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(maratona 5/5)

O grande dia havia chegado. O motivo de todo o esforço que Sofia dedicara nos últimos meses. Hoje era, finalmente, o Torneio Regional. O ginásio estava lotado, as arquibancadas vibravam com a energia das torcidas e os lutadores afiavam seus espíritos para a batalha que definiria não apenas campeões, mas também o destino de seus dojôs.

Vestida com seu kimono vermelho dos Presas de Águia, Sofia bebia água no corredor, tentando afastar a ansiedade que insistia em tomar conta. Seu estômago parecia sair pela sua boca a qualquer momento e suas mãos estavam frias, apesar do calor do ginásio. Seu coração martelava no peito, a pressão do momento quase esmagadora. Ela sabia que era boa, uma das melhores lutadoras da região, isso não era segredo para ninguém, mas precisava provar isso para si mesma. Queria mais do que qualquer coisa mostrar que todo o seu esforço não foi em vão, que cada gota de suor, cada hematoma, cada noite mal dormida treinando valeram a pena.

E não era apenas um troféu que estava em jogo. O acordo com o Cobra Kai pesava sobre seus ombros. Mais do que isso, a expectativa de Johnny, seu pai acreditava nela, contava com ela. Ele apostara tudo nesse torneio. E ela precisava vencer, não apenas pelo dojô, mas por ele. Não podia falhar, não depois de tudo que fizeram para chegar até ali.

Enquanto tomava mais um gole d'água, ouviu passos ao seu lado. Virando-se, deu de cara com Tory, que também viera beber água. A rival vestia o kimono preto do Cobra Kai, e para a surpresa de Sofia, não a provocou. Pelo contrário, havia um brilho diferente em seus olhos, uma tristeza disfarçada que não passou despercebida.

Tory observou Sofia em silêncio por alguns segundos. Ver a ex-melhor amiga ali, com outro kimono, representando o dojô rival, fez algo dentro dela desmoronar. Há tempos ela se perguntava se havia feito o certo ao não deixar Sofia explicar o que aconteceu na casa de Samantha. Ver Sofia ali foi como se sua ficha tivesse caído por completo. Mas ela não demonstrou, ou pelo menos, tentou disfarçar.

Sofia, por outro lado, não se abalou nem por um segundo. Ao contrário de Tory, ela não estava triste ou arrependida. Depois do que Tory e Robby fizeram com Falcão, Sofia deixou de se importar com os dois, era quase como se eles nunca tivessem existido.

Sem trocar palavras, ambas se afastaram. Sofia seguiu para o vestiário, onde encontrou os outros membros do Presas de Águia. Ela entrou no vestiário ainda sentindo o peso do momento sobre os ombros. A adrenalina pulsava em seu corpo, e sua mente tentava se concentrar no que estava por vir. Ela sabia que precisava controlar sua respiração, manter o foco, mas a magnitude do torneio tornava isso difícil. Enquanto amarrava melhor a faixa do kimono, ouviu uma voz familiar chamá-la.

— Ei, Sof! — ela se virou e viu Devon se aproximando com um olhar preocupado, a garota parou ao lado dela, cruzando os braços. — Você tá bem? Você parece meio estranha.

— É só o nervosismo do torneio. — Sofia soltou um suspiro discreto e forçou um pequeno sorriso. — Nada demais.

— Nervosa? Logo você? — a menor ergueu uma sobrancelha, mas logo sorriu de lado. — Pelo que vi nas  minhas últimas seis semanas de treino, você é incrível, uma lutadora muito forte. Sério, eu queria ser como você um dia.

Sofia piscou, surpresa com a sinceridade na voz da amiga. A tensão em seus ombros diminuiu um pouco, e um sorriso genuíno surgiu em seus lábios.

— Isso foi muito fofo, Devon.

— Eu tô falando sério! — Devon riu e deu um leve empurrão no braço de Sofia. — Você sempre parece tão confiante e forte. Eu fico vendo você lutar e pensando que um dia quero ser pelo menos metade da lutadora que você é.

changes | eli moskowitzOnde histórias criam vida. Descubra agora