culpados

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3 anos atrás...

Bela

Eu acordei com uma sensação de vazio, minha cabeça latejando e a luz da manhã entrando pelas cortinas mal fechadas. Esforcei-me para lembrar dos detalhes da noite anterior, mas tudo parecia um borrão de luzes, música e toques. Virei-me na cama, sentindo o corpo dolorido, e tentei organizar meus pensamentos.

De repente, a porta do meu quarto se abriu com um estrondo, e minha mãe entrou. O rosto dela estava pálido, os olhos arregalados de choque e incredulidade. — Bella, nós precisamos conversar agora,— disse ela, a voz vacilante e cheia de tensão.

Sentei-me na cama, esfregando os olhos e tentando focar. — O que foi, mãe?— perguntei, a voz rouca.

Ela veio até mim, sentou-se na beirada da cama e pegou minha mão, as mãos dela tremendo. — Querida, fotos e vídeos íntimos seus foram vazados. Alguém postou online. Você está... despida e parece... drogada. Bela, o que aconteceu, filha?

As palavras dela penetraram minha mente como facas afiadas. — O quê? — Eu mal conseguia processar o que ela estava dizendo. — Eu não... eu não lembro de nada disso.

Ela respirou fundo, como se tentando encontrar as palavras certas. — Bella, você precisa me contar a verdade. A polícia está envolvida. Eles acham que foram os meninos, Bella. Acham que foram Kai, Michael, Damon e Will que fizeram isso com você. Tem até testemunha

O choque e a incredulidade me atingiram como uma onda. — Não, mãe. Eles não fariam isso. Eles estavam comigo a noite toda. Eu... eu confio neles.

Ela olhou para mim, completamente estupefata. — Você estava saindo com eles? Como você não me contou nada? Eu não fazia ideia de que você estava envolvida com esses garotos. E agora isso? — A voz dela estava cheia de dor e confusão.

Levantei-me da cama, a cabeça girando com a quantidade de informações. — Isso não faz sentido. Eu não lembro de nada. Como poderiam ser eles?

Minha mãe passou a mão pelo cabelo, os olhos ainda arregalados de choque. — Eu não sei, querida. Mas você precisa falar com a polícia. E até lá, você não pode sair de casa. Eles foram vistos com você, Bella. E com o que aconteceu na prefeitura, as coisas estão complicadas.

A sensação de claustrofobia começou a me sufocar. As paredes do meu quarto pareciam fechar-se ao meu redor. — Eu preciso falar com eles, mãe. Eu preciso entender o que aconteceu.

— Falar com eles, Bela? Você enlouqueceu? Seu pai está indo pra casa do Crist agora junto com a polícia. Eles colocaram fogo na prefeitura, explodiram carros, abusaram de você. Como você pode querer vê-los?

Minha cabeça está girando. Eu tento reorganizar as minhas lembranças da noite passada, mas não passam de borrões na minha mente. Lembro do episódio na prefeitura e da explosão dos carros na casa de Will, e quando fomos pra festa no galpão. Mas  não lembro como cheguei em casa.

A gravidade das palavras dela finalmente me atingiu. As lembranças nebulosas da noite passada se misturavam com a realidade crua do que ela estava dizendo. As paredes do meu quarto pareciam fechar-se ao meu redor, a respiração se tornando difícil.

— Como... como eles puderam fazer isso — minha voz saiu trêmula, quase inaudível. A confiança que eu tinha neles começou a desmoronar, substituída por uma dor aguda.

Minha mãe me puxou para um abraço, suas mãos tremendo tanto quanto as minhas. — Eu sei, querida. Eu sei. Mas você precisa ser forte agora. Precisa deixar a polícia lidar com isso.

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