. Ela também pensava em Eduardo e em como seria diferente se ele estivesse ficado na cidade, provavelmente eles estariam casados, com filhos e enchendo a sua família de orgulho. Em um fim de semana qualquer, a morena foi contratada para um grande evento de uma empresa de leite, mas até o momento não tinham solicitado seus serviços sexuais, bastava que estivesse como sempre impecável para acompanhar o dono da empresa como uma boa anfitriã, já que pelo que ficou sabendo, ele era viúvo. Na hora marcada, ela desceu do carro mandado pelo cliente no salão de festas, onde um homem alto e grisalho a aguardava.
− Boa noite. Bárbara? – o homem sorriu, beijando a mão de Bárbara com delicadeza.
− Sim, sou eu. Muito prazer. – Bárbara sorriu provocante, dando um beijinho no rosto do homem.
Fazia parte do trabalho de Bárbara sensualizar para os clientes mesmo que não fosse entre quatro paredes e ela tinha até aprendido a gostar, pois ser desejada era o que a mantinha há anos.
− O prazer é meu, querida. Eu me chamo Gonçalo Elizalde, sou presidente da empresa Lactos e solicitei a sua companhia para fazer par comigo a noite inteira. Você sabe como é, todos os sócios são casados, eu sou viúvo e não queria ficar por baixo, mas não tive tempo para arranjar qualquer mulher por aí.
− Eu entendo perfeitamente. Não se preocupe, eu vou amar a sua companhia. – Bárbara sorriu.
− Além de linda, ainda sabe como agradar. Dá uma voltinha para mim. – Gonçalo fez Bárbara se virar, olhando todo o seu corpo.
Bárbara vestia um longo vestido dourado e brilhante com uma linda e forte maquiagem para a noite, além de um coque bem feito no cabelo. Ela continuava faturando muito com o que trabalhava, ganhava todas as roupas, sapatos, massagens, salão de beleza para se manter bem na aparência, mas como estava morando com Fafá e outras meninas, seu dever era ajudar a pagar as contas de casa, por isso quase sempre seu dinheiro ia todo para sua patroa e não podia reclamar, já que mesmo assim, nunca havia lhe faltado nada.
− Eu não sei, mas algo me diz que eu serei o homem mais bem acompanhado da noite. – Gonçalo riu com a mão no queixo e Bárbara retribuiu. – Vamos entrar, meu bem, quero que conheça o meu genro. – ele enlaçou o braço com o dela.
Desde que viu as garotas de programa na noite do jantar com Eduardo, Gonçalo não as tirou mais da cabeça e achou a oportunidade perfeita para conhecer ao menos uma delas no evento, procurou Fafá e pediu a mais bela mulher que ela tivesse lá. Assim que ele entrou com Bárbara, surgiram vários fotógrafos tirando fotos dos dois, as quais foram ignoradas.
− Ah, ali está ele. Vem. – Gonçalo levou Bárbara pela mão até o balcão, onde um homem conversava com outro e saboreava um coquetel. – Eduardo, essa é a moça de quem tanto falei.
Eduardo se virou e o choque percorreu as suas veias e as de Bárbara. Quando eles acharam que nunca iriam se reencontrar, por uma ironia do destino, a vida os colocava cara a cara. Mas as perguntas rondavam mais a cabeça do homem, pois Gonçalo disse que contrataria uma garota de programa para ser sua acompanhante, então no outro dia, quando achou que viu Rebeca na rua, seria ela mesmo?
− Rebeca? – Eduardo falou estático.
De repente, Bárbara ficou em pânico. Nunca, em seu tempo de menina sonhadora, ela imaginou que encontraria Eduardo no meio de uma festa, menos ainda que ele a visse como uma garota de programa.
− Vocês se conhecem? – Gonçalo olhou de Eduardo para Bárbara.
− Não, eu acho que o seu genro se enganou, nunca o vi na minha vida e como disse, me chamo Bárbara. – Bárbara falou rápido, forçando um sorriso.
Eduardo continuou encarando Bárbara estranhamente. Ele achava que Rebeca não teria coragem de fingir que não o conhecia, mas por que algo no olhar penetrante daquela mulher o lembrava do seu amor?
− Aceita dançar, Bárbara? – Gonçalo convidou, estendendo a mão para Bárbara.
Gonçalo era cliente de Bárbara e ela já era acostumada a realizar todos os desejos dos homens, mas mesmo se não fosse assim, ela só queria fugir de onde estava Eduardo.
− Claro. – Bárbara sorriu, aceitando a mão de Gonçalo e saindo sem olhar para o lado.
Gonçalo levou Bárbara até o meio da pista de dança e segurou em sua cintura, começando a se balançar no ritmo da música romântica que tocava até perceber a mulher trêmula em seus braços. O fato de Eduardo estar há poucos metros a desestabilizava como nada há muito tempo fazia.
− Você está bem? – Gonçalo estranhou.
− Sim, me desculpe. Só estou com um pouco de calor. – Bárbara falou ofegante.
Eduardo não tirou o olhar de Bárbara e Gonçalo. Se não fosse o fato dela ser Rebeca, algo naquela mulher o intrigava muito, principalmente por ela insistir que não o conhecia e mesmo assim evitá-lo a qualquer custo. Para tirar a prova mais uma vez, ele se aproximou do casal.
− Com licença. Gonçalo, você me daria a honra de dançar com a sua acompanhante? – Eduardo perguntou sorrindo.
Gonçalo estranhou ainda mais. Não podia ser só impressão dele que assim como Bárbara queria se afastar, Eduardo fazia de tudo para estar perto dela, mas a mulher não era nada dele e nem ele se importava que ele fosse marido de Fernanda, pois como disse várias outras vezes, para a sua tristeza, sabia que não era fácil aguentar a filha.
− Com todo prazer, mas eu ia levá-la para tomar alguma coisa agora.
− Ah, tenho certeza de que ela não se incomodará de esperar mais um pouco enquanto dança comigo, não é? – Eduardo sorriu para Bárbara.
Pela primeira vez depois de tanto tempo, Bárbara se sentiu incapaz de negar alguma coisa para Eduardo com aquele sorriso mais lindo do que ela se lembrava, além de não poder levantar mais suspeitas do que já estava fugindo dele sem disfarçar o nervosismo.
− Por que não? – Bárbara retribuiu o sorriso, nervosa.
− Eu vou pedindo as nossas bebidas. – Gonçalo avisou, entregando Bárbara para Eduardo e o cumprimentando com um tapinha no ombro antes de sair.
Eduardo praticamente abraçou Bárbara para dançar colado ao seu corpo. Os dois fecharam os olhos, sentindo o perfume um do outro. Tudo se tornava mais difícil quando ela percebia que com o passar do tempo, o homem só tinha melhorado em todos os aspectos que ela se lembrava.
− Eu não sei por quê, mas eu ainda acho que conheço você. – Eduardo sussurrou sem sair da posição.
Bárbara prendeu a respiração, mas também não se mexeu. Se Eduardo continuasse insistindo, ela não sabia o que faria.
− Já eu continuo afirmando que você está enganado. – Bárbara soltou Eduardo o suficiente para encará-lo, forçando um sorriso.
Eduardo ia responder quando a música acabou e Bárbara se soltou de vez dele, correndo até onde estava Gonçalo e começando a beber com ele. O resto da noite se passou assim, ela com seu cliente original e o outro homem a encarando de longe, pois também não podia dar muito a entender o encanto por ela, apesar de prometer a si mesmo que não desistiria de descobrir se aquela mulher fez parte do seu passado e se fosse como ele achava, gostaria de saber por que ela se escondia tanto e como havia deixado de ser uma garota inocente para virar mulher da vida.
~ * ~
E esse reencontro??? E a Bárbara fingindo que não conhece o menino Edu??? :O
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Amor De Quinta
RomanceRebeca Sanchez era uma linda moça de 15 anos prestes a conhecer o amor com o seu colega de classe Eduardo Juárez, até que a família do rapaz decide ir embora do país, separando assim o casal. Anos depois, grandes mudanças acontecem na vida da moça q...
