XXII

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02 de junho, Roma

Naquela manhã, Giovanni Sforza, o cardeal Ascanio e o Duque de Gandia cruzaram os portões de Roma com seus respectivos séquitos. Giovanni Sforza revestia-se de sua armadura brilhante e de um elmo bacinete plumado, com o visor erguido, usando uma capa vermelha com o brasão da cidade estampado no centro, enquanto o brasão da família estava no peito da armadura; o Conde de Pesaro estava sobre um cavalo castanho, vestindo uma barda de tecido azul e amarelo, ostentando a insígnia de Giovanni Sforza no peito. Os cavaleiros que vinham consigo carregavam as flâmulas da família Sforza nas suas bandeirolas. Os cavaleiros vestiam armaduras e cavalgavam em cavalos sem barda, porém, belos. O cardeal Sforza cavalgava sobre o seu corcel branco envolvido por uma barda vermelha escarlate, como as suas roupas; a sua capa envolvia o seu corpo para que não ficasse na traseira do animal. O Duque de Gandia vestia as mesmas roupas coloridas e vistosas, com o seu chapéu emplumado; a sua armadura estava em Gandia, no castelo. Seu séquito era prateado pelas armaduras luminosas dos cavaleiros e vibrante pelas vestes dos pajens que montavam em mulas ou vinham a pé. Na retaguarda, vinham presentes em três baús carregados por mulas e protegidos pela cavalaria de Pesaro. Os pajens cuidavam da bagagem, dos mantimentos e dos baús que presenteiam a noiva do Conde de Pesaro. Conforme a procissão avançava, o povo curvava-se e prestava reverência aos nobres e ao cardeal, que caminhavam em direção ao Vaticano.

Ao verem a chegada de Giovanni Sforza e da sua comitiva, a Porta Sancto Spiritu foi aberta. Giovanni não parecia muito impressionado com a Piazza di San Pietro, embora a basílica lhe chamasse a atenção pelas enormes rachaduras da fachada. Todavia, aquela praça parecia simples demais para ser do Vaticano, em sua opinião. Ademais, parecia uma praça comum, diferente da opulência que tinha em seu imaginário. Sobre o estado da basílica, não se surpreendeu. Já era bem sabido por todos que estava caindo aos pedaços.

Da sacada da Capela Sistina, Lucrezia e o Papa contemplaram a chegada do visitante. A jovem havia ficado impressionada com o brilho das armaduras dos cavaleiros, sobretudo a de Giovanni Sforza, o Conde de Pesaro. Era incontestável que gostava muito de objetos brilhantes, ouro e joias. Ficou encantada pela beleza do séquito e pela luz que resplandecia. Porém, seu noivo parecia ser muito mais velho do que imaginava. Embora preservasse um aspecto jovial, sem rugas, certamente tinha o dobro de sua idade. Se outrora não se importava com esse fato, agora via-se enganada.

— O que acha, Lucrezia?

— É o Conde de Pesaro?

— Sim, minha filha. É bom, forte e com riqueza considerável, sobrinho de Ascanio Sforza.

— Parece que nem sequer queria estar aqui.

— Bobagem! Deve ser o calor. Essa primavera está mais quente que o habitual. Por que não descemos e vocês não se conhecem um pouco? Não custa tentar.

— Tudo bem... — disse vagamente.

Assim, foram em direção ao séquito. Ao chegar diante deles, foi bem recebido. Curvaram-se diante da sua eminência. Giovanni, que admirava o abandono da basílica, virou-se ao Papa Alexandre VI e a Lucrezia, sua noiva. O conde desceu de sua montaria para prestar reverência ao Papa. Encantou-se com a jovem que estava ao seu lado. Imaginava se aquela menina de cabelos dourados era o que acreditava que fosse. "Uma menina?", indagou-se, "Ascânio está me casando com uma maldita criança, bastarda do Papa?". Sua distração foi momentânea. Não queria desgastar-se ainda mais. Curvou-se solenemente diante do Romano Pontífice, ajoelhando-se logo em seguida; o Papa levou sua destra a Giovanni que, tomando-a, beijou o Anel do Pescador; por fim, prostrou-se pela última vez, inclinando seus lábios à cruz bordada sobre seus sapatos brancos, demonstrando sua fidelidade e submissão ao Papa e à Igreja.

Os Borgias - Ego Sum PapaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora