Ohana
Luz.
Estava bem mais claro do que eu podia esperar do meio da noite. Era possível notar isso ainda de olhos fechados. Abri-os preguiçosamente, apenas para constatar, para minha total surpresa, que já havia amanhecido, embora minha percepção julgasse não haver passado nem uma hora desde o momento em que adormeci.
Pisquei algumas vezes. Um mormaço tímido penetrava o quarto pela fresta da cortina aberta, diretamente no meu olho esquerdo. Virei de lado de forma brusca, sem pensar onde estava ou que horas deviam ser.
Ao meu lado dormia um homem de bruços, com o rosto virado para o outro lado, aparentemente nu até onde o lençol o cobria. A razão veio me tomando aos poucos.
- Que porra...
Meu coração batia descompassadamente. Eu não estava entendendo nada, e olhei em volta tentando me localizar.
Aquele quarto também não era o quarto que eu esperava encontrar naquela manhã, simplesmente porque não era o mesmo quarto em que eu havia dormido. Não era a suite da casa dos pais de Larissa. Mas eu conhecia aquele lugar.
Era um lugar com paredes encardidas, sujas. Precisavam de uma pintura. Ao meu lado, uma tv quebrada, algumas roupas em cima dela. O "quarto" em questão dividia o espaço com uma cozinha através de uma bancada. Havia apenas uma lâmpada que pendia do teto, sem lustre. Minhas malas estavam espalhadas pelo chão, na parede à direita, e como um estalo dentro de mim, consegui me localizar.
O apartamento. O apartamento que eu morava. Não era a casa de Larissa, nem de seus pais. Também não era a casa de Talia. Era o lugar para o qual eu havia ido entre esses dois momentos.
Desespero.
Cocei os olhos, tentando enxergar melhor. Tudo parecia muito embaçado. O homem desconhecido ainda estava de bruços no sofá-cama, olhando para mim como quem olha para qualquer animal de circo.
- Não.
Falei em voz alta. Uma vez, duas vezes, repetidas vezes.
- Não, não... Isso não...
Senti falta de ar. Uma dor angustiante comprimiu meu peito como se quisesse esmagá-lo.
- NÃO! NÃO FOI UM SONHO, PORRA!
Mais falta de ar. Meu corpo começou a tremer descontroladamente, de forma ridícula, tentando se manter de pé.
Alcancei o celular e busquei ali o número dela, tentando lutar contra o tremor e apertar as teclas certas.
Não estava lá.
- Por favor, não...
Chorei de desespero. Olhei para os lados, sem saber o que fazer.
Aquilo não podia estar acontecendo.
- Uma puta escandalosa. Escolhi a dedo.
O homem falou consigo mesmo, e senti um baque no estômago. Encostei na parede tentando respirar. Minha garganta parecia fechada. Ao lado do sofá, duas garrafas de alguma coisa alcoólica e notas de dinheiro.
- Pelo amor de... - Eu falava sozinha. Não sabia se gritava ou implorava. A luta contra o pânico que já me dominava estava chegando ao fim.
Olhei para minha mão direita.
Não havia anel algum ali.
Como um surto de loucura, me belisquei. Bati, arranhei e soquei cada pedaço de pele que podia lembrar, desesperada para provar a mim mesma que aquilo era um pesadelo.
VOCÊ ESTÁ LENDO
My Dear Whore - Ohanitta
RomanceLarissa G!p (+18) Larissa Machado diretora de umas das empresas de publicidade da sua família, tudo que se limitava fazer era assinar alguns papéis. Com toda esperança de uma relação amorosa Real perdida, não demorou até se render ao álcool e as mul...
