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Como havia falado mais cedo para Eli, Sofia mais tarde, havia saído com Sam, Moon e Yasmine algum tempo depois que ele havia saído da sua casa. As quatro estavam em uma sala decorada com luzes suaves e aroma de lavanda pairando no ar. Roupões felpudos, copinhos de chá de camomila nas mãos e uma trilha sonora ambiente tocando ao fundo, algo entre ondas do mar e sinos tibetanos.

— Eu juro, vocês precisam experimentar a massagem com pedras quentes depois. — Moon disse, mexendo calmamente o chá. — É como se a alma fosse derretendo junto com os nós dos ombros.

— Desde que não envolva mais argila nos olhos, tô dentro. — Yasmine rolou os olhos, mas com um sorriso.

— Tá, mas me diz, por que você nos arrastou pra essa sala de equilíbrio lunar? — Sam soltou uma risadinha, e então olhou para Moon com uma sobrancelha arqueada.

— Porque eu tô sentindo a sua energia pesada de longe, Sam, e isso tá atrapalhando você de decidir o que fazer em relação ao Miguel. — ela explicou, depois se virou para Sofia. — Mas você não é a única com energia pesada, a Sof também tá.

— Eu tô? — Sofia apontou pra si mesma, surpresa com o comentário.

— Tá. — Moon assentiu, suave. — Seu campo vibracional tá tipo nublado. Meio cinza-azulado. Eu não sei o que rolou, mas dá pra sentir.

Sofia congelou por um segundo. Claro, todos sabiam que ela estava triste por ter perdido a luta contra Tory, as eles não sabiam o quanto aquilo mexeu com a sua cabeça. Ela estava tentando esconder, desde o fim do torneio, vinha colocando sorrisos nos lugares certos, dando risadas onde devia, respondendo às mensagens como se estivesse bem. Mas havia algo nela que continuava fora do lugar um silêncio incômodo, perder não era só sobre o placar. Era sobre não se sentir suficiente, sobre falhar na frente de todos, inclusive de si mesma. E por mais que tentasse não dar importância, aquilo ficou com ela, grudado como uma marca invisível.

Respirou fundo, tentando empurrar esses pensamentos pro fundo da mente, como vinha fazendo há dias. Mas agora, com Moon dizendo em voz alta o que ela mal conseguia admitir pra si mesma, era como se alguém tivesse acendido uma lanterna na escuridão que ela vinha ignorando.

— Nossa. — Yasmine disse, apoiando o queixo na mão. — Nunca pensei em você como cinza-azulado. Você é mais sei lá, vermelho com faíscas.

— Uau, obrigada? — Sofia soltou, sem saber se ria ou se preocupava.

— Relaxa, não é uma coisa ruim. — Moon tranquilizou. — Só quer dizer que você tá num momento de transição, tipo, larva virando borboleta. — a garota então guiou as amigas até um canto expecifico da sala. — É por isso que vocês precisam experimentar isso. A cápsula de autorrealização.

As três a encararam.

— Isso é uma cápsula de quê? — Sofia perguntou, franzindo o cenho.

— Autorrealização. — ela repetiu, como se fosse óbvio.

— Isso não é um tanque de privação sensorial? — Sam se aproximou com desconfiança

— Esse termo está desatualizado, eles não chamam mais assim. Privação é uma palavra com carga negativa. — a morena sorriu como se fosse uma professora paciente com crianças inquietas. — Aqui, a ideia é se reencontrar, mergulhar em você mesma. Não se privar.

— Ah, claro. — Yasmine disse, cruzando os braços. — E o fato de ficar dentro de um caixão flutuante cheio de água morna no escuro total não é assustador?

— Não é um caixão, é uma cápsula. — a anfitriã corrigiu, sem perder a serenidade. — E ela está cheia de sal de Epsom, o que faz o corpo flutuar como se você estivesse sendo acolhida pelo universo. É a melhor sensação do mundo.

changes | eli moskowitzOnde histórias criam vida. Descubra agora