Johnny parecia finalmente ter acordado pra vida. Havia decidido voltar às suas atividades de sensei e abrir um dojô novo, tal dojô esse que não tinha nome, não tinha lugar e muito menos mais de dez alunos, mas se ele havia conseguido uma vez, conseguiria de novo.
Ele tinha ido pessoalmente até a escola, tentando recrutar alguns rostos conhecidos, e marcou com eles no parque central naquela tarde. Alguns apareceram, entre eles Miguel e Sofia, que se alongavam juntos enquanto esperavam os outros.
— Acha que os outros vão aparecer? — Miguel perguntou baixinho para a amiga, enquanto os dois se alongavam.
— Sinceramente, não. — foi sincera. — Só os renegados do Cobra Kai estão aqui, nós dois somos os únicos bons de verdade nesse lugar.
— Não foram eles que foram escrotos com você quando você saiu de lá? — perguntou lembrando das vezes que a garota falava sobre isso.
— Alguns deles sim, principalmente o Mitch. — deu de ombros, o semblante endurecendo por um breve instante. — Agora vieram pra cá com o rabinho entre as pernas porquê foram expulsos, acho engraçado.
— Beleza, vamos começar, quero todos aqui. — o sensei os chamou, e todos formaram fileiras em frente a ele. — Esse é o primeiro dia, já passamos por isso, tentaram nos derrubar e não funcionou, estamos aqui ainda. Disseram que precisamos de quatro paredes, que se danem! Esse parque é o nosso dojô, não precisa de um dojô para ser um dojô, vocês entenderam?
— Sim, sensei. — todos gritaram em uníssono.
— Eu comecei o Cobra Kai com um nerd, e agora temos vários nerds e a Sofia, então já é um avanço. — Johnny lançou um olhar de canto para Sofia, que revirou os olhos mas jogou o cabelo para trás com um meio sorriso. — Se queremos ser levados a sério, precisamos de um nome, que imponha respeito, que mostre poder, domínio. As cobras são fortes, mas existe um animal que é capaz de matar uma cobra.
— Um suricato? — Bert sugeriu.
— Um animal que exista de verdade, Bert. — o sensei respondeu, fazendo Miguel e Sofia se entreolharem, mas a garota fez um sinal com a mão dizendo pra deixar pra lá. — Bem vindos ao karatê Presas de Águia. — o mais velho pegou umas das camisetas que havia trazido na caixa, mostrando a logo no novo dojô.
— Águias não tem presas. — foi Mitch que tentou argumentar, fazendo o sensei jogar a camiseta com força na cara dele para calar sua boca.
— Podem colocar. — distribuiu as camisetas para todos ali. — Muito bem, em formação!
— Sensei, olha. — Miguel apontou com a cabeça para Falcão chegando com dois outros colegas do Cobra Kai, deixando todos ali surpresos.
— Falcão voltou a ser gente? — Sofia debochou, tirando uma risada do Miguel.
— Eles me ouviram. — Johnny sorriu. — Beleza pessoal, acho que temos mais alunos, abram espaço.
O sorriso que Sofia tinha no rosto sumiu assim que ela viu todo o resto dos alunos aparecerem e se posicionarem a frente deles, entendeu que eles não estavam ali para se juntar a eles, mas sim para provocá-los. Seu sangue ferveu quando Kreese apareceu por último, com um sorriso debochado no rosto.
O coração de dela acelerou. O Cobra Kai um dia fora o seu lar, tudo aquilo fazia parte dela, estava no seu sangue. Mas aquele homem, ele tinha distorcido tudo, transformado aquilo que ela amava em algo tóxico, cruel. Ver Kreese ali, sorrindo como se tivesse algum direito sobre ela, trouxe uma mistura de nostalgia amarga e raiva latente. E no fundo, ela ainda sentia falta dele, mesmo que não admitisse.
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changes | eli moskowitz
FanficOnde Sofia está cansada de viver com uma mãe negligente, e vê uma oportunidade de sair dessa situação quando seu pai, Johnny Lawrence, decide reabrir o antigo dojô de sua adolescência, o Cobra Kai.
