IV
Isola Tiberina, Roma
O sol se punha no horizonte. Giovanni Borgia atravessava a Ponte Fabrizio e entrava na única via da ilha, que conduzia diretamente à Ponte Cestio. Ele caminhava com o objetivo de encontrar-se com Lodovico Mattei, chefe da família Mattei do rione de Trastevere. Ao passar calmamente em frente à Basilica di San Bartolomeo All'Isola, acompanhado por oito guardas vindos de Valência, o Duque de Gandia foi subitamente cercado por uma dúzia de homens. Alguns ostentavam em seus peitos um pequeno escudo com uma cruz vermelha-amarela.
— Ora, ora, se não é o filho bastardo da "esposa de Cristo"! — Zombou um dos homens, vestido com uma capa dourada e roupas escurecidas pela sombra, com uma espada embainhada na cintura. — Curvem-se perante o santo filho, senhores! Curvem-se ao filho mais amado de Cristo!
— Fala como se a sua mãe fosse muito melhor que a minha, não é mesmo, Mateo? Ouvi dizer que sua mãe, agora viúva há pouco tempo, já passou pelas mãos de metade da cidade de Marino. — Retrucou Giovanni, gargalhando.
— É muito corajoso com os seus capachos ao seu lado, Borgia! Quero ver se é tão valente sem essa raça imunda a te proteger! — Respondeu Mateo, abrindo o peito.
— Com ou sem meus guardas, o faria ajoelhar e beijar meus sapatos.
— Não passa de um cretino miserável! Em breve, seu pai não será Papa e não terá toda essa pompa. Cairão nas graças de Della Rovere!
— Della Rovere como Papa? Está louco! Alberto, controle o seu irmão. Você parece ter mais juízo entre os Santacroce.
— O que faz tão longe de seu covil, Borgia? Volte para a sua maldita vinícola, Borgia, antes que nossa paciência se esgote.
— Está ameaçando o filho do Papa, Alberto? Ha! Que tolice! Abra caminho! Não quero manchar a praça da igreja com sangue...
— Diz isso como se tivesse algum respeito pelo sagrado. Agora que tem o próprio pai como Vigário de Cristo, vem se fazer de santo, Borgia? Não passa de um hipócrita... Sinto pena de homens como você.
— Guarde o seu pesar. Não preciso dele. Deixe-me passar e não terá problemas com meu pai, o Papa Alexandre VI. Querem ser expulsos de Roma, como o Papa Sisto fez com seus pais, tios e primos? Seria sábio abrir caminho para mim e prestar uma reverência ao Duque de Gandia. Se assim fizer, demonstrarei a benevolência inata de um Borgia e não prestarei queixa ao Santo Vigário.
Mateo enraiveceu-se. Alberto, porém, veio até ele.
— Não é bom aborrecer o filho do Papa tão cedo. — Repreendeu. — Vamos deixá-lo passar desta vez. Se tentar passar novamente pela Isola Tiberina, eu mesmo vou me encarregar de lançá-lo no Tibre, vivo ou morto. Vai seguir a correnteza até as docas do armazém, em Ripa. Se não morrer afogado, voltará molhado, com o rabo entre as pernas.
Os doze abriram passagem, com desdém. Giovanni, ainda orgulhoso, passou por eles com a cabeça erguida. Depois de passar por eles, já com o pé na ponte, Giovanni se virou deliberadamente e cuspiu na bota de um dos mercenários da família Santacroce, um gesto de desdém. Os guardas ao seu lado entreolharam-se por um instante, levando as mãos ao pomo de suas espadas. Fitavam os Santacroce, acompanhando o jovem duque ao seu destino em Trastevere.
O Duque de Gandia seguiu para o Palazzo Mattei, na Piazza Piscinula, próxima à Chiesa di San Benedetto in Piscinula. Ao chegar diante do palácio, foi recebido por um dos empregados da casa, que o levou para Lodovico Mattei, um dos patrícios da cidade. Curvou-se perante Giovanni, muito cortês. Giovanni respondeu com o mesmo gesto, a fim de agradá-lo. Mattei o trouxe para o seu palácio. Ofereceu frutas, vinho e tudo o que pudesse encontrar enquanto caminhavam pelas salas até o escritório.
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Os Borgias - Ego Sum Papa
Historical FictionEm 1492, ascendeu ao Trono de São Pedro Rodrigo Borgia, assumindo o nome de Alexandre VI. Com seu poder, elevou sua família em riqueza e prestígio. Não obstante, ganhou muitos inimigos, entre eles o Cardeal da Ligúria, Giuliano della Rovere. Como um...
