noite de horror

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3 anos atrás...

Bela

Meu corpo começa a tremer e meu coração fica agitado. Sinto meu corpo aquecer, esquentar. É adrenalina, medo — é isso que eles querem: me causar pavor. E está funcionando.

Onde eu vim me meter? Estou no meio da floresta, com um bando de malucos, totalmente à mercê deles. Se me matarem aqui, ninguém nunca vai descobrir.

Meu corpo, totalmente dominado pelo medo, começa a correr automaticamente, sem que eu perceba. Só sei que tenho que ficar longe do perigo — eles são o perigo. Corro o mais rápido que consigo; uso todas as minhas forças, meu coração parece que vai sair pela boca e sinto o suor escorrer pela testa.

Ouço passos atrás de mim, passos rápidos — eles também estão correndo, vindo atrás de mim. Não consigo vê-los, mas consigo senti-los.

Começo a ouvir um som alto. Talvez não tivesse percebido antes por causa do barulho do meu coração batendo rápido, mas agora, que aparentemente estou mais perto, eu consigo ouvir. Vejo luzes também; isso me dá esperança de que talvez realmente esteja acontecendo uma festa afinal de contas. Quanto mais corro, mais o som e os gritos eufóricos ficam próximos, e os passos atrás de mim diminuem. Eles devem ter desistido de vir atrás de mim, ou mudaram a estratégia de jogo.

Assim que me aproximo, começo a ver algumas pessoas, e sinto meu corpo finalmente relaxar um pouco. Pelo menos não estou sozinha aqui com eles.

Aproximo-me da multidão e reconheço algumas pessoas do colégio, outras que vi uma vez ou outra pela cidade. Não vejo nenhum rosto realmente familiar — isso me deixa um pouco mais tranquila e aliviada.

Puxo o capuz do moletom para cobrir a cabeça; espero que ninguém que conheça os meus pais esteja aqui. Estou apenas andando no meio da multidão, tenho que me misturar, até que esses caras finalmente desistam de me perseguir. Vejo um grupo de adolescentes perto de uma fogueira: três meninos e duas meninas. Reconheço dois deles — o garoto de cabelo ondulado castanho-claro e a garota dos olhos puxados. Estão na minha turma de física. Mesmo nunca tendo trocado mais de duas palavras com eles, é reconfortante ver rostos conhecidos.

— O que vocês estão bebendo? — me aproximo.

— Oi? Quer dizer, olá! — a garota loira me cumprimenta. — Whisky. — Ela responde gentil.

— Quer um pouco? — a garota que faz aula comigo pergunta. — Isabela, né? Fazemos física juntas. Jack também está na nossa turma. — Ela aponta pro garoto de cabelos ondulados. — Esse é o Noah — ela aponta pro cara de olhos verdes. — Esse é o Daniel — ela aponta pro ruivo — e essa é a Rebeka. — Ela diz à loira. — Eu me chamo Luíza.

— Bom, prazer em conhecer vocês. E sim, eu aceito o whisky. — Não gosto de bebida alcoólica; aceitei só para socializar mais facilmente.

A loira, Rebeka, entrega o copo. Aproximo o copo do nariz e um cheiro forte de álcool me atinge — até parece que meu cérebro arde. Se o cheiro já é assim, nem quero imaginar o gosto. Finjo dar um gole e devolvo o copo.

— Pode ficar. Eu trago outro. — Ela sorri gentil.

Continua segurando o copo, mas não finjo mais nenhum gole. Só de imaginar o gosto, sinto vontade de vomitar. Não vejo nenhum sinal dos rapazes; eles realmente devem ter desistido de me procurar.

— Você não está acostumada a beber, né? — o ruivo, Daniel, se aproxima.

— Tá tão óbvio assim? — digo, envergonhada.

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