3 anos atrás...
Bela
Pensei que seria apenas um jantar informal na casa dos Crist. Mas, pelo que meu pai explicou, parece ser algo bem mais importante. Evans não deu muitas informações sobre o que exatamente seria o jantar, mas meu pai disse que ele parecia bastante animado. O fato de não saber o quão "grande" será esse jantar me deixa em um beco sem saída quanto à escolha da roupa. Não será uma festa de grande porte, mas também não será um simples jantar. Sei que Michael estará lá — ele sempre participa desses eventos do pai dele. Não tenho certeza sobre os outros. A ideia de estar no mesmo ambiente que eles faz meu estômago se contorcer, especialmente porque não me procuraram depois daquela festa. Acho que, depois do papel de idiota que fiz ficando bêbada, eles nunca mais vão me procurar. Essa ideia me causa um misto de tristeza e raiva. Afinal, eles também foram uns babacas naquela noite.
Sem muitas opções sobre o que vestir, opto por um vestido de seda cor rosé, quase branco, longo e reto na frente, com o busto bem desenhado e as costas nuas, destacando minhas curvas. Faço um rabo de cavalo, deixando duas mechas soltas na frente. Gosto do que vejo no espelho.
...
Ao chegarmos à casa dos Crist, percebo que estamos um pouco atrasados, pois há muitos carros no estacionamento. Pela quantidade de carros, está claro que não será apenas um jantar informal entre amigos. Meus pais vão na frente, de braços dados, e eu os sigo. Gosto que eles atraiam mais atenção do que eu. Estamos claramente atrasados, o que já causa um certo alvoroço, pois todos já estão lá. Odeio estar sob os holofotes.
Assim que entramos, todos os convidados voltam os olhos para nós, como era de se esperar. Eu imediatamente escaneio o salão, procurando Erick, e antes que eu possa pensar, ele aparece ao meu lado e me puxa pelo braço para um canto menos movimentado.
— Precisamos conversar urgentemente! — Ele diz, visivelmente preocupado.
— Calma, o que aconteceu? — Pergunto, preocupada.
— Lucca e eu nos beijamos. — Ele sussurra próximo ao meu ouvido.
— CARAMBA! — Exclamo animada, mas me desculpo timidamente quando algumas pessoas nos olham com deboche. — Erick, isso é incrível! Tem noção disso? — Bato palminhas silenciosas. — Quando aconteceu?
— Aquela noite em que fui dormir na casa dela, lembra?
— Claro! Por que não me contou antes? Isso já faz alguns dias.
— Bela, muita coisa tem acontecido e mal tive tempo para pensar nisso. E você desapareceu, não veio mais aqui em casa, nem ligou. Estava realmente preocupado com você. — Ele parece misturar preocupação e tristeza.
— Erick, o que está acontecendo? Parece preocupado, e não sei se isso tem tudo a ver comigo.
— São tantas coisas... não sei por onde começar. — Sua voz está baixa, mal consigo ouvi-lo.
— Você sabe que pode me contar qualquer coisa, certo? Não temos segredos. — Isso me faz sentir uma pontada de culpa. Estou cobrando transparência dele enquanto escondo coisas minhas. Não consigo imaginar contar sobre os rapazes para ele — não sei como reagiria.
— Lucca não me procurou, não ligou, nem mandou mensagem desde então. Pensei que tivéssemos algo especial, que o beijo fosse o começo de algo, mas agora parece que perdi um amigo. Parece que ele nunca mais vai querer me ver. — Erick parece desapontado, lágrimas prestes a cair.
— Erick, não acho que seja assim. Tenho certeza de que os sentimentos de Lucca são recíprocos. Talvez ele esteja apenas inseguro, como você.
— Não sei... são muitas coisas... — Ele parece perdido.
— A festa está um tédio! — Lucca interrompe, se aproximando.
— L-Lucca... — Erick diz timidamente.
— Oi, Erick! — Eles se olham intensamente. — Oi, Bela. Adorei o vestido. — Ele corta a troca de olhares.
— Oi, Lucca! — Cumprimento educadamente. — Bem, preciso encontrar meus pais. Nos vemos por aí. — Me afasto e me misturo na multidão. Antes de ir embora, dou uma última olhada para trás e os vejo saindo para conversar em algum lugar mais reservado. Espero que finalmente se acertem.
Me aproximo da mesa de bebidas e pego uma taça de champanhe.
— Adoro esse champanhe! — Uma voz masculina ao meu lado esquerdo comenta. — Mas, se fosse você, tomaria cuidado. Ele é doce, mas te deixa bêbada antes que perceba. Acredite, experiência própria. — Ele ri do próprio comentário.
Observo-o cuidadosamente. É um rapaz alto, cerca de 21 anos, magro, cabelos loiros escuros e olhos que misturam verde e amarelo, com um maxilar marcado. É bonito e me lembra alguém que não consigo identificar no momento.
— Que falta de educação a minha! Me chamo Leon. — Ele estende a mão em saudação.
— Isabela. — Digo, retribuindo o aperto de mão com simpatia forçada.
— Prazer em conhecê-la, Isabela. — Ele me encara intensamente, como se estivesse lendo minha alma. É um pouco assustador. — Infelizmente, preciso encontrar meu tio. Espero te ver em breve. — Ele se afasta na multidão.
Foi estranho. A forma como se aproximou de mim, como me olhou como se já me conhecesse. Assustador. Espero não cruzar meu caminho com ele novamente.
Dou um gole na bebida e me viro para a multidão. Não vejo meus pais, Erick, Lucca, Michael ou qualquer um dos rapazes. Eles não estão aqui. A noite se torna ainda mais estranha do que imaginei. As portas principais se abrem, revelando convidados ainda mais atrasados que nós. Eles entram em grande estilo — os Quatro Cavaleiros. Todos de terno preto, cada um com gravata de cor diferente: Michael com vermelho sangue, Damon com preto, Will com branco com detalhes azul e vermelho, e Kai com preto e detalhes prateados, refletindo as cores de suas máscaras. Passam pela multidão que os observa, todos abrindo caminho quando passam. Não consigo tirar os olhos dessa visão. Eles parecem estar vindo na minha direção, me encarando com olhos famintos, intensos como nunca vi antes. Meu coração bate mais rápido a cada passo deles em minha direção; meu corpo aquece, minhas mãos suam, borboletas tomam meu estômago. Por um breve momento, parece que somos só nós cinco no salão enorme. Sinto como se tudo fosse possível.
Antes de chegarem ao meio do salão, Evans os intercepta — especialmente Michael — com um sorriso de desdém. Trocam algumas palavras antes de Evans sair irritado. Michael parece vitorioso, Damon pega bebidas de um garçom e distribui para todos. Eles se apoiam em uma mesa de bebidas no canto do salão, discutindo animadamente.
— Boa noite, senhoras e senhores. — Evans bate uma taça com um garfo, chamando atenção. — Agradeço a presença de todos. É uma honra ter vocês aqui nesta noite especial. Como sabem, é um dia grandioso para mim e para as Empresas Crist. Após tantos anos trabalhando duro, finalmente terei um braço direito para comandar a empresa. — Todos olham para Michael, que parece surpreso. — Apresento-lhes o Diretor Executivo do Grupo Crist, Leon Crist Williams. — Evans diz com orgulho.
Todos olham para Evans e para Michael, completamente perplexos. O homem que me abordou mais cedo se aproxima de Evans e o abraça. Claro! Leon Crist — é ele!
— Muito obrigado, tio! É uma grande honra para mim assumir este cargo. Prometo dar o meu melhor para corresponder às suas expectativas e fazer do Grupo Crist o mais forte. — Leon diz com um sorriso sincero.
Todos estão atônitos, inclusive eu. Descobrir que Leon é sobrinho de Evans e primo de Michael é muita informação para processar em uma noite só.
Ouço o som de vidro quebrando e me viro na direção dos rapazes. Michael segura o que sobrou de uma taça em sua mão, sangue pingando no chão e manchando o tapete. Não consigo decifrar a expressão em seu rosto. Suas sobrancelhas estão franzidas, há rugas na testa e seus olhos brilham com vestígios de lágrimas. A última vez que o vi assim foi na noite do trote, quando encontrou aquele documento no cofre do escritório de Evans. Até hoje, ele nunca me contou o que estava no documento. Ele dá um passo à frente, mas Kai coloca uma mão em seu peito, sussurrando algo em seu ouvido. Após alguns segundos, vejo a tensão deixar os ombros de Michael e as rugas em sua testa desaparecerem. O que Kai disse parece ter funcionado. Os Quatro Cavaleiros saem do salão em direção à cozinha.
...
Depois de duas longas horas, meus pais finalmente decidem ir embora. Não encontrei Erick, Lucca nem os rapazes de novo. Os Cavaleiros também não retornaram ao salão. Felizmente, Leon — o primo estranho de Michael — não veio atrás de mim. Subo direto para o meu quarto assim que entramos em casa. Foi uma noite cheia de emoções. Preciso descansar. Abro a porta do quarto e a fecho logo após passar por ela.
— Demorou, monstrinha. — A voz dele me faz congelar antes de chegar ao interruptor para acender a luz.
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Sinful Night
FanfictionEssa é uma fic sobre a saga de livros de "Devils Night" da autora Penélope Douglas. Envolto por um harém reverso, onde a protagonista de relaciona com os quatro cavaleiros. ⚠️ALERTA⚠️ - Alto nível de violência explícita - Alto nível de palavras de...
