Presente
Bella
A luz da manhã invadia o quarto devagar, filtrada pelas persianas como lâminas suaves cortando a escuridão que ainda tentava resistir. Acordei com o travesseiro gelado ao meu lado.
Leon não estava ali.
Por um segundo, só um, meu coração disparou. Depois... veio o alívio.
O tipo de alívio que é feio de admitir — mas real.
Agradeci, em silêncio, por ele não ter voltado. Por não ter me procurado.
Não teria suportado mais uma conversa sobre casamento, sobre futuro, sobre nós.
Não depois de ontem.
Respirei fundo e olhei para o teto. Me senti vazia. Como se tivesse vivido três vidas só na noite passada. O pedido de Leon ainda ecoava como um filme ruim, e a imagem do Will diante de mim me corroía por dentro. Não pelo gesto — mas pela forma como ele me desmontou logo depois.
Aquele olhar.
Aquela raiva.
Aquele toque.
Fechei os olhos e ainda podia sentir os dedos dele na minha nuca, firmes, possessivos, como se me desafiassem a encarar quem ele tinha se tornado.
E eu encarei.
Encarei... e gostei.
E isso me apavorava.
Porque o Will que eu conheci não existia mais.
Não era mais aquele garoto doce que ria alto por qualquer besteira.
O Will de agora era uma versão quebrada, dura, com as rachaduras expostas em cada palavra que ele cuspia na minha direção.
E não era só ele.
Michael... Damon... Kai.
Nenhum deles voltou o mesmo.
Eles foram destruídos.
E, de alguma forma, reconstruídos com algo mais frio, mais cruel.
Algo que eu, talvez, tenha ajudado a moldar.
Meu estômago revirou.
Levantei devagar, puxando o lençol junto ao corpo como se ele pudesse me proteger dos pensamentos que ferviam.
"Você jogou a gente naquele inferno", ele disse.
E a verdade é que... eu nem sei mais qual é o meu papel nisso tudo.
Se eu fui vítima.
Se eu fui cúmplice.
Ou se estou apenas perdida no meio da fumaça.
Desci da cama como quem não quer lembrar do peso que carrega nas costas.
Coloquei os pés no chão frio e fingi que não sentia nada. Nem culpa. Nem medo. Nem aquele resquício estranho de prazer confuso que ainda me assombrava desde ontem.
Fui até o banheiro, tirei a roupa e entrei debaixo da água quente, deixando que ela levasse embora qualquer resquício da noite passada. Me lavei como quem queria tirar uma camada da pele. Quis que tudo escorresse ralo abaixo — o toque do Will, o olhar dele, a raiva que ele cuspiu na minha cara.
Mas aquilo grudou em mim como tinta permanente.
Quando saí do banho, vesti uma calça larga de moletom cinza e uma blusa preta, daquelas que me faziam sentir abraçada. Prendi o cabelo num coque desleixado e, pela primeira vez em dias, olhei para mim no espelho sem desviar os olhos.
"Levanta e vive. Anda."
Era isso que minha cabeça repetia. Como uma ordem. Como um mantra.
Desci as escadas com o coração pulando no peito.
Não tinha fome, mas precisava fingir que sim.
Precisava existir.
Ao virar o corredor e entrar na sala de jantar, meu estômago travou.
Ali estavam eles.
Meu pai com o jornal dobrado ao lado do prato, a expressão austera de sempre.
Minha mãe sorrindo falso com a xícara na mão.
E Leon.
Sentado entre os dois, com a postura reta demais, a camisa polo azul clara perfeitamente passada, o sorriso cortado no rosto — como se nada tivesse acontecido.
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Sinful Night
FanficEssa é uma fic sobre a saga de livros de "Devils Night" da autora Penélope Douglas. Envolto por um harém reverso, onde a protagonista de relaciona com os quatro cavaleiros. ⚠️ALERTA⚠️ - Alto nível de violência explícita - Alto nível de palavras de...
