Hey, boa noite.
A música título de hoje é Elastic Heart, da Sia.
Enjoy :)
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Uma semana havia se passado desde que Willa havia sido libertada. O dono do casaco, obviamente, ainda não tinha sido encontrado e assim como Camila, todos na delegacia faziam pouco caso em achar o suposto proprietário do objeto.
Camila estava nua, coberta por um fino lençol branco enquanto observava a chuva pela janela do seu quarto. Daniel havia ido embora a cerca de quinze minutos, e a morena ainda jazia ali. Era irônico que logo ela estivesse se sentindo usada, mas era como exatamente se sentia naquele momento.
Obviamente a morena sempre soube que ele tinha outra mulher, e isso nunca lhe importou, e na verdade, ainda não importava. Ela nunca o amou. A situação em si era o que estava lhe incomodando. Talvez depois de tanto tempo ouvindo o quanto aquilo era mórbido e cruel, Camila tinha finalmente dado ouvidos.
Embora Camila julgasse o bem e o mal como situações subjetivas, a sua perspectiva se tornava diferente a cada minuto sobre cada coisa que havia feito nos últimos anos. A morena sempre achou que para julgar uma situação como boa ou ruim, deveria ser avaliada como um todo. As vezes o mau para alguns, seja a solução para outros. Tudo no mundo era uma questão de perspectiva.
Havia se afastado do pai, e sinceramente, ele parecia mal sentir sua falta. Camila franziu o cenho ao constatar que não fazia falta a ninguém, realmente. Talvez a história do karma não seja tão ilusória como pensava ser.
Levantou-se e seguiu até o banheiro, logo enfiando-se embaixo do chuveiro e sentindo a água quente queimar sua pele e relaxar seus músculos. Ficou ali, parada, minutos a fio. Era como se a água pudesse dissipar seus pensamentos, também.
Saiu e secou os cabelos, prendendo-os num coque mais do que mal feito. Vestiu suas langeries, junto a um short jeans desfiado e um moletom preto. Era uma tarde de sábado, e aquela era uma ótima maneira de passar um dia chuvoso.
A morena desceu as escadas e se acomodou no sofá, ligando a televisão quase inutilizada e assistindo mecanicamente ao filme que a mesma exibia. Durante anos, tudo o que fazia era dessa forma: mecânica e metódica, embora, durante pouco tempo, vinha tomando atitudes impulsivas como jamais havia feito durante toda a sua vida.
Camila nunca agia por impulso. Agir por impulso era para idiotas, pessoas que não sabiam dosar e planejar as próprias ações. Ter um roteiro metodicamente planejado era a forma mais fácil de atingir o êxito, isso poderia até lhe tornar fria e calculista, mas era a maneira que escolhera viver, e tudo estava indo muito bem, obrigada.
Levantou-se e preparou o sanduíche de peito de peru e queijo que aprendera a gostar desde que Lauren fez um para si, e o comeu na cozinha, sozinha, como estava acostumada a fazer. Limpou a pequena bagunça e voltou ao sofá, tendo um breve momento de felicidade ao ver a maratona de Friends passando na tv.
Estava quase dormindo quando ouviu batidas fortes na porta. Seja lá quem fosse, estava desesperado e provavelmente encharcado por conta da chuva torrencial que caía lá fora. O relógio marcava 23:58. Camila levantou-se, no auge da sua boa vontade e abriu a porta.
Encontrou uma Lauren encharcada, sorridente e tremendo de frio. Ela só poderia estar totalmente fora de si.
- Lauren? O que diabos está fazendo aqui?
Lauren riu.
- Eu vim te ver!
- Meia-noite? No meio de um temporal?
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Detroit
ActionPoder. Cinco letras, uma obsessão. Em um lugar onde o pecado é rotina, onde tudo tem um preço, há aqueles que fariam tudo para obtê-lo. Os fins podem justificar os meios, mas os meios poderiam justificar os fins? Essa era a pergunta em questão.
