ponto de vista de Marina Becker.
Essa noite, sonhei com Cristiano.
Sim, o menino que conheci há menos de um dia.
Estávamos sentados numa praia bonita demais pra ser real, assistindo o pôr do sol e tomando um sorvete de chocolate. Só isso. Mas, de algum jeito, tinha algo ali. Um silêncio confortável, uma calma bonita.
Nada demais, eu sei. Provavelmente só sonhei com ele porque ficamos até tarde conversando. Mas ainda assim, sonhei.
Acordei com Milla me chamando desesperada, dizendo que o sinal da escola tocaria em cinco minutos e minha amiga não pensou duas vezes para sair correndo. O colégio é perto, dá tempo pra ela.
Mas pra mim? Nem chance. A única opção seria aceitar a derrota e tentar entrar na segunda aula.
"Ótimo. A garota nova chegando atrasada logo no segundo dia. Palmas pra mim."
E como se não bastasse o atraso, acordei com o coração apertado. Uma saudade sem motivo específico, uma vontade de colo, de abraço, de casa. Eu estou feliz aqui, de verdade. Mas tem dias em que a saudade fala mais alto, sem pedir licença.
Sacudi os pensamentos, tomei um banho, fiz todo o meu autocuidado e uma maquiagem mais rápida que a luz. Vesti o uniforme e penteei meus cabelos castanhos com as pontas levemente onduladas. Um dos poucos orgulhos que carrego comigo.
Milla havia dito que estava muito frio, mas, sinceramente? Ela é friorenta. Ignorei.
Mal sabia eu que o aquecedor estava ligado e que, lá fora, Lisboa parecia um freezer.
Peguei o primeiro trocado da mesa e saí às pressas.
Se eu corresse, e muito, talvez ainda desse tempo de entrar na primeira aula.
E então lá estava eu.
Uma garota brasileira, com uma mochila enorme nas costas, tremendo de frio e correndo pelas calçadas de Portugal às sete da manhã. Cômico e trágico. Tudo ao mesmo tempo.
Mas valeu a pena.
O portão ainda estava aberto.
— Bom dia, Senhor Willian! — Gritei, passando voando. O segurança riu alto e mandou eu correr. A sala se fecharia em um minuto.
Aprendi ontem, que depois dos primeiros quinze minutos, trancam a sala e você perde o primeiro turno.
Não passei frio à toa, não ia perder essa aula nem que fosse a última do mundo.
E quando cheguei à sala, pronta pra implorar por entrada...
Ele estava lá.
Cristiano.
Sim, ele.
Fechando a porta.
Nada de professor ou inspetor. Era ele, com a mão na maçaneta e um olhar rápido que cruzou com o meu.
Por um segundo, o tempo parou.
Ele olhou pra professora, distraída no computador, e fez um pequeno gesto com a cabeça, indicando que eu podia entrar.
Sem pensar duas vezes, entrei de fininho e fui até o meu lugar, na frente dele.
Ele fechou a porta devagar e, antes de se sentar, me lançou uma piscadinha. Simples e casual.
Mas foi pra mim.
A piscadinha foi para mim.
Sabe aquele momento que te tira o chão, mesmo sendo tão bobo? Foi esse.
Me perdi ali. Entre o frio no corpo e o calor que a piscadinha trouxe no rosto.
Mas a realidade não deixou eu flutuar muito tempo. Senti um leve toque no ombro esquerdo, era Lara e o pessoal me cumprimentando com sorrisos. Retribuí, e logo depois fui chamada a atenção.
— Marina Becker! — A professora chamou, afiada. — Trate de se virar pra frente e prestar atenção na aula!
Nem tive tempo de responder. Só me virei rápido, fazendo um sinal com a mão pros amigos e voltando a encarar a lousa.
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Meu Camisa 7 - Cris Jr.
RomansaUma garota, um sonho e um destino totalmente inesperado. Marina Becker enfrenta o desconhecido, mas será que estará preparada para o que vem a seguir? plágio é crime.
