Michael sempre foi meio estranho, sempre me levando à festas estranhas e me fazendo sair de casa em horários nada convencionais.
Como naquela noite em que ele me mandou uma mensagem às 00:53. Que tipo de pessoa te manda uma mensagem a essa hora sabendo que você está dormindo?
Meu namorado.
michael: tô na porta da sua casa
you: o que??????
you: é quase uma hora da madrugada
you: MICHAEL
Bocejei, me levantei da cama e ainda com o celular na mão, saí do quarto e andei quase cegamente pelas escadas que levavam até a sala.
you: já estou indo
Assim que mandei a mensagem joguei o celular no sofá e fui até a porta da frente, a destrancando e me deparando com um garoto sentado na calçada, de costas para mim.
Vi um pouco de fumaça e franzi o cenho, não conseguia acreditar que além de aparecer em minha casa numa hora como aquela ele ainda estava fumando.
— Mike? — Falei meio receoso, encostando a porta atrás de mim.
— Vem aqui. — Ele respondeu, ainda sem olhar para mim.
O fiz e me sentei ao seu lado, vendo que ele estava mesmo com um cigarro entre seus dedos, o que me incomodou um pouco.
— O que te deu na cabeça pra aparecer aqui a essa hora? — Perguntei e ele riu fraco, sem muito motivo.
— Se lembra de quando eu te falei sobre os meus pais?
— Que eles queriam se separar?
— Sim. — Tragou o cigarro e eu fiz de tudo para parar de pensar no quão sexy ele ficou. — Hoje eu fui visitá-los e meio que do nada eles começaram a brigar, por coisas bobas, sabe? Eles falaram de divórcio bem na minha frente.
Eu não sabia o que dizer, por isso apenas beijei seu ombro e deitei a cabeça no mesmo, levando minha mão à sua coxa para acariciá-la.
— Ver os dois brigando é bem difícil. Por que quando eu era criança nós éramos aquela família que parecia ter saído de um comercial de margarina. — Michael riu de sua própria fala e eu não pude deixar de rir também. — Sério, minha mãe era aquela pessoa que acordava feliz e disposta não importava a hora do dia, que sempre tinha que ajudar o marido a dar o nó na gravata porque ele nunca aprendia, e eu era o queridinho da mamãe por ser filho único. Eu ficava observando meus pais e pensando que quando crescesse queria ter um casamento como o deles, perfeito...
Ele suspirou e ficamos em silêncio, olhando para a rua nada movimentada. Michael apoiou sua cabeça na minha e eu o ouvi sussurrar "eu te amo" de modo quase inaudível.
— Sabe que na primeira vez que eu vi meus pais brigando eu fugi de casa? — Falou de repente. — Eu tinha uns onze anos e nem me lembro mais o motivo de eles estarem brigando, só me lembro de que os dois foram me buscar na porta de uma loja da outra rua. Eu estava sentado na porta da loja chorando igual um idiota e minha mãe me pegou no colo dizendo que estava tudo bem.
— Você e essa sua ideia de fugir desde pequeno...
— Pois é. — Ele jogou o cigarro no chão apenas para pegar outro do maço que estava em seu bolso.
— Para com isso Mike, eu tô falando sério. — Michael me ignorou, pegando um isqueiro de seu bolso para acender o cigarro. Revirei os olhos e me afastei, o observando.
— Eu quero fumar até morrer. — Depois de dizer aquilo e dar uma forte tragada, ele riu e olhou para o chão, parecendo pensar.
Por impulso peguei o cigarro de sua mão e o joguei no outro lado da rua, colocando a mão em seu queixo para erguê-lo e fazer o garoto olhar para mim.
— Hey, para com isso, por favor. — Colei nossos lábios, mas para a minha surpresa ele não retribuiu o beijo e se afastou.
— Luke, eu não estou afim... — Michael desviou o olhar e eu aproximei nossos rostos novamente, colocando as mãos em suas bochechas.
— Para só um pouco de pensar. — Fechei os olhos e sussurrei: — Esquece isso.
Selei nossos lábios novamente e ele finalmente me deixou iniciar um beijo calmo.
Eu realmente queria fazê-lo se esquecer daquilo, eu não gosto de vê-lo dessa maneira e acho que ele só me chamou para desabafar e tentar ajudá-lo, e era o que eu estava tentando fazer.
"É só você ficar comigo." De repente me lembrei de quando ele disse isso na primeira vez que falamos sobre o assunto de seus pais, por isso dei um leve sorriso por entre o beijo e falei baixo:
— Eu te amo.
Michael envolveu os braços em minha cintura, me abraçando e deitando a cabeça em meu ombro.
O abracei de volta e fiquei pensando no quão frágil aquele garoto realmente era, geralmente ele se comporta como um daqueles bad boys de filme que usam jaqueta de couro, andam de moto e fazem suas namoradas fugirem de casa a noite.
No caso namorado.
Mas, apesar disso, ele também tem seu lado sensível e às vezes até fofo. Eu nunca vi Michael falando de algo de modo tão bonitinho quanto naquela hora que ele falou de seus pais, ele parecia sentir falta daquele tempo em que ele era criança e seus pais eram o "casal perfeito".
Tudo o que eu queria fazer era ajudá-lo a pensar que talvez o futuro fosse melhor, que ele não deveria olhar tanto para o passado.
Mesmo que não estivéssemos namorando há muito tempo, eu pensava no nosso futuro juntos.
— Você me acharia louco se eu quisesse sair com você agora? — Ele perguntou, se afastando repentinamente.
— Eu não me surpreendo com mais nada que venha de você, então não. — Sorri. — Eu vou se você me trouxer antes do dia amanhecer, combinado? — Ergui o dedo mindinho em sua frente.
— Combinado. — Michael entrelaçou seu dedo ao meu e beijou minha bochecha, sorrindo abertamente.
— Eu só vou trocar de roupa, não posso sair de pijama.
— Por que não? Suas pernas ficam lindas com esse short.
O dei um leve empurrão e me levantei, indo até minha casa.
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my brother's friend ♢ muke
FanfictionNa qual Luke se vê apaixonado pelo amigo de seu irmão, e odeia isso.
