Capítulo 8

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                                🍀


- Amor você não vai se levantar? – Zayn perguntou saindo do banho.

- Não. Eu não quero trabalhar hoje. – Resmungo.

Passaram alguns dias desde de minha crise no estacionamento do presídio. Naquele dia tive que deixar meu carro lá e pedir um táxi pela total incapacidade de dirigir. Em casa minha situação não melhorou, pelo contrário. Perdi a noção de quanto tempo fiquei na banheira chorando sem controle. E eu já nem sabia mais por qual motivo. Parecia que aquelas lágrimas estavam guardadas há anos devido uma série de coisas diferentes. Só saí quando peguei no sono e meu corpo escorregou me fazendo afogar e acordar assustado.

Desde então tenho evitado ao máximo ter contato com Louis. Ele não vai falar nada mesmo.

Tive que ir uma outra vez atualizar ele sobre a investigação, sugeri novamente que ele desse sua versão do que aconteceu e novamente ele não disse nada importante.

Ele não ia colaborar com ele mesmo e isso daria à promotoria o poder de construir o caso da forma como eles quisessem já que tinham apenas o laudo do legista. O corpo de delito pelo qual Louis passou indicou alguns ferimentos que concluíram ser tentativa de defesa de Adam. Isso explicava os hematomas que vi. Era tudo o que tínhamos. Eu ia sair desse caso como uma chacota. Em uma coisa Tomlinson estava certo, é um caso perdido. Vou me lembrar de culpar Laura pelo meu fracasso.

Zayn voltou de viagem uns dias depois e tem sido cansativo não transparecer meu estresse para ele. Meu esforço quase sempre funciona mas não noite passada.

Meu marido me surpreendeu com uma massagem que eu teria amado em outra ocasião, com óleos essenciais e velas espalhadas pelo quarto. Tirou gentilmente minha roupa e começou a esfregar o óleos pelas minhas costas a fim de me relaxar, o problema foi que relaxar baixou minha guarda e eu desabei.
Iniciei um choro compulsivo sem motivo algum o fazendo me puxar rapidamente para seu colo, preocupado em ter feito algo errado que tenha me machucado.

A Zayn...

Meu choro se tornou maior quando me dei conta de estar causando tal preocupação em meu marido e apenas consegui mentir mais um vez dizendo que estou muito cansado pelas excessivas cobranças no trabalho. (Bem, não era totalmente mentira).

Zayn me embalou em seu colo pela madrugada enquanto eu soluçava sem controlar o choro. O pior é que nem eu sei a verdadeira razão disso.

- Tudo bem amor. Eu posso ligar para Laura e dizer que você não está bem. – Ele se inclinou sobre a cama me dando um beijo na testa.  – Se você quiser posso ficar com você.

Tudo que eu não precisava era de Zayn o dia todo comigo, parte do meu cansaço era justamente de tentar me controlar perto dele. A culpa me corrói de pensar que estou escondendo uma parte da minha vida do homem que eu digo amar. Ele não merece nada disso. Zayn é perfeito para mim, portanto devo ser perfeito para ele.

- Não precisa amor. Eu estou bem, só vou tirar o dia para descansar. Pode deixar que eu mesmo aviso a Laura.

Ele confirmou mais uma vez se eu ficaria bem e relutantemente se despediu com um beijo singelo. Respirei aliviado quando ouvi a porta se fechar no andar de baixo. Sinto falta de querer a companhia de Zayn a todo momento, mas por hora, tem sido melhor ficar sozinho já que aparentemente eu vivo com tremores e palpitação.

Mandei uma mensagem para minha chefe com a desculpa de uma infecção alimentar e tentei voltar a dormir.
Sem sucesso. Peguei meu celular novamente e rolei os contatos. Deveria ter feito isso há anos mas sempre adio e acho que a vida vai seguir bem sempre.

Ligo e nem acredito quando a secretária avisa que tem uma vaga para hoje mesmo. Tenho uma hora para me arrumar e chegar até lá.

Quando entro, sou recebido com um sorriso doce e não evito reparar na decoração da sala: paredes claras, uma cortina de ceda champanhe bloqueando levemente a luz natural, uma estante de livros atrás da mesa ampla em formato de que lembra uma gota, uma poltrona beije e um divã no mesmo tom. Tem fotos em cima da mesa mas estão de costa para onde estou me impossibilitando de ver a imagem.

- Que bom que veio Harry, sou Anna, muito prazer. – A psicóloga me cumprimenta e me indica o divã,  onde eu sento um pouco tenso.

Desde que me formei, Niall me passou o contato de Anna, amiga de sua mãe que também é psicóloga assim como ele. Eu sempre achei que deveria ir em um, mas no fim concluía que eu podia lidar sozinho com minhas coisas.

Aparentemente Niall também acha que eu preciso de um já que vira e mexe, me pergunta se já entrei em contato com Anna.

Bem. Aqui estou.

- O que o trouxe aqui hoje Harry?

Já quero ir embora. Eu não sei o que falar nem o que fazer aqui. Por onde começar?

- Bem... – divago – Eu... tenho ficado um pouco ansioso ultimamente. Acho que isso.

- Ansioso? Você pode me descrever o que sente?

- Sei lá. – De repente toda habilidade oratória que tenho como advogado vai pelo ralo e parece que não conheço um vocabulário mínimo. – Minhas mãos ficam trêmulas as vezes. Meu coração acelera e eu tenho chorado sem motivo algum.

- Existem situações específicas em que isso acontece? Algo que você tenha notado?

- É... acho que sempre senti um pouco dessas coisas. Mas tem piorado há algumas dias. – estou nervoso.  Só de falar já sinto um nó se formando novamente em minha garganta.

- Aconteceu algo que chamou sua atenção? – ela permanece serena.

- Eu... tenho um novo caso... tem me estressado eu acho.

- Um novo caso....? – Anna instiga.

Percebo logo que ela pode ter interpretado errado e trato de corrigir.

- Oh. Um caso no trabalho.  Quer dizer, sou advogado,  e recebi um novo caso pra representar. – Ela assente em entendimento. – Eu nunca trairia meu marido. -Acrescento não sei porque.

- Duas informações que eu adoraria que você me falasse mais sobre, caso queira. Você é advogado e é casado. – Ela esboça um sorriso gentil. – voce quer me contar mais sobre uma dessas coisas?

- Meu marido é incrível para mim, não tenho nada a falar dele. É meu serviço que me estressa.

- Certo. E esse novo caso?

- É que é um pouco complicado. Não sei se vou dar conta e isso tem me frustrado.
– Escondo parte da verdade. Não me sinto a vontade para falar diretamente de Louis.

- Você já perdeu causas antes Harry? -Anna pergunta e eu enrugo a testa tentando compreender o objetivo da sua pergunta.

- Já. Algumas. – Respondo desconfiado.

- E como foi?

- Não é legal, mas faz parte da profissão, embora a prática tem melhorado minhas habilidades e isso tem sido mais raro de acontecer. – balancei os ombros.

- E por que esse caso específico te frustraria em caso de um resultado negativo para sua parte?

- Porque... porque... – suspiro – não sei. – respondo de cabeça baixa e Anna apenas assente e anota algo.

A conversa muda de rumo e ela me questiona sobre as outra áreas da minha vida. Contos sobre minha infância com meus pais, falo de Gemma, meus avós.  Pulo a parte desastrosa do tempo em que vivi em Doncaster, e falo um pouco sobre a faculdade.  Tudo superficialmente até que minha hora se encerra.

Me despeço já deixando um próxima consulta agendada para a próxima semana.
Não sei onde isso vai dar ou se vai dar em algo,  mas preciso aprender a me controlar. Não posso perder meu emprego e muito menos Zayn. Não por causa de um pequeno contratempo de ter que defender um ex que me traiu. O caso de Louis será por pouco tempo, o resto da minha vida é permanente, preciso cuidar do que realmente é importante.

Confiar de novoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora