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04 de maio de 1493, Palazzo Apostolico, Città del Vaticano

Chegou à cidade de Roma a notícia de que Cristóvão Colombo, a serviço de Castela e Aragão, chegou às Índias por uma nova rota. Em Aragão, foi recebido com louvores. O embaixador, Bernardino López de Carvajal, endossou uma cópia da carta do explorador ao Papa, datada de fevereiro, a qual chegou no fim do mês de abril. A carta pedia que fosse validada a legitimidade daquela terra aos reis e seus sucessores, a fim de evitar um conflito entre Portugal e Castela e Aragão. Por quatro dias, o Colégio discutiu a respeito.

Assim que o Papa Alexandre VI adentrou a sala, os cardeais levantaram-se.

— Verbum Incarnatum. Maximus Pontifex Alexander Sextus. — Anunciou o Mestre de Cerimônias, segurando as bulas.

Alexandre VI sentou-se sobre o trono. Assim que o Santo Padre se assentou, os cardeais se acomodaram em suas respectivas cadeiras.

— Por meio do édito Inter Caetera, Sua Santidade, o Papa Alexandre VI, reconhece a reivindicação do filho mais amado de Cristo, Fernando II, e da filha mais amada por Cristo, Isabel, Rainha de Castela, Leão, Aragão, Sicília e Granada, sobre todas as ilhas e terras onde há ausência da presença de qualquer Rei Cristão a oeste do meridiano, 100 légua a oeste de Cabo Verde. Confirmamos igualmente os domínios anteriores já estabelecidos pelo Reino de Portugal, legitimando da mesma forma, todos os territórios a leste do mediano. Sua Santidade, juntamente com Suas Eminências, decidiram que os monges da Ordem de São Paulo, o Eremita, estão encarregados de traçar a linha do meridiano.

— Desejam se manifestar, cardeais? — Indagou o Santo Padre.

Nenhum deles respondeu.

— Por meio do édito Eximiae Devotionis, Sua Santidade, o Papa Alexandre VI, reconhece o direito hereditário sobre a posse de todas as terras reivindicadas pelos amados filhos de Cristo, Fernando e Isabel, Reis de Castela, Leão, Aragão, Sicília e Granada.

— Desejam manifestar-se, cardeais? — Indagou o Sumo Pontífice.

Ninguém se manifestou.

— Suas Majestades, os mais amados filhos de Cristo, Fernando e Isabel, Reis de Castela, Leão, Aragão, Sicília e Granada, comprometer-se com o dever cristão de evangelizar os povos encontrados nas terras longínquas, concedendo-lhes o direito de herdarem as promessas de vida eterna e de reconciliação, bem como torná-los cidadão de Suas Majestades, filhos de Cristo.

— Alguma objeção, cardeais?

Nenhuma resposta foi dada.

— Verbum Incarnatum. — Pronunciou o Mestre de Cerimônias.

Os cardeais, sem pressa, deixaram a Sala do Consistório. O Papa dirigiu-se aos seus escritórios, seguido pelo cardeal Oliviero Carafa. Atrevassaram os portais que levavam à Sala dos Mistérios da Fé. Era uma sala de piso cinzento de majólica, importada de Valência. As paredes tinham tom vermelho-terroso, criando uma atmosfera solene e séria. A sala tinha o teto abobadado de arestas. As cornijas da sala exibiam a heráldica papal de Alexandre VI em gesso. As lunetas exibiam diversos afrescos que retratavam a vida de Cristo e da Virgem Maria. Entre cada luneta, a heráldica de Alexandre chamava a atenção, sustentada por anjos envolvida por um anel de ouro. Na verdade, o ouro era abundante em toda a sala, contornando as lunetas ou como parte da própria pintura e da estrutura da abóbada. O azul celeste era vívido e contrastava com o dourado brilhante, sendo a cor principal do teto e das lunetas fora dos afrescos, um tom intenso e nobre. Em pequenos triângulos dourados formados entre os afrescos e as lunetas, foram gravados sóis e touros. Touros dourados se encontravam por toda a extensão azul celeste, pois eram símbolo de força e da Casa Borgia. Onde as lunetas se fechavam, uma coroa ligada aos touros resplandecia raios de luz, fazendo referência a Alexandre, o Grande, e à luz divina.

Os Borgias - Ego Sum PapaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora