Os próximos dias da vida de Sofia foram uma mistura estranha de calmaria e agitação. Depois da tempestade em casa, vir morar com Johnny trouxe um tipo de alívio que ela nunca soube que precisava. Sua primeira decisão foi largar o emprego na cafeteria. Finalmente, ela não era mais a responsável por sustentar o casa em que vivia. Podia, enfim, ser uma adolescente normal com tempo para os estudos, para os amigos e finalmente, para o Cobra Kai.
Ela havia prometido a si mesma que assim que conseguisse entraria naquele dojô. Agora não havia mais trabalho ou mãe de ressaca para atrapalhar. Era sua chance. E ela agarrou com tudo.
Naquela tarde, quando entrou no dojô pela primeira vez como aluna, uma mistura de ansiedade e empolgação tomou conta de Sofia. O ambiente carregava uma energia densa, firme, que a fazia se sentir viva. Johnny a recebeu com um aceno curto de cabeça e um discreto sorriso de canto, típico dele.
— Chegando atrasada no primeiro dia. — resmungou, mas o tom não tinha real cobrança.
— Atrasada é quando a aula já começou, e isso aqui não começaria sem mim. — retrucou com um sorriso de canto.
Miguel já estava dentro do dojô, se alongando, quando ouviu a voz dela. Levantou os olhos, e o que viu o fez arregalar os olhos como se estivesse vendo um fantasma.
— Sof? — ele sorriu, surpreso ao vê-la ali. — O que tá fazendo aqui?
— Oi, Diaz. — ela sorriu e se aproximou. — Surpreso de me ver por aqui?
— É sério isso? — ele se levantou, franzindo as sobrancelhas, e olhou em volta como se esperasse que aquilo fosse uma pegadinha. — Você vai treinar aqui também?
— Uhum. Cobra Kai, baby. — fez um gesto dramático com as mãos, imitando um logo invisível. — Chega de servir café e limpar mesas.
— Eu achava que você não iria conseguir vir pro dojô. — Miguel riu, ainda um pouco em choque. — Por conta da sua mãe e tudo mais.
— Muita coisa mudou. — respondeu com simplicidade, mas seu tom carregava algo mais profundo.
— Vocês dois vieram aqui pra lutar karatê ou ficar de conversinha? — antes que ele pudesse comentar mais alguma coisa, Johnny passou por trás deles e lançou um olhar impaciente.
— Foi mal, pai. — Miguel se encolheu levemente, enquanto Sofia ergueu uma sobrancelha, desafiadora. — A gente já vai treinar.
— Espera. — o garoto congelou. — Você chamou ele de quê?
— Pai. — Sofia soltou uma gargalhada com a expressão dele. — Longa história.
— Como assim longa história? Desde quando você chama o Johnny de pai?
— Desde que eu fui morar com ele. — deu de ombros. — Me mudei essa semana. Problemas com minha mãe e irmão, enfim, tô vivendo um spin-off familiar agora. Depois eu te conto direito. — deu uma piscada.
— Quietos! — Johnny exclamou. — Chega de papo furado, vocês dois pro tatame, agora!
Os dois se entreolharam, rindo ainda enquanto corriam para a formação. Sofia claramente tinha um nível bem mais alto que Miguel, já que ela já havia aprendido karatê antes, e se divertia muito batendo no amigo sem ele conseguir nem ao menos se defender. E Johnny tentava ser imparcial com seus alunos, mas ele também amava ver a filha sendo durona e acabando com seu oponente. E como de costume, a dupla de amigos estava no Cobra Kai, Miguel treinava seus chutes e socos em um boneco de pancadas, enquanto Johnny gritava coisas como "Chuta mais forte." "Acerte firme!" "Mais forte." e Sofia apenas olhava e esperava sua vez.
VOCÊ ESTÁ LENDO
changes | eli moskowitz
FanficOnde Sofia está cansada de viver com uma mãe negligente, e vê uma oportunidade de sair dessa situação quando seu pai, Johnny Lawrence, decide reabrir o antigo dojô de sua adolescência, o Cobra Kai.
