Los Angeles, 1996
Faltando uma semana para seu casamento com Jason Carver, Chrissy Cunningham está receosa se está tomando a decisão certa e decide revisitar o passado.
Um passado com um nome, toque e cheiro que ela conhece bem e não vê há 10 anos:...
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O telefone tocou de novo, mais uma, duas, três vezes em menos de 10 minutos, ela escondeu o rosto embaixo do travesseiro, se balançando na cama de desespero só de sentir a pressão vindo da mãe, sem acreditar que vai ter que voltar para a vida dela amanhã cedo, cada vez mais com vontade de agir como uma adolescente e fugir pra longe dela como deveria ter fugido faz tempo.
O telefone tocou pela quarta vez, já se preparando psicologicamente para enfrentar a mãe no telefone porque sabe que se não atender Laura vai a atormentar a noite toda, Chrissy não aguentou, levantou raivosa, tremendo, pegou o telefone, atendeu, nem ao menos disse alô, só deixou a recepcionista falar.
- Senhorita, Cunningham? - a recepcionista falou no telefone - Perdoe a insistência, você tem visita. Eddie Munson está aqui embaixo e disse que quer vê-la. Você pode descer?
O coração de Chrissy Cunningham parou por alguns milésimos de segundo, e então acelerou com força, como um carro de corrida arrancando e destruindo tudo por onde passa.
O ar faltou, respirou tão pesado para buscar fôlego no fundo do peito ao ponto de sentir dor.
Paralisada, sem piscar, as mãos trêmulas quase derrubaram o telefone porque perderam a força.
- Desculpa, o que disse? - Chrissy perguntou, respirando fundo a cada palavra, quase sem voz, porque o coração engole tudo. Acha que está delirando, quer confirmar que ouviu certo e não inventou isso na cabeça dela.
- Que a senhorita tem visita, Eddie Munson está aqui embaixo esperando na recepção. Você me confirma se pode descer?
Paralisou de novo, engoliu em seco, o coração tão rápido que ela tem medo de levantar da cama e cair no chão, nunca sentiu os batimentos tão violentos assim, ao ponto do coração errar as batidas e machucar de surpresa, choque, nervosismo, ansiedade, muita coisa ao mesmo tempo.
- C-certo - gaguejou - Pode avisar que já estou descendo.
Ela só soltou o telefone, que caiu nas pernas dela, pendurado no chão, tão paralisada que nem conseguiu devolver para o gancho.
- O que...o que ele tá fazendo aqui? - Chrissy tentou respirar fundo, não consegue, só a ideia de pensar em descer da cama já faz os joelhos tremerem mais, ela não sabe se tem força para pisar no chão. Se tem força para ver Eddie. Nervosa, é uma ansiedade de saber que vai ver ele, daquela que treme e gela o estômago, mas ao mesmo tempo acelera o coração.
A última vez que ela se sentiu tão nervosa assim foi naquele primeiro show há quase três dias atrás, quando o viu pela primeira vez depois de dez anos. Mas agora é diferente, porque Chrissy não consegue achar absolutamente nenhum motivo que o faria vir até aqui.
A incerteza a deixa mais nervosa porque ela nunca sabe como reagir perto dele.
- Ok, calma - tentou respirar, não consegue. Pisou pra fora da cama com os joelhos e as panturrilhas trêmulas. Esse é o efeito que ele causa nela, uma enorme bagunça de tantos sentimentos e mágoa misturados, mas que de alguma forma não a deixar ficar longe dele tanto quanto ela gostaria.