XIX

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22 de abril, Ostia

Já era tarde. O primogênito do Papa caminhava entre as tendas do exército, que produzia as máquinas de cerco com demasiada lentidão pela falta de madeira e das escaramuças de Prospero Colonna. Giovanni Borgia caminhava por entre as tendas, aconselhando-se com Antonello Savelli, assalariado do Papa, recomendado pelo cardeal Savelli.

— Estamos sitiando a cidade há semanas... — exprimiu Giovanni, voltando os olhos às muralhas.

— Acalme-se, nobre duque. Cercos são demorados.

— Essa demora vai nos matar! Se aquelas muralhas não caírem, vamos perecer na próxima escaramuça de Colonna...

— Você se preocupa demais. Os lombardos romperam as forças de Orsini e estavam em Tivoli até ontem. Agora, devem estar em Roma. Virão com suprimentos.

— Guidobaldo da Montefeltro e Giovanni Battista Conti recuaram em Cerveteri quando enfrentaram os Orsini! Se Guidobaldo foi vencido, o que esperar de nós?

— Guidobaldo não recebeu o melhor dos exércitos... Recebeu um bando de camponeses, gente que nunca pegou em armas. Nós, por outro lado, temos um exército de verdade e tudo o que enfrentamos é um cardeal enclausurado e Prospero Colonna...

— Precisamos de um plano...

— Certamente. Tem algo em mente?

Giovanni hesitou. Massageava o queixo, olhando para as tendas enquanto caminhavam.

— Acha que Prospero está confiante?

— Acho que razoavelmente sim... O que pretende?

— Pretendo utilizar a ajuda lombrada para cercá-lo quando vier com mais uma escaramuça.

— Interessante... Creio que isso pode ser arranjado. Permita que vá de encontro com os exércitos de Lodovico Sforza.

— Faça isso, depressa. Cuide para que estejam acampados próximos ao nosso acampamento. Quando der o sinal, cerquem Prospero Colonna. Se derrubarmos il capitano, todo o exército cai.

Os dois pararam diante o rio, observando-o.

— O senhor teve uma boa ideia. Vou garantir que estejam por aqui até amanhã.

— Vá depressa.

— Sim, meu senhor — respondeu, curvando-se.

Savelli deixou a presença do Duque de Gandia, que retornou à sua tenda, esperando a visita de Prospero Colonna no fim daquela tarde.

Ao entardecer, ouviram o sinal. As sentinelas em torres de vigia soaram o alarme. Os soldados de Roma apanharam suas armas no crepúsculo. O Duque de Gandia vestiu a armadura e a espada, vestindo o elmo. Deixando o recinto, uniu-se a um grupo de infantaria e comandou as tropas para trás da barricada contra a cavalaria de Prospero Colonna. Os cavaleiros pararam diante da barricada, procurando por uma brecha enquanto cavalgavam. Os arqueiros de Colonna dispararam sobre os sitiantes. Sobre as torres de vigia, um soldado com um arcabuz disparou contra o exército de Colonna. O projétil perfurou a armadura de um dos cavaleiros. Diante das barricadas, lanceiros trocavam estocadas contra os defensores.

Giovanni Borgia comandava os seus arqueiros, mirando os agressores. De repente, no horizonte negro, avistaram pequenos pontos luminosos. Os homens de Colonna recuaram. Os cavaleiros atiraram tochas sobre as torres de madeira. No céu, setas flamejantes desceram sobre Giovanni e sobre o exército. Prospero Colonna, perseguido por flechas, fugiu para longe, em direção à vila de Dragona.

O Duque de Gandia e seus soldados, desesperados, tentavam apagar o incêndio, lançando sobre o fogo parte da água que trouxeram consigo de Roma. Tremendo que Prospero Colonna e seus soldados ainda estivessem próximos ao Rio Tibre, não foram às margens. Uma das torres ruiu por completo, ferindo dois arqueiros e o arcabuzeiro. Felizmente, para sua sorte, o exército sofreu menos baixas que da última vez.

Os Borgias - Ego Sum PapaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora