O dia sequer tinha amanhecido direito quando Sofia foi abruptamente acordada. Ainda meio perdida entre o sono e a realidade, piscou os olhos algumas vezes, encarando a figura de seu pai ao lado de sua cama, com aquela expressão típica de quem estava determinado a fazer alguma coisa, e ninguém no mundo ia convencê-lo do contrário.
— Anda, levanta. A gente vai sair. — Johnny cruzou os braços, falando com aquela voz rouca e impaciente que só ele tinha.
— Pai, pelo amor de Deus, são o quê? — Sofia, que ainda estava abraçada no travesseiro, gemeu, afundando o rosto no tecido macio, ela virou a cabeça, tentando enxergar o relógio na cômoda. — Seis da manhã?! Você tá maluco!
— Vai logo, tampinha. Veste uma roupa qualquer, a gente não vai pra nenhuma festa. — respondeu ele, dando um leve sorriso de canto, mas claramente segurando a ansiedade.
Nos últimos dias, Johnny e Daniel finalmente haviam encontrado uma oportunidade real de pôr um fim no Cobra Kai. E dessa vez, não era só mais uma briga de rua, nem uma guerra local entre dojôs. Era algo muito maior, uma chance que envolvia o maior palco do karatê mundial. O Sekai Taikai.
O nome por si só já carregava peso. Era o maior e mais prestigiado torneio de karatê do mundo, um evento que reunia os melhores dojôs de diversos países para competir em um nível que nenhum deles sequer tinha imaginado alcançar um dia. Participar do Sekai Taikai não era só uma honra, era um reconhecimento mundial. E para Johnny e Daniel, era mais do que isso. Era uma forma de provar, de uma vez por todas, que os ensinamentos do Cobra Kai não representavam o verdadeiro karatê.
Mas, como tudo na vida deles, nada seria fácil. O torneio não aceitava qualquer dojô. Os organizadores estavam viajando o mundo inteiro, avaliando pessoalmente os melhores dojôs de cada país. Só um seria selecionado para representar os Estados Unidos, e claro, o Cobra Kai também estava na disputa. Por isso, aquele dia seria decisivo, os administradores do Sekai Taikai estavam a caminho de Los Angeles. Iriam visitar tanto o Miyagi-Do quanto o Presas de Águia, para decidir se eles estavam à altura do torneio. Só que tinha um detalhe, o Cobra Kai também seria avaliado.
Isso significava que precisavam provar, na frente dos jurados, que seus dojôs eram melhores, mais fortes e mais alinhados com os verdadeiros princípios do karatê. Se falhassem, o Cobra Kai tomaria esse lugar. E com o nome no maior torneio do mundo, Silver e seus métodos tóxicos ganhariam uma influência que se espalharia além de qualquer limite.
Por isso, Johnny e Daniel estavam levando aquilo tão a sério. Não era só sobre ganhar uma competição. Era sobre proteger a filosofia que eles acreditavam, defender os alunos e impedir que o Cobra Kai se tornasse uma praga mundial. O problema era que, para isso, eles precisavam estar no melhor nível possível. E na cabeça de Johnny, isso significava não só preparar os alunos que já estavam treinando, mas também trazer de volta quem ele sabia que fazia falta naquele tatame.
Ele sabia que ela não queria mais saber de karatê desde o que aconteceu no último torneio. Que ela estava decidida a deixar aquele mundo pra trás. Mas Johnny também sabia de uma coisa, uma lutadora de verdade não se esconde da luta. E mesmo que ela não quisesse competir, mesmo que ela não subisse no tatame, ela precisava estar lá. Precisava se lembrar de quem ela era.
— Onde é que a gente vai a essa hora, hein? — resmungou, já sentindo que coisa boa não era. Ela arqueou uma sobrancelha desconfiada, apertando mais o travesseiro contra o rosto.
— Só levanta e se arruma, garota. É sério. — Johnny falou mais firme, aquele tom de "não discute".
Sofia soltou um suspiro longo, fazendo um bico enorme, completamente emburrada. Jogou o cobertor pra longe com drama, rolando os olhos. Levantando com passos pesados em direção ao guarda-roupa.
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changes | eli moskowitz
FanficOnde Sofia está cansada de viver com uma mãe negligente, e vê uma oportunidade de sair dessa situação quando seu pai, Johnny Lawrence, decide reabrir o antigo dojô de sua adolescência, o Cobra Kai.
