salvar ou destruir

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Damon




Eu ainda ouvia a respiração dela atrás da porta. Fraca. Curta. Como se estivesse tentando entender o que tinha acabado de fazer com a própria vida.

Mas eu não olhava pra porta. Eu não deixava. Porque se eu olhasse... alguma parte de mim ia ceder. E eu nunca cedo.

Kai passava a mão pelo cabelo, andando de um lado pro outro como se fosse explodir a qualquer momento.
Will tinha se encostado na mesa velha do centro da sala, os braços cruzados, o maxilar travado.
Michael, como sempre, era o mais calmo, o mais frio — parado, quase imóvel, como se estivesse processando tudo peça por peça.

E eu... eu só sentia aquela coisa dentro do peito. Aquela coisa que sempre aparece quando ela tá perto.
Raiva demais.
E outra coisa que eu recusava dar nome.

— Isso é mentira — eu disse primeiro, quebrando o silêncio grosso que tinha tomado a sala. Minha voz saiu baixa, mas firme. — É óbvio que é mentira.

Kai parou de andar.

— Damon... você não sabe.

— Eu sei o suficiente. — Cruzei os braços, tentando manter a compostura, mesmo com meu corpo inteiro pulsando. — A Bella sempre fez isso. Sempre. Torce as coisas. Chora. Fala só o que precisa pra sair por cima.

Will me encarou com aquele olhar dele, quase decepcionado.

— Você tá dizendo que ela inventou que o Leon ameaçou ela? Por quê? Pra quê?

— Pra se fazer de vítima. — Respondi sem pensar. E foi só depois que percebi a pedra que essa frase carregava. — Ela sempre conseguiu o que queria assim.

Michael respirou fundo, finalmente abrindo a boca:

— Mas Damon... você viu ela. Ela tava desesperada. Aquilo não parecia atuação.

Eu fechei os olhos por um segundo, e a imagem dela explodiu na minha cabeça. Bella tremendo. Bella chorando. Bella me olhando como se eu fosse a única pessoa que podia salvar ela.

E, por isso mesmo, eu não podia acreditar.

Porque se eu acreditasse... tudo desmoronava.

— Eu não caio mais nessa — rosnei, abrindo os olhos. — Não depois do que a gente passou. Não depois de tudo.

Kai se aproximou de mim.

— Você fala como se não ligasse, mas é o que liga mais.

— Cala a boca, Kai — eu devolvi na hora.

Ele sorriu. Aquele sorriso irritante que sabia exatamente onde cutucar.

— Você ainda é apaixonado por ela.

Aquela palavra bateu em cheio. Apaixonado. Como se fosse uma fraqueza. Como se fosse um problema.
E no caso dela... era mesmo.

— Se vocês querem acreditar nela, problema de vocês. — Passei a mão no rosto, tentando afastar o tumulto dentro da minha mente. — Mas eu não vou. Até que provem alguma coisa... ela continua sendo nossa inimiga. E o Leon também.

— Isso a gente concorda — Will disse, seco.

Michael voltou a olhar pra porta onde ela estava.

— A gente precisa pensar. Ou investigar. Alguma coisa. Se o Leon realmente—

— Eu não dou a mínima pro que o Leon fez ou não fez — cortei. — Ele vai pagar de qualquer jeito.

O silêncio voltou.
Pesado.
Denso.

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