Presente
Bella
Já se passou uma semana desde aquela noite. Uma semana desde que eles me arrastaram para aquele quarto e me despedaçaram sem precisar levantar a voz além do necessário. Desde então, nada. Nenhuma mensagem. Nenhuma ligação. Nenhuma sombra deles me seguindo.
Sumiram.
E por mais que uma parte de mim esteja grata por isso, outra... outra sente um buraco se formando no centro do peito, como se a qualquer momento ele fosse se abrir e me engolir viva.
Tenho tentado viver normalmente. Voltei pra faculdade, fingi sorrisos, e até consegui fazer com que o Leon se aproximasse de novo. Ele ainda está desconfiado, sente que tem algo que não contei. E ele tá certo. Não contei pra ninguém. Como contar que fui sequestrada e torturada psicologicamente pelos caras que todos acreditam que ainda deveriam estar presos?
Seria como reviver tudo.
Os meus pais têm me visitado com frequência, trazendo comidas, flores, carinho... Eles acham que estou sensível por conta do estresse da cidade, por causa do retorno à minha antiga casa. Que ironia. Se soubessem a verdade.
Hoje decidi me dar um momento de paz.
Enchi a banheira, coloquei umas velas perfumadas e afundei na espuma quente até meus dedos ficarem enrugados. Pela primeira vez em dias, me senti... quase bem. De olhos fechados, tentei fingir que aquele terror não existiu. Que eles nunca estiveram aqui.
Mas paz é uma coisa que nunca dura muito na minha vida.
Saio do banheiro enrolada em uma toalha branca, com o vapor ainda dançando no ar. Meu quarto está escuro, como deixei. Mas... a porta. Ela estava encostada antes. Eu lembro disso com certeza. Agora está aberta.
Paro na entrada, o coração acelerando. Meus olhos varrem cada canto do cômodo. Nada. Nenhum movimento. Nenhum som. Nenhuma alma viva.
— Você tá ficando paranoica, Bella — sussurro pra mim mesma, tentando rir da minha própria tensão.
Me aproximo da porta e, com cuidado, a fecho. Tranco.
Mas antes que eu consiga respirar de novo, um estrondo me faz congelar. O som de vidro se quebrando vindo da cozinha. Um copo? Um prato? Meu corpo inteiro se arrepia. Meus pés parecem colados ao chão, mas mesmo assim, me movo. Corro de volta pro quarto, tranco a porta de novo. Me encosto contra ela, tentando escutar.
Passos.
Lentos.
Firmes.
Cada passo um estalo no meu nervo.
Me afasto cambaleando até o canto do quarto, puxando a toalha com mais força contra meu corpo. Me encolho atrás da cama, tentando controlar a respiração, mas meu peito já está arfando.
A maçaneta gira.
Uma vez.
Duas.
E então, com um estrondo, o trinco quebra. A porta se escancara. E lá está ele.
Kai.
Parado, máscara prateada reluzindo sob a luz da rua que invade pelas frestas da cortina. Por um segundo, eu paraliso. Meu corpo não responde, minha mente não acredita. Um milhão de sensações se misturam: terror, adrenalina, raiva, confusão... e um calor estranho no centro do meu peito. Como se a presença dele queimasse, mas ao mesmo tempo, me hipnotizasse.
— Tá com medo, pequena? — ele pergunta, a voz baixa, debochada, como se se divertisse com meu desespero.
Fico muda. Sem voz, sem ar. Meus olhos arregalados fixos nele. Sinto minha pele arrepiar, a toalha escorregando um pouco dos ombros sem que eu consiga me mover pra segurar.
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Sinful Night
FanfictionEssa é uma fic sobre a saga de livros de "Devils Night" da autora Penélope Douglas. Envolto por um harém reverso, onde a protagonista de relaciona com os quatro cavaleiros. ⚠️ALERTA⚠️ - Alto nível de violência explícita - Alto nível de palavras de...
