Dois anos depois
Depois que eu finalmente terminei a escola Michael estava decidido de que nós iriamos fugir, assim como ele sempre quis.
Bom, na verdade, nós não fugimos, exatamente. Como eu não tinha ideia alguma de que faculdade fazer depois do ensino médio e como ele estava de férias de seu emprego, nós dois resolvemos viajar para descansarmos juntos.
E apesar de termos 18 e 22 anos, nossos pais tiveram que aprovar essa viagem até porque eles pagaram uma parte dela. Apesar de minha mãe relutar muito para me deixar viajar com alguém que não fosse ela, lá estávamos eu e Michael num hotel em Bali.
— Luke, bora pra piscina! — O de cabelos azuis de repente saiu do banheiro anexado ao quarto com uma bermuda, uma toalha no ombro e... um chapéu de palha na cabeça.
— Que chapéu é esse? — Arqueei uma sobrancelha, tentando segurar o riso.
— Eles estavam vendendo então eu resolvi comprar, não ficou lindo em mim? — Deu um sorriso de lado e piscou. Eu não resisti, acabei dando uma risada exagerada, como se aquela fosse a coisa mais engraçada do mundo. — Mas sério, eu não posso pegar sol porque fico todo vermelho, e esse chapéu pode me ajudar com isso, entendeu?
— Você já ouviu falar em protetor solar?
— Já, inclusive você vai passar pra mim quando estivermos lá fora. — Ele pegou o protetor que estava em cima do criado mudo ao lado da cama de casal. — Agora vamos, por favooor! — Ele juntou as mãos como se estivesse me implorando.
— Tudo bem, eu só vou responder as mensagens do Jack. — Voltei minha atenção ao meu celular, desbloqueando-o.
— Jack? O que ele quer com você logo agora?
— É isso o que eu vou descobrir. Mas pode ir na frente, daqui a pouco eu estou lá com você na piscina.
E Michael o fez, saiu do quarto e seguiu para a piscina do hotel, me deixando sozinho ali. Fui até as mensagens e cliquei na mais recente, que era de um dos meus irmãos mais velhos.
jack: eu tô namorando
Arregalei os olhos e não soube como reagir e responder a ele. Jack parecia ser uma daquelas pessoas que viveriam e morreriam solteiras, mas acho que eu estava enganado.
Demorou um pouco, mas meu irmão finalmente superou Michael e parou de implicar comigo, ele não mandava mais indiretas e não dava mais em cima de meu namorado, já que logo arranjou um novo ficante.
Na verdade, novos e novas ficantes.
Tudo havia voltado ao normal, ele ia a festas e chegava tarde em casa, muitas vezes com uma pessoa desconhecida ao seu lado.
you: com quem?
jack: o nome dela é celeste, você não conhece
jack: ela é do meu trabalho
Ah, e finalmente, depois de anos, ele encontrou um emprego. Não era um dos melhores, mas já era um bom começo para alguém que passou seus 22 anos no sofá da casa dos pais.
Trocamos mais algumas mensagens e acabei me lembrando de que Michael ainda me esperava na piscina, me despedi de meu irmão e larguei o celular na cama, tirando minha camisa e ficando apenas de bermuda. Coloquei os chinelos e óculos escuros para me direcionar a porta, passando por um espelho e olhando de soslaio para ele.
Nesses dois anos eu mudei consideravelmente, cresci mais do que qualquer um esperava e acabei ficando mais alto que Michael (o que o deixou irritado no começo, mas agora ele até se aproveita disso), abandonei meu topete e voltei para a franja, permaneci com o piercing no lábio e minha barba finalmente cresceu.
Depois que cresci de forma quase absurda, os amigos de Michael pararam de me tratar como uma criança, e ainda bem. Durante esse tempo alguns deles se afastaram, mas boa parte continuou e passou a apoiar nosso namoro, mesmo que eu ainda fosse o motivo de Michael parar com alguns de seus vícios e maus costumes, como fumar e ir a festas todas as noites.
Ah, e ainda sobre os amigos de Michael, Leo e Ethan acabaram namorando, e estão firmes até hoje.
Finalmente cheguei à piscina do hotel e de longe consegui ver meu namorado devido a aquele chapéu de palha ridículo. Me sentei na cadeira ao seu lado e ele tirou seus óculos escuros.
— Achei que você tinha se esquecido de mim, eu já estava cogitando a ideia de tentar passar protetor solar sozinho.
— Tadinho. Seria muito difícil pra você, não é? — Debochei e peguei o protetor que estava no chão. — Deixa que eu passo, meu amor, não quero que você se sacrifique assim.
Ele se virou para mim e eu coloquei o protetor em minha mão. Enquanto o passava em suas costas comecei a pensar no quanto havíamos mudado desde o primeiro dia em que o conheci, quando Jack o levou para nossa casa.
Michael mudou de cor de cabelo diversas vezes, agora, por exemplo, ele pintou de azul e está com um corte novo, que sinceramente é melhor que o antigo. Mas também não só na aparência, mudamos nosso relacionamento para melhor, passamos a brigar menos, eu não fico mais irritado com coisas idiotas como o fato de metade dos amigos de Michael já terem ficado com ele ou algo do tipo, eu aprendi a me acostumar.
Passamos por várias coisas juntos, inclusive o divórcio de seus pais. Foi um período bem difícil para ele, mas eu sempre tentei estar ao seu lado e apoiá-lo, pois sabia o quão frágil ele poderia ser.
Nossas saídas no meio da madrugada se tornaram cada vez mais frequentes, ainda mais quando ele comprou uma moto nova e mais potente. Tudo bem que eu posso ter dormido em algumas aulas devido a isso, mas ter amigos como Ashton e Calum para me ajudar com a matéria que perdi era uma vantagem que eu tinha.
Ashton e Calum brigaram algumas vezes, se separaram em uma e Hood ganhou o coração do cacheado de volta quando se declarou no meio de todos do refeitório, ele subiu na mesa e tudo, foi o maior mico, mas no final tudo ficou bem novamente.
Dei uma risada com a lembrança de Calum em pé na mesa do refeitório enquanto Ashton, sentado no banco, corava feito um louco.
— Por que você está rindo? — Michael perguntou me tirando de meus devaneios.
— Me lembrei de quando o Calum se declarou para o Ashton no refeitório. — Ele se virou novamente para mim e tomei a liberdade de sair de minha cadeira para me sentar em seu colo, dando um beijo em sua bochecha. — Você teria coragem de fazer aquilo por mim?
— Eu não vi, mas aposto que foi ridículo. — Ele riu. — Apesar de ser ridículo eu obviamente faria isso por você, e adivinha por quê?
— Eu não faço a mínima ideia. — Me fingi de desentendido, um sorriso surgindo em meus lábios.
— Porque eu te amo. — E ele colou nossos lábios, se afastando apenas para dizer: — Muito.
Apesar de tudo o que passamos ainda não consigo acreditar que o amigo do meu irmão se tornou o amor da minha vida.
x x x
eu amo vocês pra caralho, muito obrigada por tudo ♥
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my brother's friend ♢ muke
FanfictionNa qual Luke se vê apaixonado pelo amigo de seu irmão, e odeia isso.
