070.

302 33 20
                                        

No dia seguinte, Sofia estava visivelmente nervosa. O coração apertava no peito à medida que ela se aproximava da nova sede do Cobra Kai, onde aconteceria a luta de classificação para o Sekai Taikai. Era uma etapa decisiva, e mesmo que ela não fosse subir no tatame, a ideia de ver seus amigos, e principalmente seu namorado, lutando, fazia tudo parecer pessoal demais. Ela usava o kimono vermelho dos Presas de Águia com orgulho. O tecido estava bem ajustado ao corpo, o cabelo loiro solto, e o símbolo renovado do dojô bordado nas costas parecia brilhar com uma intensidade diferente.

A luta entre os dojôs seria ali, naquela nova sede luxuosa que Terry Silver havia financiado. Era um lugar impressionante: amplo, moderno, cheio de recursos tecnológicos, com sensores de movimento espalhados pelas laterais e um espaço de treino que mais parecia uma academia de elite. Sofia, no fundo, achava o lugar legal, mas nunca, em hipótese alguma, admitiria isso.

Ela estava ao lado de Falcão, que se aquecia num canto do dojô com o kimono branco do Miyagi-Do. Os dois eram de times diferentes, mas ainda assim, estavam juntos. Falcão seria o primeiro a lutar, e Sofia o observava com atenção enquanto ele alongava os braços e girava os ombros, como se tentasse expulsar qualquer nervosismo.

— Espera. — ela apertou o braço de Eli, semicerrando os olhos — É a Alyssa?

Ele parou o que estava fazendo, seguindo a direção que ela apontava com o queixo. E sim, lá estava Alyssa. Kimono preto do Cobra Kai, faixa vermelha na cintura, alongando os braços como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. Ela não sabia que Alyssa tinha começado no karatê, muito menos ali, justo no Cobra Kai? Isso fazia zero sentido. Seus olhos se arregalaram, passando rapidamente de Alyssa para Falcão, esperando que ele estivesse tão confuso quanto ela.

— O que ela tá fazendo aqui? — perguntou, quase num sussurro, mas tensa.

— Ela tinha falado que queria começar karatê, lembra? — ele olhou de novo, arqueando uma sobrancelha, e deu de ombros como se não fosse tão surpreendente assim. — Só não imaginei que fosse levar tão a sério. — fez uma careta, ajeitando a faixa — Mas logo no Cobra Kai? Mas que merda, hein.

— E por que você tá preocupado? — provocou, fingindo uma leve indignação, mas tinha sim um fundinho de ciúmes escapando na voz. Sofia colocou as mãos na cintura, cruzando os braços em seguida, e virou pra ele, apertando os olhos em desconfiança.

— Preocupado? — ele segurou o queixo dela com delicadeza, puxando-a pra perto, e deu um beijinho demorado no canto dos lábios. — Eu só tenho olhos pra você. Então pode parar com esse ciuminho aí.

Sofia não pôde evitar sorrir, mordendo o lábio inferior, mas ainda assim, aquela sensação desconfortável não saía do peito. Por mais que aquela pontada de ciúmes por Alyssa estivesse latejando desde que viu a garota pela primeira vez, a verdade é que Sofia também não queria que ela caísse nas armadilhas do Cobra Kai. Alyssa parecia uma garota legal e simpática, ela não merecia ser moldada naquele molde tóxico, nem virar mais uma marionete de Silver. Era bizarro como, mesmo se sentindo ameaçada por ela de alguma forma, uma parte de Sofia só conseguia pensar que Alyssa não fazia ideia no que estava se metendo.

— A Devon? — Eli murmurou, surpreso.

— Não, não é possível. — Sofia sussurrou, já dando alguns passos adiante.

Devon estava ali, com o kimono preto do Cobra Kai, parecendo tensa, mas decidida. Aquilo não fazia o menor sentido, a última vez que se viram, Devon ainda era do Presas. E mesmo depois do dojô ter fechado após o último torneio, ela nunca mencionou nada sobre ir para o Cobra Kai. Sofia não hesitou. Foi até ela, genuinamente preocupada.

— Devon! — chamou, parando em sua frente. — O que você tá fazendo aqui? Cobra Kai, sério? Você sabe que esse não é o lugar certo pra você.

— Sof, oi! — Devon ficou visivelmente nervosa ao vê-la. Seu olhar vacilou, como se não soubesse o que responder. — Depois que o Presas de Águia fechou, eu fiquei sem lugar pra treinar. Eles me deram uma chance aqui. Estão me deixando mais forte.

changes | eli moskowitzOnde histórias criam vida. Descubra agora