XIII

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23 de fevereiro de 1493, Roma

No palácio próximo à Piazza di San Pietro in Vincoli e à igreja de mesmo nome, o cardeal Della Rovere, que havia partido antes do sol nascer para Roma, estava com o Bispo de Áquila num jogo de xadrez. Lançaram à sorte; o Bispo de Áquila ganhou as peças brancas. Abriu o jogo avançando o peão do Rei duas casas para frente. Della Rovere respondeu avançando o seu peão do rei para o centro. As brancas desenvolveram o cavalo do Rei. As negras, avançaram o peão da Dama uma casa.

— O que deseja, Della Rovere? Não me chamou de Áquila apenas para uma partida de xadrez, que tardou muitas semanas para acontecer.

— Tem razão — respondeu, avançando o peão da Dama para o centro.

Trocaram os peões. Desenvolveram para fora das casas iniciais os cavalos e um bispo de cada lado.

— Desejo saber como andam os nossos queridos barões.

— Soube que foi a Nápoles, cardeal. Me diga você — disse o bispo, recuando o cavalo do Rei.

— Então, já deve saber das minhas desavenças com o rei Ferrante — insinuou Della Rovere, posicionando a Dama defronte o Rei.

Depois de fazerem o roque, cada qual em seu lado, a torre branca foi posicionada na coluna central. Della Rovere levou o bispo ao lado adversário, cravando o cavalo que estava na mesma diagonal da Dama branca.

— Alfonso me contou. Ele próprio me enviou uma carta, zombando de sua digníssima pessoa.

— Pensei que Alfonso o odiasse depois do seu envolvimento com alguns homens que, agora, não passam de corpos com lápides como cabeceiras, ou se assentam naquela macabra e diabólica ceia que Ferrante.

O Bispo de Áquila ameaçou a Dama do cardeal; Della Rovere retomou; o Bispo recapturou, abrindo a coluna onde repousava a torre, diante da Dama desprotegida de Della Rovere. Sem pensar, moveu sua Dama para a sua direita.

— Dizem que Ferrante costuma mostrá-lo aos homens que pretende tornar prudentes. Já estive naquele mausoléu sinistro... — comentou, capturando o cavalo deixado de presente por Della Rovere.

Della Rovere voltou os olhos ao tabuleiro. Levou as mãos à cabeça, respirando profundamente. O Bispo de Áquila levantou as sobrancelhas, fitando o cardeal.

— Perdi um cavalo...

— Parece distraído. Deixou um cavalo cair muito cedo.

O cardeal vingou o cavalo capturado tomando o peão. O Bispo de Áquila avançou o peão periférico, tocando o bispo de Della Rovere que cravava o cavalo. Della Rovere recuou, mantendo a cravada. O Bispo de Áquila ponderava ameaçar a Dama ou dar xeque no Rei.

— Bem, e sua relação com Alfonso?

— Me perdoou pela minha traição na conspiração, como fez com Sua Eminência há alguns anos. Porém, ao que parece, Sua Eminência foi expulsa de Nápoles... Se pisar em solo napolitano, será extraditado, na melhor das hipóteses. E não creio que Alexandre VI fará algum esforço para livrá-lo de algum dano ou prisão.

— Se fosse você, tomaria cuidado com o perdão de Ferrante e de Alfonso.

— Se pensa reorganizar os barões, creio que não conseguirá, Della Rovere — disse o Bispo de Áquila, ameaçando a dama com seu bispo. — Nápoles está firme e Ferrante não anda de bom humor desde o Conclave e a sua visita. O seu irmão, Giovanni, Duque de Sora, confessou-me que deseja uma nova conspiração... Espera apenas a morte de Ferrante para ter alguma chance. Alfonso é um homem desprezível e odiado, e certamente o Duque de Sora encontrará apoio na plebe e nos barões.

Os Borgias - Ego Sum PapaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora