o sequestro

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Michael


Duas semanas atrás...


Eu encosto as mãos na bancada fria enquanto observo Damon andar de um lado para o outro, rosnando pragas sobre Leon como se estivesse preparando um sacrifício. Will está jogado na poltrona, mexendo no celular como se nada no mundo pudesse realmente afetá-lo. E Kai... Kai está calado demais. Quando Kai cala, é porque já decidiu fazer algo imperdoável.

— Eu ainda não acredito que ela vai casar com aquele desgraçado — Damon explode, chutando uma cadeira. — Com O Leon. O Leon, Michael! Você tem noção disso?

Tenho. E cada vez que penso nisso, sinto que algo dentro de mim implode.

— Não faz sentido — digo, tentando manter a voz firme. — A Bela nunca... nunca olhou pra ele daquele jeito. Nunca.

Kai cruza os braços, o maxilar tensionado.

— Só existem duas opções — ele diz, com aquela calma que sempre significa caos. — Ou ela enlouqueceu... ou aquele bastardo fez alguma coisa.

Will levanta o olhar do celular, finalmente interessado.

— Eu voto na segunda. O Leon sempre foi um verme. O tipo de cara que sorri enquanto enfia uma faca nas suas costas. E agora quer enfiar a aliança no dedo dela, ah, que ótimo.

Minha garganta aperta. O ar parece pesado demais, como se o próprio ambiente estivesse me provocando. Bela, de vestido branco... ao lado daquele maldito... isso não entra na minha cabeça.

— A gente não vai deixar esse casamento acontecer. — Damon declara, como se fosse um decreto divino. — Nem que eu tenha que arrancar o padre pelo colarinho.

— Ninguém vai arrancar padre nenhum. — Kai rebate. — Vamos fazer isso do nosso jeito. Inteligente. Sem tiro, sem cadáver, sem polícia. Elegante.

Eu rio sem humor.

— Elegante? Estamos indo sequestrar a noiva.

— Exatamente — Kai diz, como se fosse óbvio. — Se é pra destruir o casamento, vamos destruir direito.

Ele joga uma pasta em cima da mesa. Mapa do jardim onde vai acontecer a cerimônia. Entradas, saídas. O esquema das motos. Tudo milimetricamente calculado.

— Nós vamos entrar assim que o padre perguntar se ela aceita — Kai continua. — O barulho das motos cobre todo o resto, ninguém vai ouvir grito nenhum. Damon pega a noiva. Michael dá cobertura. Will cuida da distração. Eu cuido da saída.

— Como assim "eu pego a noiva"? — Damon pergunta, erguendo a sobrancelha.

— Porque, se o Michael for, ele mata o Leon na frente de todo mundo. — Kai responde sem hesitar.

Não nego. Não conseguiria.

Damon dá um sorriso satisfeito, como se estivesse recebendo um presente de aniversário.

— Justo.

Will guarda o celular no bolso e finalmente se levanta.

— A real é que... ela não teria escolhido o Leon. Não desse jeito. Não agora. Algo tá errado. E se a gente não descobrir o que é, alguém vai acabar morto.

Ele fala como quem está narrando o clima do tempo. Mas sei que ele está certo. Todos sabemos.

Kai me olha de um jeito que me atravessa.

— Você está preparado? — ele pergunta.

Preparado?

Eu penso no vestido dela. No sorriso dela. No que senti quando ela olhou para mim pela última vez. Penso em como, desde que saímos da cadeia, tudo que faço é procurar alguma parte do que fui antes — e falhar miseravelmente.

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