III

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III

03 de setembro, Palazzo Apostolico, Città del Vaticano

Naquela manhã, o Papa caminhava pelos corredores do palácio. Era um hábito que tinha tomado desde a sua eleição: uma caminhada matinal pelo palácio, cumprimentando a todos. Enquanto atravessava os corredores, avistou o protonotário Francesco Alidosi deixar os aposentos de Giuliano della Rovere. Alexandre não conteve o riso zombeteiro observando aquele homem de vestes púrpuras sair apressado.

Seguindo por aqueles corredores espaçosos e salas, procurava estar sempre próximo às janelas. Suas cortinas vermelhas de seda eram formidáveis, contrastando com as paredes claras do palácio. De repente, parou em frente a uma delas. Com as mãos para trás, contemplou a Piazza di San Pietro. Uma praça simples, rústica, sem grandes adornos, como as de Florença e Veneza, com um poço.

— Tenho grandes planos para São Pedro... Que Deus me ajude...

Interrompeu-se com um silêncio repentino. Ouviu passos lentos, quase arrastados. Voltando-se para trás, viu o cardeal Sforza, que parecia preocupado carregando alguns documentos. Intrigado, Sua Santidade aproximou-se, esperando descobrir o motivo da sua inquietação.

— Sua Santidade.

— Vai estudar, Eminência?

— São documentos que acabaram de chegar de Florença.

— Encomendas atrasadas dos Medici, suponho.

Il Magnifico morreu antes que pudesse trazê-los.

— Que Deus o tenha. — Lamentou, fazendo o sinal da cruz.

— Com certeza o tem, Santidade.

— O que enviou-nos o nobre Lorenzo?

— Cópias de Sólon, Anacreonte, Safo, Píndaro, Eurípides, Sófocles, Ésquilo e outros.

— A Biblioteca do Vaticano fica mais rica a cada dia.

— Se me permite, eu preciso ir agora.

— Gostaria de acompanhá-lo — disse o Papa.

Ascanio respondeu com um sorriso suave e dissimulado, como se a sua presença fosse um incômodo. Encontrando um dos protonotários, chamado Lonati, Ascanio entregou os documentos e pediu que os levasse para a biblioteca.

— O que realmente deseja, Santo Padre? Sinto que não veio me acompanhar apenas por cortesia.

— Como Vice-Chanceler, tem em suas mãos os guardas do palácio e da Città del Vaticano, exceto os meus conterrâneos que partirão em breve.

— O que deseja?

— Quero que diga aos guardas que permitam a passagem dos meus sobrinhos aos meus aposentos.

— Os cardeais estão comentando sobre a nomeação de Juan Borja de Romaní como cardeal de Santa Susana, Santidade. Creio que não gostarão disso...

— Nós estamos cientes disso. Não nos importa.

O cardeal Sforza sorriu, constrangido.

— Eu ouvi alguns cardeais discutindo a respeito de uma pauta muito antiga, debatida dentro da Igreja há muito tempo. O cardeal Jorge da Costa parece muito preocupado com a proliferação da prostituição na cidade. Algumas mulheres foram severamente punidas com multas por venderem-se de forma irregular...

— Vice-Chanceler, quer que algumas milhares de mulheres estejam desempregadas, mendigando nas portas dos templos e ocupando as ruas?

— Não, Santidade. A proposta foi de Jorge da Costa, apoiada por uma parcela considerável dos cardeais, ao que soube.

Os Borgias - Ego Sum PapaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora