Dizer que Sofia estava destruída era pouco. Depois de passar horas na noite anterior chorando no colo do pai, ela havia adormecido sem perceber, os olhos ainda ardendo, a mente exausta. Quando acordou, a luz da manhã atravessava as cortinas, e a dor parecia ainda mais real.
A cama estava fria, silenciosa. O travesseiro, úmido.
Com esforço, levantou-se, cada movimento parecendo exigir uma força que ela não tinha. O rosto refletido no espelho denunciava a noite passada, olhos inchados, cabelos desgrenhados, a pele pálida. Pegou o primeiro moletom que encontrou e se arrastou até a cozinha, apenas para aliviar a dor de cabeça que latejava e encontrar algo para forrar o estômago vazio.
Johnny estava sentado à mesa, e surpreendentemente, não era uma cerveja que ele segurava, era uma caneca de café fumegante. O notebook aberto à sua frente exibia alguma aba de busca que ela não se deu o trabalho de identificar. Ao vê-la, ele ergueu os olhos.
— Bom dia, filhota. — disse, tentando parecer casual, mas seu olhar a examinou de cima a baixo. — Você tá um caco.
— Obrigada, pai. — sorriu irônica.
— Quer falar sobre isso? — ele fechou o notebook, empurrando-o para o lado. — Eu terminei com muita gente também, desabafa comigo.
Ela sabia que ele já sabia. Sabia que ele tinha passado a noite acordado depois que ela desabou nos braços dele, mesmo sem dizer muita coisa. E ainda assim, ele não forçava.
— Desde que o Kreese apareceu, ele ficou diferente, mais agressivo, eu achei que tava em um nível controlado, e aí ele quebra o braço do Demetri. — sua voz falhou, e as lágrimas voltaram, quentes, salgadas. — Eu só queria que ele voltasse a ser quem era. O Eli que ria das minhas piadas idiotas, que dividia pizza comigo na varanda. Não esse Falcão que eu quase não reconheço.
— Vem cá. — seu pai chamou, e ela se deixou abraçar de novo, o peito comprimindo de tanta saudade e confusão. — Vai ficar tudo bem. — murmurou ele, afagando seus cabelos. — Se esse moleque realmente te ama, e eu sei que ama, ele vai abrir os olhos. E se não abrir, azar o dele.
— Eu quero ver o Robby, pai. — depois de um tempo naquele abraço, foi tudo o que ela disse, surpreendendo Johnny. — Eu preciso do meu irmão agora.
Apesar de tudo que havia acontecido, Sofia sentia que era impossível seguir em frente sem procurar o irmão. Por mais que estivessem afastados, ele era uma parte dela que nunca poderia ser substituída. Havia tanto a ser dito, tanto que precisava ser consertado, mas não era só isso. No fundo, ela sabia que naquele momento eles precisavam um do outro. Era hora de deixar o orgulho de lado e buscar o apoio que só ele poderia dar, porque, independentemente de qualquer coisa, Robby sempre seria sua outra metade.
— Eu vou ligar pro reformatório e agendar uma visita, tá bom? — ela enxugou as lágrimas, assentindo e se afastando do pai. — Vocês dois precisam um do outro nesse momento, vai fazer bem pra vocês conversarem.
Em alguns minutos, a garota estava pronta. Tomando um banho rápido e comendo qualquer coisa apenas para não ficar de estomago vazio, ela entrou no carro do pai, ficando em silêncio o caminho todo. Abraçava os próprios braços nervosa, sabia que iria ser uma conversa difícil, mas como Johnny havia dito, eles precisavam um do outro. Sofia sentiu seu coração bater mais rápido quando seu pai estacionou na frente do prédio, repensando se era mesmo uma boa ideia estar ali, se não era muito cedo para isso.
— Vai dar tudo certo, vocês vão ficar bem. — como se pudesse ler seus pensamentos, Johnny sabia que a loira estava a um passo de desistir e ir pra casa, então a encorajou. — Me liga quando for pra vir te buscar, ok? E Fala pro Robby que eu tô aqui por ele também.
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changes | eli moskowitz
FanficOnde Sofia está cansada de viver com uma mãe negligente, e vê uma oportunidade de sair dessa situação quando seu pai, Johnny Lawrence, decide reabrir o antigo dojô de sua adolescência, o Cobra Kai.
