PRÓLOGO|MELANIE CARTER

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LOS ANGELES, CALIFÓRNIA, 2020.

Pessoas apaixonadas fazem coisas estúpidas.

Meu corpo conta uma história e... acontece que ela é estúpida.

Eu sou estúpida.

Levanto um pouco o meu braço e a primeira coisa que meus dedos trêmulos tocam é uma nota no piano que há uma hora chorava uma melodia triste que expressava profundamente meu estado de espírito.

Minha pele está quente, está queimando em cada centímetro nu do meu corpo preso ao piso gelado. Eu poderia ter me levantado há alguns minutos, mas, eu não tinha mais forças para fazer isso. Eu não queria fazer isso.

De alguma forma, meu corpo entendia que era ali o lugar ao qual pertencia. À poeira. À degradação e à violência.

— Deveria se levantar, está frio.

Qualquer pessoa que o ouvisse diria que estava preocupado. Mas, tão fria quanto aquele dia estava sua voz. O calor que uma vez ouvi e vi nele havia desaparecido, tomando seu lugar a frieza e a crueldade.

Eu tentei, mas, a dor endossou minha fraqueza. Àquela altura estava óbvio. Eu era menos que nada.

— Você é patética — disse quando sua voz finalmente assumiu um tom divertido. Eu o olhei de baixo, na posição inferior em que fui submetida e ele sorriu largamente.

Seu sorriso ainda era bonito, mas, seus olhos agora eram impiedosos.

Oliver ajusta a gravata e se afasta em direção à porta, abrindo-a. Antes que ele esteja completamente fora do nosso apartamento, se vira para mim. Sua expressão me deixa triste porque é como se, de todas as formas possíveis, eu o tivesse decepcionado.

Outra nota soa no piano quando tento me levantar. O banco está do outro lado da nossa sala e um vaso se quebrou ao cair da mesa no canto do piano. Toda ação tem uma reação, mas, infelizmente, eu não tinha nenhuma.

Engoli o choro e me levantei. Minhas roupas estavam espalhadas pela sala também. Seu sêmen escorria pelas minhas coxas como testemunha da culpa e da vergonha que se espalharam por mim enquanto caminhava para o nosso quarto.

Estava enjoada. Antes que alcançasse o banheiro, o vômito quente, amargo e ácido chegou a minha garganta e eu vomitei ali mesmo, no tapete. De joelhos, na sujeira, eu contemplei os tons de vermelho, roxo e verde que se espalhavam sobre o meu corpo.

A ânsia retornou.

Estava enojada. Dele. De mim.

Por que eu estava casada com um monstro? Por que eu disse sim para um homem que me destrói?

Porque o amor é uma droga.

Quando conhecemos o amor, nada mais existe, ele é como uma névoa tampando nossa visão de quem de fato são as pessoas e de como são as coisas. Dizem que o amor é como mágica.

Mas, na verdade o amor é um truque. Ilusionista. Enganador.

Eu esfrego minha pele com toda a força que tenho. Os hematomas doem e a lembrança de como eles foram parar ali imediatamente invadem minha cabeça. Eu acho que não tenho mais lágrimas porque não posso mais chorar.

Eu não posso gritar.

Eu não tenho mais voz.

E, se tivesse, quem iria ouvi-la?

Obrigada por chegar até aqui. Saiba que vocês moram no meu coração❤

Amores Texanos 01 - Grant & MelanieOnde histórias criam vida. Descubra agora