desejo

165 13 5
                                        

Bella



O silêncio que ficou entre nós depois daquilo parecia pulsar. Eu ainda sentia o cheiro dele na minha pele, sentia o peso do olhar dele grudado em mim como se estivesse marcado. O quarto estava abafado, carregado demais, e Will estava parado de pé, respirando fundo, como se lutasse contra alguma coisa dentro dele.

Como se lutasse contra mim.

Eu não sabia se era medo, desejo ou culpa—talvez tudo junto—mas alguma coisa no rosto dele mudou. Um vacilo. Uma rachadura. Por um segundo, o monstro hesitou.

E esse segundo foi o suficiente para me deixar mais nervosa do que qualquer ameaça.

Ele passou a mão pelo rosto, como quem tenta organizar pensamentos que fugiam do controle.

— Bella... — a voz dele saiu baixa, quase falhando. — Isso aqui... não era pra ter sido assim.

Meu estômago virou.

Ele não falava como carcereiro.

Falava como alguém se odiando.

Ele deu dois passos para longe de mim, como se precisasse me dar espaço para enxergar direito.

— Você quer sair, não quer? — Ele perguntou isso como se fosse óbvio. Como se não fosse evidente que SIM, que eu queria, que eu precisava. — Então vamos brincar de um jogo.

Eu engoli seco.

— Um jogo?

Ele assentiu, um sorriso torto, bonito demais, perigoso demais, surgindo e sumindo nos lábios.

— Eu te dou... — levantou dois dedos — dois minutos. Você corre. Para onde quiser. Pelo hotel inteiro. Se você conseguir escapar... você está livre.

Meu coração bateu tão forte que me doeu.

— E se você me pegar? — minha voz era só um fio.

Ele chegou perto o bastante para que eu sentisse a respiração dele na minha boca.

— Aí você nunca mais sai daqui.

Meu corpo inteiro gelou e queimou ao mesmo tempo.

Eu não sabia se queria vomitar, chorar ou desmaiar.

Mas antes que qualquer reação saísse, ele abriu a porta do quarto devagar... como se estivesse me oferecendo um portal para a vida ou para o inferno.

— Dois minutos, Bella. Começando agora.

E foi como se meu corpo decidisse sozinho.

Eu CORRI.

O corredor parecia interminável, iluminado por aquelas lâmpadas amarelas que piscavam de tempos em tempos, como se o hotel estivesse respirando comigo. Ou rindo de mim. Meus pés batiam no chão com força, e cada impacto subia pelas minhas pernas como choques elétricos.

Eu não sabia para onde ir. Não conhecia o andar. Não conhecia nada. Era só eu, meu desespero e aquele ar quente grudando na minha garganta.

Eu virava para um lado, depois para o outro, quase escorregando.

Cada respiração era curta, cortada, como se eu estivesse engolindo medo.

E eu não podia parar.

Porque atrás de mim, mesmo sem ouvir passos, eu sentia o Will como uma sombra. Como se o ar ainda carregasse o cheiro dele. Como se ele estivesse a um corredor de distância, sorrindo para si mesmo enquanto me deixava correr.

 Sinful Night Onde histórias criam vida. Descubra agora