Presente
Bella
A luz da manhã atravessa as frestas da cortina, mas aqui dentro, tudo ainda parece escuro.
Não dormi. Nem por um segundo.
Estou sentada no chão gelado, de frente pra porta do quarto, desde o momento em que o silêncio voltou a dominar o apartamento. Desde que os passos sumiram, desde que o último eco do metal raspando a parede se dissipou no ar. Eu não me mexi. Não chorei. Só fiquei aqui.
O olhar fixo naquela frase entalhada com brutalidade na madeira.
"O jogo tá só começando, diabinha."
Meus olhos queimam de tanto encarar aquelas palavras. Cada letra cortada na superfície parece pulsar. Como se fossem vivas. Como se fossem me lembrar, a cada segundo, que tudo aquilo... que tudo eles... ainda estão aqui.
Que eles nunca foram embora.
Não importa o quanto eu me esconda, o quanto eu tente seguir em frente, fingir uma vida normal com o Leon, com a faculdade, com os meus pais... nada me salva. Nenhuma distração me protege. Porque a verdade tá aqui. Cravada na minha porta, no meu peito, no meu sangue.
Eles podem entrar quando quiserem.
Meu próprio apartamento já não é meu. Não é seguro. Não é abrigo.
E se ontem foi Damon... quem vem depois?
Kai? De novo? Will? Michael?
Eu sinto que estou sendo caçada. Observada. Como se houvesse olhos atrás de cada sombra, mãos prontas pra me puxar de volta pro inferno a qualquer instante.
Meu corpo treme. Não de frio. De um medo que me paralisa e me consome. O tipo de medo que não grita — sussurra, se arrasta, se infiltra em cada centímetro de mim.
Tento respirar fundo, mas o ar parece denso. Pesado. É como engolir água quando já se está afundando.
A imagem da noite passada não sai da minha cabeça. O som do ferro rasgando a parede, o arranhar agudo e perverso. O silêncio assassino. O cheiro do medo. O som da minha própria respiração descompassada tentando se misturar ao escuro. E a presença dele.
Damon.
Como se ele pudesse apagar minha existência com uma única lâmina, e mesmo assim preferisse me manter viva — só pra me destruir aos poucos.
Ele podia ter me matado. Mas não quis.
Porque o jogo tá só começando.
E o pior de tudo? Eu não faço ideia das regras. Nem das punições. Só sei que eles ditam o ritmo. Eles decidem quando começa. Quando termina. E se termina.
Coloco a cabeça entre os joelhos, os braços envolvendo as pernas, tentando me proteger de um mundo que não posso controlar.
Não sei pra onde correr.
Não sei quem eu sou mais.
Só sei que, a partir de agora... não existe mais lugar seguro.
Toques na porta. Firmes. Urgentes.
— Bella? — a voz do meu pai ecoa pelo corredor, carregada de preocupação. — Filha, abre a porta. A gente tá aqui.
Meus músculos estão tensos, congelados. Por um segundo, o pânico volta — e se não forem eles? E se for mais um jogo deles?
Mas então escuto a voz da minha mãe, tremendo:
— Bella, por favor, abre... você tá me assustando, filha.
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Sinful Night
FanficEssa é uma fic sobre a saga de livros de "Devils Night" da autora Penélope Douglas. Envolto por um harém reverso, onde a protagonista de relaciona com os quatro cavaleiros. ⚠️ALERTA⚠️ - Alto nível de violência explícita - Alto nível de palavras de...
