O sol forte batia no dojô improvisado do Presas de Águia, onde o grupo treinava sob a supervisão de Johnny, o que era engraçado, já que na noite anterior estava chovendo forte, era difícil entender o clima de West Valley. Sofia estava com Miguel, observando o latino enquanto ele praticava chutes. Ela parecia distraída, a mente longe, mas sua postura rígida denunciava que algo estava errado.
— Gira o quadril mais rápido, Miguel — comentou Sofia, cruzando os braços.
— Eu tô girando. — Miguel bufou, parando o movimento. — Qual foi a do mau humor, hein? Tá mais chata que o normal.
— Mau humor? Não é culpa minha se você tá parecendo um pato tentando voar. — ela estreitou os olhos para ele, mas o sorriso no canto da boca a entregava.
— Grande motivação, mini sensei.
— Não me chama assim — ela respondeu, revirando os olhos, mas seu tom não era sério.
Antes que Miguel pudesse rebater, uma voz interrompeu a leve troca de farpas. Bert veio caminhando com passos apressados, a expressão marcada por decepção, o celular tremendo em sua mão. Ele parou ao lado de Johnny, ofegante, como se as palavras que carregava fossem pesadas demais para sair de uma só vez.
— Tenho notícias — ele anunciou, erguendo o aparelho como se fosse uma prova de crime. — O conselho decidiu cancelar o torneio desse ano.
O silêncio foi instantâneo. Os alunos pararam o que estavam fazendo e se entreolharam, confusos. Johnny franziu a testa, claramente irritado.
— O quê? Como assim cancelaram? — Johnny deu um passo à frente. — Eles não podem fazer isso.
Miguel olhou para os lados, buscando alguma reação que fizesse sentido, até que seus olhos pousaram em Sofia. Ela não se moveu, olhava fixamente para o chão, como se as rachaduras no concreto pudessem lhe dar alguma resposta.
— Eles podem fazer isso? — perguntou Miguel, incerto.
— Podem — respondeu Sofia, a voz mais baixa do que o normal. Ela levantou a cabeça e encarou o amigo. — Mas não deveriam.
Aquela frase carregava algo a mais. Não era apenas indignação; havia dor ali, havia algo pessoal. Todos sentiram. Johnny franziu o cenho, já reconhecendo aquela chama no olhar da filha, a mesma que ele via em si quando algo lhe era tirado à força.
— Esse torneio é mais do que só lutas. — Sofia deu um passo à frente. O sol refletia em seus cabelos loiros, e seu rosto endurecido. — Ele significa algo pra todos nós. A gente não pode deixar que tirem isso.
— O conselho acha que está protegendo a comunidade — disse Mitch, o único dali que não estava irritado. — Talvez estejam certos. Afinal, do jeito que as coisas estão, um torneio de karatê não é a melhor coisa a se fazer.
— Ah, então é por isso que você tá tão calmo. — ela riu, mas sem humor. — Faz sentido você não querer o torneio, já que você é um covarde que não sabe nem dar um chute direito, tá com medinho de apanhar de quem realmente leva o karatê à sério.
Os olhos de Mitch se estreitaram, mas Sofia não desviou. Não havia intimidação ali, apenas a raiva silenciosa de quem estava prestes a perder o que restava de equilíbrio em sua vida.
— Sofia... — começou Johnny, colocando uma mão no ombro dela, ela virou para o pai, mas sua expressão continuava firme.
Ela virou-se para ele, e por um instante, a dureza cedeu. A máscara caiu.
— Pai, isso é a única coisa que ainda faz sentido pra mim agora. Se eles tirarem o torneio, o que sobra?
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changes | eli moskowitz
FanfictionOnde Sofia está cansada de viver com uma mãe negligente, e vê uma oportunidade de sair dessa situação quando seu pai, Johnny Lawrence, decide reabrir o antigo dojô de sua adolescência, o Cobra Kai.
