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Sofia estava sentada em sua penteadeira diante do espelho, vestindo a parte de cima do biquíni azul escuro, um short jeans de cintura alta, e claro, seu colar com a inicial E. Seus pés descalços tocavam o chão quente do quarto, e um elástico de cabelo apertava o pulso enquanto ela tentava, sem sucesso, prender os fios loiros em um rabo de cavalo.

Ela já tinha trocado de roupa, separado a toalha, o protetor solar e os óculos escuros. Tudo pronto, ou quase tudo. O cabelo insistia em cair, e com o calor que fazia, aquilo estava começando a irritá-la de verdade. Ela iria passar o dia em um parque aquático, junto com seus amigos.

— Sabe quando você tenta fazer a coisa certa, mas tudo dá errado? — Miguel, que estava em sua cama esperando que ela ficasse pronta, desabafava sobre Sam, que tinha pedido um tempo do relacionamento deles. — Eu achei que ir pro México ia resolver as coisas, mas agora parece que a Sam tá mais chateada do que antes. Ela me disse que precisava de um tempo, não um término, mas um tempo.

Sofia soltou a escova de cabelo e se virou de leve, observando o amigo com empatia. Ela sabia o quanto Miguel gostava da Sam, e sabia também o quanto ele tentava fazer tudo certo, às vezes demais.

— Isso vai passar, Miguel. — disse com firmeza, puxando o cabelo pra cima num rabo de cavalo frouxo que não parava de escorregar. — A Sam te ama. E tempo não é o mesmo que fim, as vezes ela precisa mesmo ficar sozinha, mas não quer dizer que os sentimentos dela por você mudaram.

— Mas você tem certeza disso? — ele suspirou, frustrado. — Quer dizer, ela não falou nada pra você?

— Você quer mesmo que eu quebre o código de honra entre garotas por você? — Sofia soltou uma risada baixa e balançou a cabeça, divertida.

— Não é quebrar, é só dobrar um pouquinho. — ele tombou a cabeça pro lado, dando um sorrisinho, esperando que ela caia naquele argumento.

— Miguel, isso seria considerado traição em nove de dez países. — ela avisou, rindo fraco. — Meu silêncio é diplomático.

Antes que ele pudesse insistir, a porta se abriu com um rangido, revelando Robby. Ele estava com uma bermuda estampada e uma regata branca que deixava os braços bronzeados à mostra e uma toalha jogada por cima do ombro. Ele parou na porta ao ver Miguel, o maxilar cerrando por um segundo, mas fingiu não notar.

— Soso, você vai pro parque com a gente? — perguntou, olhando direto pra irmã.

Miguel imediatamente desviou o olhar para o chão, recostando-se mais na cama. A presença de Robby sempre criava um campo magnético estranho entre eles, feito de rivalidade e um silêncio tenso que ninguém se atrevia a quebrar, mesmo depois dele ter ido ajudar Johnny à encontrar ele no México.

— A gente? — a garota levantou uma sobrancelha, sem esconder o tom debochado. — Você quer dizer você e a Tory?

— É. — Robby assentiu, o tom leve, mas os olhos atentos.  — Ia ser legal se você fosse também.

— Jura? — ela soltou uma risada seca, como se aquela ideia fosse quase absurda. — Você realmente achou que eu ia querer passar o dia com ela?

— Achei que talvez vocês pudessem conversar. — ele disse com cuidado, já esperando uma reação negativa da irmã. — Sei lá, tentar acertar as coisas. Se você conseguiu perdoar até eu, perdoar sua melhor amiga não seria problema, né? — Robby sorriu nervoso, implorando mentalmente para que sua irmã considerasse a ideia.

— Robby, eu te perdoei. E perdoei mais um monte de gente. Mas sabe o que isso me trouxe? Exaustão! — Sofia respirou fundo, o rabo de cavalo escapando da mão enquanto ela encarava o irmão. — Eu amo você, mas tô cansada de perdoar os outros. Eu não vou sentar do lado dela como se nada tivesse acontecido só porque agora vocês tão se pegando.

changes | eli moskowitzOnde histórias criam vida. Descubra agora