Parte 4 - Convivência e concessões

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Pran preenchia seu tempo entre as aulas com o ensaios da sua banda. Todos estavam animados para o concurso musical Hot Wave que se aproximava, porém as reuniões da banda estavam caóticas. Wai chegava atrasado todas as noites e, nos dias que não estava trabalhando no bar, os outros membros nunca conseguiam falar com ele por telefone após às 20 horas. Era como se ele desaparecesse no mundo e no outro dia, dizia que seu celular estava sem sinal ou a bateria tinha acabado ou não tinha ouvido tocar. Sempre havia uma desculpa.

Eles precisavam se empenhar mais ou não ganhariam o concurso e isso deixava Pran fora de si. Wai era seu melhor amigo, mas parecia que ele estava escondendo algo.

Todos sabiam que sua situação financeira era bem difícil e ele se esforçava muito para conseguir manter sua bolsa de estudos. Então, quando ele apareceu com uma camisa de grife, seus amigos estranharam e ele desconversou dizendo que era imitação. Pran sabia que não era. Como ele conseguiu dinheiro para comprar isso? Será que ele estava fazendo algum outro tipo de trabalho? Apesar de serem amigos, Wai se incomodava quando Pran o questionava. O melhor a fazer era respeitar o espaço do amigo e ficar atento, pois não queria que o ele se machucasse ou se colocasse em alguma situação perigosa.

Phat, por sua vez, foi escalado para a equipe de basquete no segundo semestre. Esta foi a melhor aquisição da Engenharia, já que, por causa da sua força e desempenho, o time avançou com sucesso e chegou às finais contra a faculdade de arquitetura. Mais uma vez a arquitetura no seu caminho, pelo menos Pran não estaria lá para jogar contra ele. Nisso pelo menos eles não competiriam dessa vez.

O jogo foi difícil e agressivo; o grupo da arquitetura não estava brincando em quadra. As entradas eram fortes e as miras, certeiras. A Engenharia, por sua vez, não ficava atrás. Phat e seus amigos optaram pelos passes rápidos e eram ágeis na movimentação em quadra. O placar seguiu empatado até o último quarto, quando a engenharia abriu alguns poucos pontos de vantagem e conseguiu segurar até o fim.

Todos comemoravam, menos para Phat. A banda da arquitetura tinha sido convidada a se apresentar antes da premiação e isso o deixava inquieto. Phat tentava se distrair segurando a bola de basquete, rodando e a apertando, mas era em vão. Um calafrio constante percorria seu corpo, como se estivesse enfeitiçado, seu olhar e todo seu corpo pertenciam àquela voz que vinha do palco.

Pran sentia-se incomodado antes do show, existia aquela sensação de já ter visto isso antes, mas faltava algo. Ele subiu ao palco vestindo um casaco azul e cada membro da banda usava uma jaqueta de cor diferente. Antes de começar, a banda cumprimentou os estudantes e tocou os primeiros acordes deJust Friends.

De cima palco improvisado, cantando, ele viu Phat e seu corpo parecia transcender, era impossível não olhar para ele. Ele era sua inspiração, era para ele que seus versos estavam direcionados, sua boca se movia buscando o beijo molhado de chuva e de lágrimas que eles nunca deram. Era uma outra vida que corria dentro dele.

"O que aconteceu hoje, Pran?!" seus companheiros perguntaram "Cara, eu tava arrepiado! Você nunca cantou desse jeito! Se você puder repetir no Hot Wave, o prêmio é nosso!"

Pran sorria e agradecia, embora estivesse confuso e completamente perdido em si. Havia uma necessidade enorme de sair dali, de se afastar de Phat, pelo menos enquanto esse sentimento estranho estivesse dentro dele.

Do lado de fora do ginásio, com a brisa refrescante da noite, ele se acalmou. E foi nessa hora em que ele foi abordado por Ink, aluna do primeiro ano do curso de Jornalismo. Isso o distraiu da sua loucura interna. A garota perguntou se a banda tinha interesse em fotografar com ela para divulgação do concurso e ele aceitou. Ele entraria em contato para marcar.

Phat estava esperando ser chamado para receber seu prêmio. Sua cabeça ainda rodava após ouvir Pran cantar, seu corpo mandava sinais impossíveis de entender e ele precisava respirar. Quando saiu, viu Pran e uma garota trocando números de telefone e seu estômago afundou. O que estava acontecendo? Ele é um homem, um cara bonito, ele pode falar com quem quiser. E por que, caralhos, isso afetava Phat dessa forma? Ele chacoalhou a cabeça e voltou para dentro do prédio.

No palco - Bad Buddy MultiversoOnde histórias criam vida. Descubra agora