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Cheguei da escola e como sempre fui assistir TV. Jack havia ido comprar algo para comermos e eu estava o esperando quando ouvi a campainha tocar, mas não poderia ser ele, ele havia acabado de sair.

— Já vai! — Gritei me levantando preguiçosamente do sofá, quando abri a porta quis fechá-la novamente e fingir que nada havia acontecido — O que foi Michael?

— O Jack tá aí? — Ele entrou sem nem pedir licença e se sentou no sofá, eu o segui e sentei no outro.

— Não, ele saiu. Quer que eu deixe recado? — Falei sarcástico mas ele não pareceu se importar.

— Não, eu vou esperar ele chegar.

— Você não trabalha?

— Não, por que? — Ele olhou para mim mas eu continuei assistindo o que passava na TV.

— Você sempre vem aqui, e nunca é numa hora exata.

— Amigos fazem isso.

— Amigos com benefícios? — Ele riu.

— Também. E aí loirinho, tá pegando muita menininha na escola? — O que foi que ele disse?

— Mas o que? Eu que não. — Olhei para ele e percebi que ele estava usando aquele lápis de olho de novo, aquilo não é para garotas?

— Por que? Não é popular com as meninas na escola?

— Não, e não me importo já que não gosto de meninas. — Por que eu estou dizendo isso a ele?

— Bom saber disso. — Ele sorriu de lado e eu quis dar um soco em sua cara — Quero dizer, interessante...

— Por que?

— Nada, é só interessante você já saber disso tão novinho. — Deu de ombros.

— Eu tenho dezesseis!

— Sério? Achei que tinha quatorze, foi mal. — Ele riu e eu bufei, cadê o Jack numa hora dessas pra calar a boca desse cara com a própria boca? — E por acaso você já beijou algum garoto?

— Por que você está me perguntando isso?

— Só curiosidade. — Michael é muito estranho, o que ele está fazendo? Flertando comigo? Sendo curioso? E por que ele flertaria comigo? Eu sou um garoto de 16 anos que é a versão mais nova e espinhenta do meu irmão. Sério, eu sou a cópia de Jack.

Espera, eu estou desviando totalmente os meus pensamentos.

— Mas não, nunca beijei um garoto. — De novo, por que estou dizendo isso a ele?

— Então você é bv?

— Eu já dei um selinho em minha prima aos onze, mas só isso. — Dei de ombros e desviei o olhar.

Graças a Deus uns cinco minutos depois Jack apareceu. Mas para acabar com tudo, Michael o recebeu com um selinho, fala sério!

Jack havia trago alguns salgadinhos e enquanto eu comia em silêncio eles não calavam a boca.

— Você ficou com alguém depois daquele dia? — Meu irmão perguntou para Michael, eu quase consegui vê-lo revirar os olhos.

— Não. — Tenho certeza de que era mentira.

Me levantei do sofá para ir até meu quarto pegar meu celular, consegui sentir o olhar de Michael me seguindo até o fim das escadas.

Quando eu estava pegando o celular da mesa, ouvi a porta se abrir. Não me importei já que poderia ser Jack, mas Jack nunca me pegaria por trás como a pessoa fez. Dei um pulo pelo susto e ouvi uma risada baixa em meu ouvido, Michael é mesmo um filho da mãe.

— O-o que v-você quer?

— Relaxa loirinho, eu não quero nada demais. — Ele me virou, logo depois me prensando contra a parede, clichê demais pro meu gosto, mas não era hora de pensar nisso — Eu pensei bem naquilo de você ser bv e-

— Eu não sou bv. — O interrompi e tentei me soltar, mas ele estava segurando meus pulsos.

— Selinho de prima não conta Luke. Você já tem dezesseis anos, já tá na hora de saber como é um beijo de verdade, não acha? — Ele começou a se aproximar e eu tentei me afastar, mas não consegui. No fundo eu queria me entregar a ele, mas não iria aceitar isso.

— Não.

— Pois eu acho sim, e como você é tímido demais pra conseguir isso sozinho, eu acho que posso te ajudar. — Ele fechou olhos e roçou nossos narizes, eu permaneci de olhos abertos quanto ele colou nossos lábios. Mas a resistência não durou muito tempo, logo eu fechei os olhos e abri a boca para aprofundar o beijo. Michael soltou meus pulsos e involuntariamente coloquei minhas mãos em seus ombros, ele levou as dele até minha cintura, me puxando para mais perto. Eu nunca me senti tão nervoso e ao mesmo tempo tão leve, o tempo parecia ter parado e mesmo relutando, eu não queria que aquilo acabasse. Mesmo o beijo sendo lento, uma hora tivemos que parar, Michael estava sorrindo maliciosamente e quando me toquei do que havia acabado de fazer o empurrei e saí do quarto, o deixando sozinho. Sem pensar, levei minha mão até meus lábios e dei um leve sorriso, apesar de tudo o beijo havia sido maravilhoso.

— Eu me odeio. — Falei e desci as escadas apressadamente, droga, havia me esquecido do celular, mas não me arriscaria de novo.

— Cadê o Mike? Ele disse que queria ir no banheiro mas até agora ele não voltou. — Jack me questionou assim que me sentei novamente no sofá.

— Vai ver aqueles salgadinhos não fizeram bem a ele. — Falei tentando não olhar para Jack. Eu acho que ele gosta de Michael, só que o sentimento não é correspondido e o mais velho meio que se aproveita dessa amizade colorida que eles tem para beijar meu irmão quando ele tem vontade. Mas Jack com certeza leva isso mais a sério, eu consigo ver isso.

Me sinto mal por ter me entregado tão facilmente assim a Michael, mas eu não consegui resistir. Seus olhos intensos, seus lábios implorando para tocarem os meus, eu simplesmente não consegui.

Eu odeio o fato de ele ser tão atraente e eu ser tão idiota.

my brother's friend ♢ mukeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora