⚖️
Louis Tomlinson
Duas horas nunca pareceram durar tanto tempo.
Em todo o tempo em que fiquei na prisão as horas se arrastavam através dos dias, era fácil perder a noção de tempo. Meses pareceram anos.
Em vários momentos eu acreditei que tinha perdido toda a sanidade de vez. Os pesadelos que frequentemente me atormentam a noite começaram a se fundir com a realidade, e por várias vezes, quando um dos detentos resolviam me “castigar”, era o rosto de Adam que eu via sobre meu corpo.
Não era incomum ser surpreendido no meio do dia, por um grupinho de machões que se auto intitulavam homofóbicos- eles achavam que era motivo de orgulho- e todo o resto, inclusive os guardas, fingiam não ver quando eles me socavam e me chutavam na barriga, nas costas, lugares que eu poderia esconder com as roupas, eles diziam.
Não sei quem foi que contou sobre qual crime me colocou naquele lugar mas na cadeia, nenhum segredo é segredo por muito tempo, e todos sempre sabem o que levou um novo detento àquela adorável hospedagem.
Aquele grupo de quatro homens sabiam o porquê eu estava ali, e a justificativa para me encher de porrada não era o homicídio, já que um deles estava lá pela mesma razão, mas era a homossexualidade. Convenientemente, eram tão homofóbicos que em um dia decidiram que a melhor forma de me “punir” era justamente praticar aquilo que eles diziam ser repulsivo: resolveram que se revezariam para fazer sexo comigo. Contra minha vontade, é claro.
O rosto de Adam nunca foi tão vívido como naquele dia. Ele estava lá, ele era cada um deles. Quatro rostos, todos de Adam. E foi como se o vento soprasse um resquício de realidade ao mesmo tempo que minha mente viajou para a noite em que flagrei o maldito abusando da minha pequena Bella. Meu corpo de repente ganhou uma força que só pode ser explicado pela descarga de adrenalina.
Aquele foi o dia em que eu consegui me defender. Se eles quisessem me bater por odiar minha sexualidade, ok, mas estupro? Definitivamente não. Claro que eu ainda assim perdi aquela luta, afinal eles eram quatro, e aquilo me rendeu hematomas pelo rosto, diferente do que eles sempre deixavam pelo meu tronco.
Para minha sorte, Harry foi me visitar naquele dia. Ele não perguntou nada, mas eu vi que ele não conseguia desviar os olhos dos roxos nas minhas têmporas e maxilar, ou do corte no meu lábio superior. Ele como advogado deve ser sedento por processos.
Advogados tem disso, tudo cabe um processo. Ele deve ter ficado tentado a me convencer a processar alguém a respeito dos hematomas. Talvez ele receberia mais, se somasse um processo ao meu caso. Mas quem eu processaria? Os caras que já estavam cumprindo anos de condenação? Os guardas que faziam vista grossa? Enfim, Harry deve ter feito essas mesmas perguntas e decidiu que nem ao menos valeria a pena me perguntar o que tinha acontecido.
Não que eu quisesse que ele perguntasse também.
Do mais, devo admitir que Harry é um bom advogado. Mas eu já esperava por isso. No entanto, ele se superou quando conseguiu que o juiz me concedesse a prisão domiciliar. Admito que fui um babaca com ele no início e que não tinha mesmo nenhuma intenção de revelar a verdade sobre a morte de Adam.
Veja bem, eu sei que machuquei Harry quando éramos jovens, por esse motivo sei que não mereço o mínimo de atenção ou dedicação por parte dele. Acreditei que se eu o ignorasse ele desistiria de perder tempo comigo. Mas aquele homem é insistente.
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Confiar de novo
FanfictionDepois de anos, Harry reencontra sua maior decepção adolescente. Como advogado, ele terá que assumir o caso de um antigo amor. Lidar com os sentimentos que há muito jurava não existir mais e separar passado e presente pode ser mais difícil do que pa...
