Presente
Kai
A chave gira na fechadura com um estalo seco.
Empurro a porta do quarto 313 e sou recebido por silêncio e penumbra. O cheiro impregnado de madeira antiga e ferrugem misturado ao novo — verniz barato e tinta fresca — me lembra que aquele lugar agora é nosso. Não por acaso. Não por capricho. Aquele hotel esquecido no final da estrada foi comprado com um único objetivo: ser o palco da queda dela. E ironicamente, também tem se tornado o palco da minha própria confusão.
Fecho a porta atrás de mim devagar. Cada passo meu ecoa nos azulejos velhos do quarto. Largo as chaves na cômoda com força. Não devia ter ido.
Merda.
Me jogo na poltrona perto da janela e passo as mãos pelo rosto, sentindo o suor frio ainda grudado à minha pele. Eu devia estar satisfeito. Foi o que sempre imaginei. Ver Bella se desmanchar, se retorcer sob minhas mãos, implorar... por prazer ou por perdão, tanto fazia. Mas agora que voltei, o gosto que ficou na minha boca não é vitória.
É fraqueza.
"Você tá se deixando levar", eu murmuro, quase cuspindo as palavras como veneno.
Porque foi isso que aconteceu, não foi?
Saí escondido, no meio da madrugada, enquanto Michael dormia com o braço sobre o rosto, Will dormia do outro com uma garrafa de whisky ao seu lado, e Damon... bom, Damon nunca dorme. Mas mesmo ele não percebeu.
E por quê? Porque eu cedi.
Porque depois de tudo que a gente planejou, de tudo que ela causou, eu fui até ela. E toquei nela como se ainda me pertencesse.
Levanto da poltrona e começo a andar de um lado pro outro. Minhas botas soando pesadas no piso de madeira. A lembrança da pele dela ainda tá nos meus dedos. O cheiro do cabelo, a forma como ela arfava meu nome. Aquilo não devia me abalar. Mas abalou.
A verdade é que eu não sei se estou com mais raiva dela... ou de mim mesmo.
Ela ainda tem esse poder. Mesmo quebrada, ferida, assustada... ela ainda consegue me deixar instável. E isso é perigoso. Isso é imperdoável. Principalmente com o que a gente passou. Principalmente com o que eles passaram.
Fecho os olhos e vejo o rosto do Damon coberto de hematomas depois da primeira surra no pátio. O Michael vomitando sangue após a segunda tentativa de defender o nome dele. Will e eu pagamos caro pra manter nossos nomes fora da linha de tiro, mas nem sempre adiantava. E tudo isso por quê?
Porque ela não defendeu a gente.
Ela se calou. E o silêncio dela foi o grito que nos condenou.
Pego o celular e vejo a tela vazia. Nenhuma mensagem dos caras. Ninguém percebeu minha ausência ainda. Mas vai acontecer. E quando acontecer, eu vou ter que mentir. Vou ter que olhar nos olhos deles e fingir que não quebrei as próprias regras.
Solto uma risada amarga. Regras. Como se ainda existisse alguma ordem depois do que nos tornamos.
Me aproximo da janela. O estacionamento do hotel está vazio, como sempre. As luzes das ruas mal alcançam o fim da estrada. É por isso que escolhemos esse lugar. Longe de tudo. Longe de todos. Um hotel morto para um plano frio.
E mesmo assim, aqui estou eu. Voltando de um quarto onde toquei nela como se ainda fosse minha. Como se três anos não tivessem passado. Como se o ódio que eu cultivei não significasse nada.
Meus punhos se cerram.
Eu não vou deixar isso acontecer de novo.
Ela me desmontou uma vez. Me destruiu com a mesma facilidade com que sorri. Não vai acontecer de novo. Porque agora não é mais sobre amar ou odiar.
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Sinful Night
FanfictionEssa é uma fic sobre a saga de livros de "Devils Night" da autora Penélope Douglas. Envolto por um harém reverso, onde a protagonista de relaciona com os quatro cavaleiros. ⚠️ALERTA⚠️ - Alto nível de violência explícita - Alto nível de palavras de...
