Sofia respirou fundo antes de bater à porta do apartamento dos Nichols. Não era a primeira vez que ia até ali, mas fazia dias que não aparecia, o suficiente para sentir uma pontada de ansiedade no estômago. Estava com saudade de Tory, e a ausência da amiga já tinha virado drama em sua cabeça, mensagens longas reclamando, áudios cheios de suspiros teatrais e frases como "você me abandonou". Ela sabia que era exagero, mas não ligava. Para Sofia, amizade era coisa séria.
E como a rotina das duas andava desencontrada, turnos diferentes, compromissos diferentes, resolveu que não ia esperar por um convite ou encaixe de horário. Apareceria de surpresa.
Quando a porta finalmente se abriu, Sofia abriu também um sorriso largo, que murchou um pouquinho ao se deparar não com Tory, mas com Brandon, o irmão mais novo. O menino a encarava como se fosse um porteiro desconfiado, e não alguém que estava acostumado vendo-a entrar e sair dali sem cerimônia.
— E aí, pirralho. — Sofia falou animada, se inclinando para dentro, já empurrando de leve a porta com a mão.
O garoto arqueou as sobrancelhas, fechando a cara de imediato. Cruzou os bracinhos diante do peito e ergueu o queixo, desafiador.
— Eu falei pra você parar de me chamar assim. — disse com seriedade. — Eu já tenho oito anos!
Sofia não se conteve e riu alto, apoiando a mão no batente. Brandon podia até tentar parecer durão, mas o tamanho dele ainda mal passava da altura de sua cintura.
— Oito anos? — ela repetiu, inclinando-se até ficar na altura dos olhos dele, exagerando o tom dramático. — Que incrível. Mas adivinha? Eu tenho o dobro da sua idade e o dobro da sua altura. Então, você ainda é um pirralho pra mim.
— E você é uma velha chata. — ele estreitou os olhos, a expressão endurecendo ainda mais, até que retrucou sem pestanejar.
A língua estirada logo em seguida foi a facada final. Sofia arregalou os olhos, chocada, como se tivesse levado um golpe baixo no meio de uma luta.
— Tory! — ela berrou imediatamente, já entrando no apartamento como se fosse dela. — Coloca esse garoto de castigo, ele acabou de me chamar de velha chata!
O apartamento estava exatamente como lembrava, simples, mas cheio de vida. Algumas revistas e cadernos largados na mesa da sala, uma manta caída no sofá, e na cozinha, dava para ver a pia cheia de pratos esperando coragem de alguém para lavar. Era aconchegante, ainda que bagunçado.
Sofia atravessou o corredor direto até o quarto de Tory, onde a encontrou sentada na cama, mexendo em seu celular. A loira levantou os olhos devagar, sem pressa, e quando ouviu a acusação, apenas ergueu uma sobrancelha.
— Que bom, fui eu que ensinei. — respondeu, e ergueu a mão para o irmão, que tinha seguido Sofia só para testemunhar sua indignação. Os dois bateram as palmas com força, como parceiros de crime. — Mandou bem, Brandon.
Sofia colocou as mãos na cintura, inconformada.
— Você é uma vaca, Nichols! — disse, incrédula, apontando para a amiga.
O garoto arregalou os olhos, triunfante, e deu um salto para trás.
— Você falou palavrão! — exclamou, correndo até a sala e voltando com um pote de vidro transparente, cheio de moedas, algumas notas amassadas e até um botão perdido. — Agora vai ter que colocar um dólar no potinho do palavrão.
— Eu não acredito que vocês realmente têm isso. — ela piscou algumas vezes, surpresa.
— Regras são regras. — Brandon ergueu o pote como um juiz ergueria um martelo.
Sofia bufou, teatral, mas abriu a carteira.
— Tá bom, seu pestinha. — pegou uma nota de dez dólares e a entregou ao garoto, que parecia prestes a explodir de felicidade. — Vai comprar um sorvete depois e não me enche.
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changes | eli moskowitz
FanficOnde Sofia está cansada de viver com uma mãe negligente, e vê uma oportunidade de sair dessa situação quando seu pai, Johnny Lawrence, decide reabrir o antigo dojô de sua adolescência, o Cobra Kai.
