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Michael passou a noite comigo.

Como eu fui dormir e esquecer de chamar Jack para tirá-lo do meu quarto? Caramba, era tão difícil assim ficar acordado?

Assim que eu acordei e me deparei com a luz do sol me desesperei totalmente, o que eu diria para Jack?

— Droga, droga, droga... — Eu ficava repetindo aquilo enquanto saía da cama e tentava pensar numa desculpa para Michael ter dormido no meu quarto.

Qualquer coisa que eu contasse Jack iria ficar furioso e acharia que nós fizemos o que nós realmente fizemos, ou seja, nos beijar e tal...

Talvez ele até pense mais coisas.

Olhei as horas no celular e eram oito da manhã. Obrigado Deus!

Depois de um tempo tentando acordar Michael ele finalmente abriu os olhos.

— O que foi loirinho? Me deixa dormir. — Voz mais rouca que o normal Deus me ajude.

— Você precisa ir embora antes que o Jack acorde e os meus pais cheguem, anda. — O puxei pelos braço para ele de levantar mas não adiantou nada, no máximo um centímetro de seu corpo saiu da cama.

— Você tá com medo? É só falar que eu vim aqui pra conversar com você porque você estava sozinho aí quando você viu eu já estava dormindo. O Jack sabe que eu te defendo o tempo todo e não gosto de quando você tá trancado no seu quarto, ele vai entender. — Ele fechou os olhos novamente.

— Mas eu acho melhor você ir. Por favor?

— Porra tá muito cedo, tá fazendo frio e eu tô morrendo de sono então deita aí e dorme Luke, mas que droga. Eu já disse que o Jack vai entender. — Bufou.

— Então tá, quando ele me matar por sua culpa... — Me deitei ao seu lado e ele se virou, pegou minha mão e a colocou em sua cintura — Michael...

— Para de relutar pelo menos um pouco loirinho. Sabia que se nós ficarmos abraçados o frio fica bem menor?

— Eu sei, mas eu não quero. — Mesmo assim continuei com a mão em sua cintura quando ele envolveu o braço na minha.

— Você quer sim.

Resolvi não protestar mais. A porta estava trancada então ninguém veria aquela cena mesmo.

Me encolhi e ele me apertou mais ainda em seus braços, beijando meus cabelos logo depois.

Por mais que eu ache isso errado, é tão boa a sensação de estar abraçado a ele. Eu sou tão pequeno comparado a ele então é como se ele me protegesse, sabe?

Apesar de Michael ser um cretino as vezes eu acho que gosto dele. Por mais que eu ache que ele não gosta de mim, não assim. Ele só faz isso para se divertir, é bem a cara dele.

Fora com esses pensamentos que eu acabei caindo no sono.

- - -

Depois de acordarmos e escovarmos os dentes — eu tinha uma escova extra, ufa — nós nos deitamos novamente e ficamos olhando um para o outro.

— Você é lindo, sabia loirinho? — Michael falou e sorriu quando eu corei.

Me aproximei ainda mais dele, coloquei uma das mãos em sua bochecha e selei nossos lábios.

Por mais errado que eu esteja eu precisava daquilo. Aquele "eu odiei seu beijo" foi a mais completa mentira, eu não conseguia tirá-lo da minha cabeça e queria mais, muito mais. Talvez por que tenha sido meu primeiro beijo de verdade ou porque seus lábios parecem uma droga que eu odeio e amo estar viciado.

A segunda opção parece mais certa.

— Eu sabia que você tinha gostado. — Ele sorriu de lado e eu me afastei.

— Você precisa ir agora. — Me levantei para abrir a porta e o garoto revirou os olhos.

— Vai ser sempre assim? Sempre que nos beijarmos você vai fugir? Lembra que agora mesmo foi você que decidiu me beijar?

— Foi um erro. — Continuei com a mão na maçaneta e olhei para o chão — Michael, o que nós somos?

— Eu não sei, quando você descobrir me avisa. — Ele começou a calçar seus coturnos e nós ficamos em silêncio até ele se pronunciar novamente quando estava saindo do quarto — Se eu encontrar o Jack vou dizer pra ele aquela coisa lá, ok? — E bateu a porta.

Fiquei sentado em minha cama pensando.

O que nós somos?

Michael é amigo do meu irmão mas pode beijá-lo quando quiser. Mas ele também me beija, apesar de nem sermos amigos ou algo do tipo.

Nós apenas nos beijamos de vez em quando, tipo, até agora foram três ou quatro.

Eu acho que não somos nada, tipo, nada mesmo.

Só duas pessoas que se beijam sem compromisso nenhum, não é?

No fundo mas bem no fundo mesmo eu confesso que queria ser mais que isso. Talvez se ele não tivesse mais essa "amizade com benefícios" com Jack eu não ficaria tão relutante em relação a ele.

Mas ainda continuo achando que ele só faz isso por diversão, ficar comigo e com Jack é só para passar o tempo, não tem sentimento envolvido.

Mas e se tiver? Por quem sãos os sentimentos? Por mim ou pelo meu irmão?

Isso confunde totalmente a minha cabeça.

Resolvi descer para a sala e minha mãe estava no sofá assistindo algum programa de culinária em um daqueles canais de mulher.

— Bom dia mãe. — Me sentei ao seu lado.

— Bom dia filho. Tem café pronto na cozinha se você quiser.

— Cadê o papai?

— Como se você não soubesse, ele está dormindo até agora. — Ela riu levemente.

— Talvez porque ele passou a noite fora, mas só uma sugestão mesmo, sabe?

— Eu também passei e estou aqui, e aí?

— A senhora é diferente. — Dei de ombros.

Depois de um tempo tomei coragem para perguntar algo:

— Mãe, eu... Eu posso colocar um piercing? — Perguntei quase inaudível e com a cabeça baixa.

— Por que você quer colocar um piercing?

— Eu sei lá, acho que seria legal ter um.

— Isso é porque você quer que alguém goste de você? Por que se for isso você não precisa mudar meu amor, alguém vai gostar de você pelo que você é. — Ela acariciou meus cabelos.

— O que? Não mãe! De onde você tirou isso?

— É de um livro que eu estou lendo sobre como educar os filhos.

— A senhora lê essas coisas?

— Não me julgue se eu quero educar melhor os meus filhos!

— Então... Voltando ao piercing... Eu posso?

— Por mim você pode, falta perguntar pro seu pai.

— Você pode fazer isso por mim? — Fiz um bico e pisquei os olhos exageradamente — Por favor?

— Não faz essa carinha que eu não aguento e te chamo de meu bebezinho.

— Não! — Desfiz aquela cara imediatamente e ela riu.

— Eu pergunto sim, e ainda convenço ele a aceitar.

— Obrigado, você é a melhor mãe do mundo. — Sorri.

— Eu mereço um abraço? — Ela abriu os braços e eu a abracei rapidamente — Esse abraço foi muito rápido pro meu gosto mas eu vou deixar essa passar.

my brother's friend ♢ mukeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora