061.

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Era a hora das finais.

A tensão pairava no ginásio enquanto os competidores se preparavam para as lutas finais do torneio. As arquibancadas estavam lotadas, e os gritos da torcida ecoavam pelo local, se misturando com os sons dos senseis falando e alguns alunos conversando. Eli estava ao lado de Daniel, se preparando para poder subir no tatame.

Sofia se aproximou de Eli e segurou sua mão por um breve instante, seus olhos demonstrando confiança e carinho.

— Boa sorte, amor. Você consegue. — disse ela, apertando de leve os dedos dele.

— Valeu, princesa. — ele sorriu de lado, sentindo o apoio da namorada como um combustível extra. — Eu não vou perder essa.

— Eu sei que não. — lhe deu um abraço, e então sussurrou em seu ouvido. — Não importa o que o Larusso fale sobre equilíbrio ou não se vingar, chuta a cara desse idiota.

Os dois trocaram um olhar cúmplice antes que Eli se afastasse e se posicionasse no centro do tatame. O árbitro olhou para ambos e indicou o cumprimento formal do karatê. Robby e Eli se curvaram levemente para ele, e depois um para o outro, mantendo os olhos fixos e determinados.

— Prontos? Lutem! — anunciou o árbitro, dando início ao combate.

Robby avançou primeiro, tentando um golpe direto, mas Eli desviou com agilidade e respondeu com um chute baixo, atingindo a lateral da perna de Robby. O impacto o fez recuar, mas ele rapidamente recuperou o equilíbrio e girou no ar, desferindo um chute alto. Eli bloqueou com o antebraço, e os dois recuaram, se estudando.

Robby aproveitou a hesitação momentânea e se lançou para frente, desferindo uma sequência rápida de socos e chutes. Eli bloqueou alguns, desviou de outros, mas não foi rápido o suficiente para impedir um chute lateral que atingiu sua costela com força, ele cambaleou um pouco, e o juiz anunciou o primeiro ponto.

— Ponto, Keene.

A torcida explodiu em aplausos, e Tory vibrou do lado de fora. Mas Eli não se deixou abalar. Assim que o árbitro deu o sinal para reiniciar, ele avançou com uma determinação feroz. Fingiu um soco direto, fazendo Robby erguer a guarda, e aproveitou a brecha para girar e acertar um chute giratório na lateral do tronco dele, que foi empurrado para trás.

— Ponto, Moskowitz.

Os dois voltaram para suas posições, respirando com dificuldade. A luta continuou acirrada, ambos atacando e se defendendo com maestria. Eli tentava usar sua velocidade para surpreender Robby, mas este respondia com técnica refinada e força bruta. Chutes altos, socos rápidos, defesas ágeis, os dois conheciam bem o karatê um do outro e a cada segundo que passava, a luta ficava cada vez mais intensa. O público acompanhava cada movimento com olhos vidrados, e os senseis de ambos os lados gritavam instruções, mas ao terminar os três minutos, nenhum dos dois haviam feito mais nenhum ponto.

— Inacreditável! — a voz do apresentador do evento ecoou enquanto ele ia até o centro do tatame. — Esses dois competidores incríveis atingiram empatados o limite de três minutos, o que significa que o campeonato será decidido pela primeira vez desde 85 em uma prorrogação de morte súbita. Vamos lá!

Eli e Robby respiravam ofegantes, o suor escorrendo por seus rostos. Ambos se dirigiram aos seus senseis. 

— Isso foi incrível! — o sensei disse à Eli assim que ele se aproximou, um sorriso enorme nos lábios, Sofia sorria ao seu lado, concordando.

— Algum conselho pro último ponto? — ele perguntou, e Daniel olhou para seus alunos, considerando uma ideia em sua cabeça.

— Vai com tudo que você tem. —  ele disse por fim, fazendo Eli sorrir.

changes | eli moskowitzOnde histórias criam vida. Descubra agora