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Cinco segundos e a porta é aberta.
Me obrigo a soltar o folego preso em meus pulmões. Não sei o que vou dizer. Não sei se ele vai querer me ouvir, não sei nem porquê eu aceitei vir até aqui.
Louis me encara de cenho franzido e eu tento dar um sorriso mas não tenho certeza se meu rosto me obedeceu.
- Alguma novidade do caso? Marcaram o julgamento? - Louis pergunta rapidamente.
- Não, você sabe, só vão marcar quando terminar a avaliação psicológica da Bella. – Respondo baixinho.
Estar perto de Louis é sempre tenso. Toda minha musculatura tensiona a pondo de causar dor. É como se eu estivesse controlando meu corpo para não realizar nenhum movimento involuntariamente do qual vou me arrepender depois, e estou usando toda minha forca para isso.
Ele assente à minha resposta e abre mais a porta, caminha para a cama onde se senta. Não consigo controlar meu olhos a tempo, antes que eles percorram o corpo de Louis, de costas, enquanto ele anda. O fato de ele estar usando apenas uma calça de moletom azul escura, deixando todo seu torso nu me exige uma certa necessidade de respirar fundo (mais uma vez) antes de adentrar o quarto atrás dele.
Malditos hormônios adolescentes que não vão embora.
- Então... – Ele diz fazendo um gesto com a mão sugerindo que eu fale algo.
E eu nem ao menos sei o que falar.
- Sua mãe me pediu para vir. – Opto pela verdade, já que não pensei em mais nada.
Maldita impulsividade adolescente.
Louis assente, mas meus olhos parecem captar uma leve expressão de decepção no rosto dele. Ou não. Eu nunca fui bom em decifrar o Louis.
- Ela disse que você não quer sair o quarto e mal está comendo. – me dou a liberdade (que eu tirei não sei de onde) de me sentar na beirada da cama quase de frente para ele. – Louis, você está em casa, aproveite isso.
- Eu estou bem Harry. – A voz de Louis é baixa, quase como se estivesse envergonhado, e ele não sobe olhar em nenhum momento, permanecendo encarando suas próprias mãos em seu colo.
- Elas sentiram sua falta. A Isabella queria tanto estar com você. – Respiro fundo ao que vejo Louis engolir em seco. – Eu sei que não deve estar sendo fácil, mas agora você está tendo a oportunidade de estar com as pessoas que ama Louis.
- Eu... – Louis gagueja. Leva alguns segundos até que ele consiga falar novamente e eu espero pacientemente. – Eu matei uma pessoa Harry. – Louis diz e consigo sentir sua voz transbordando em vergonha e culpa. Sinto isso tão fortemente que chega a ser doloroso em mim. – Independente do resultado desse julgamento, as coisas nunca vão voltar a ser como antes.
- Não. Não vão. E ainda bem não é. – Por um impulso de empatia, levo minha mão até o joelho de Louis deixando um aperto leve. Ele me olha em surpresa e isso faz meu coração acelerar. Engulo em seco antes de continuar e por alguma razão, não consigo tirar minha mão que permanece acariciando o joelho dele. É como se houvesse uma força magnética que me prendesse, é como eu disse, meu corpo parece querer agir por conta própria perto dele. – Eu assisti o depoimento da Lottie, li o da sua mãe, e eu falei com Liam, seu amigo. Lou – O apelido me escapa, mas nessas alturas parece que eu já perdi completamente o controle sobre minhas ações. – O Adam era um imbecil, ele agredia você, te machucava, machucou a Bella, por que você iria querer que as coisas voltassem a ser como antes?
Não sei se por gratidão ao meu apoio, ou pela vulnerabilidade em que ele se encontra, mas Louis segura minha mão que ainda repousava em seu joelho. Me ajeito na cama ficando um pouco mais de frente para ele que recosta na cabeceira com as pernas dobradas. Ele brinca com meus dedos e não há nada em mim que queira pará-lo.
Não há passado. Não há Zayn. Não há um crime. Nada.
Nesse momento é como se não existisse nada além de nós dois em um quarto.
Entrelaçados nos dedos e a expressão de Louis exalando dor. É quase palpável e eu a posso sentir no fundo do meu estômago.
- Eu sempre serei o cara que matou o marido agora Harry. – Louis quebra o silêncio ao mesmo tempo em que solta minha mão.
A falta do calor de sua mão na minha é quase incômoda, isso faz com que eu me ajeite no meu lugar, recolhendo minhas mãos e tentando aquecelas de alguma outra forma.
- Lou. – maldito apelido. – Eu não estou tentando justificar nada. Você cometeu um crime, um dos pesados, mas eu acredito que você fez o que qualquer pessoa no seu lugar faria.
- Você faria? – Louis olha em meus olhos e eu sinto o impulso de desviar o olhar, mas não faço.
Seus olhos azuis como um mar congelante parece ser capaz de enxergar minha alma. Sempre que Louis me encara me sinto exposto, me sinto nu e do avesso para ele. O que é até irritante já que eu não consigo ver nada através dos seus olhos. Um dia eu pensei que o enxergava mas eu estava errado.
E é nesse ímpeto de recordação daquele dia que me destruiu, o dia que nunca saiu de minha mente, o dia em que eu deixei Louis chorando no chão e virei as costas para ele, para sempre, é nesse momento em que minha mente gira, as lembranças me atacam com força total, a dor em meu corpo agora é realmente existente. Como se eu estivesse sendo possuido por algo, alguém, ou apenas, trazendo a tona o Harry do passado que quebrou cada porta retrato e rasgou cada foto antes de enfiar as roupas em uma mala e ir embora. É nesse sutto de consciência em que me levanto e apenas respondo rápido antes de sair:
- Para começar, eu não teria me casado com alguém pelo dinheiro dele.
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Confiar de novo
Fiksi PenggemarDepois de anos, Harry reencontra sua maior decepção adolescente. Como advogado, ele terá que assumir o caso de um antigo amor. Lidar com os sentimentos que há muito jurava não existir mais e separar passado e presente pode ser mais difícil do que pa...
